Mais sobre e-readers

Umberto Eco - italian philosopher and novelist

Image via Wikipedia

Fiz um texto sobre e-readers que ainda vou postar aqui sobre como eles podem ser (in)úteis, porém o texto ficou no meu caderninho de anotações e este, por sua vez, foi esquecido na casa da minha avó. Em breve vou buscá-lo e trago novas considerações amalucadas sobre os leitores eletrônicos e o quanto eles podem nos trazer de alegria ou decepção. Enquanto isso, fiquem com um trecho do livro Sobre a Literatura  - Ensaios, de Umberto Eco (Ed. Record, trad. Eliana Aguiar) que sempre me surpreende com suas divertidas elocubrações sobre o tema:

É verdade que os objetos literários são imateriais apenas pela metade, pois encarnam-se em veículos que, de hábito, são de papel. Mas houve um tempo em que se incorporavam na voz de quem recordava uma tradição oral ou mesmo em pedra, e hoje discutimos o futuro dos e-books., que permitiriam ler seja uma coletânea de piadas, seja a Divina Comédia em uma tela de cristal líquido. Aviso logo que não pretendo me deter esta noite na vexata questio do livro eletrônico. Pertenço, naturalmente, àqueles que, um romance ou um poema, preferem lê-lo em um volume de papel, do qual haverei de recordar até mesmo as orelhas e o peso. Dizem, porém, que existe uma geração digital de hackers que, nunca tendo lido um livro na vida, com o e-book conheceram e provaram agora, pela primeira vez, o Dom Quixote. Quanto proveito para suas mentes e quanta perda para sua vista. Se as gerações futuras chegarem a ter uma boa relação (psicológica ou física) com o e-book, o poder do Dom Quixote não mudará.

Eu já disse que virei fã desse moço?

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Eco, Carrière e o futuro dos livros

Algumas vezes aqui no blogue comentei sobre o futuro dos livros, e-books e afins, numa tentativa de afirmar minha visão sobre a mudança vaticinada por muitos de que as edições em papel têm seus dias contados e darão lugar em breve a bits e bytes em telas de Kindles e iPads. Tenho minhas dúvidas sobre essa mudança e, mesmo que haja, o suporte não muda (ou não deveria mudar) o que o livro traz para cada um. Já escrevi sobre esse assunto aqui, aqui e menos aqui. Para minha felicidade e por indicação preciosa da querida Karla Lima, megulhei em _não contem com o fim do livro, do semiólogo e escritor Umberto Eco e do escritor, dramaturgo e roteirista Jean-Claude Carrière (Ed. Record, Trad. André Telles, link aqui), um bate-papo delicioso mediado pelo jornalista Jean-Philippe de Tonnac. Percorrendo milhares de anos da história do livro, os dois bibliófilos, colecionadores de livros antigos e raros (os incunábulos) nadam contra a maré digital e batem no peito quando dizem: o livro não vai acabar. Trazem inúmeros motivos para que o objeto livro continue a ser cultivado como tem sido até hoje e, diferente dos vinis e de outros objetos que voltam na onda vintage, o livro, como a roda, desempenha seu papel com perfeição há tempos e prova que não é substituível. Apesar de sua classificação de Ensaio/Teoria Literária, esse livro é recomendável a todos aqueles que amam o livro e a leitura e acreditam, como os autores, que essa paixão não é vã nesses tempos de fibras ópticas, conexões rápidas e telas eletrônicas. O sério Jean-Philippe Tonnac conduz bem a entrevista e os entrevistados, num descontraído bate-papo, mostram que não foram chamados para essa troca de ideias por acaso. Livro para ter e consultar, para anotar e rabiscar, deixar as marcas da leitura, pois é disso que trata: do livro como objeto pessoal e afetivo.

Entre os comentados no livro, fiquei bastante feliz em encontrar algumas vezes mencionado o nome de José Mindlin, brasileiro que nos últimos tempos representou essa paixão pelos livros com bastante força. Vale a pena.

Drops e Férias

Pessoas queridas,

Tenho algumas notícias e comentários a fazer. Vamos lá!

1. Começaram as inscrições para o Curso de Criação Literária do Espaço Terracota/UNICSUL para o próximo semestre. O curso conta com professores excelentes, como Nelson de Oliveira, Marcelino Freire, Edson Cruz e Marcelo Maluf. As inscrições podem ser feitas pelo site:

http://terracotaeditora.com.br/pcl/.

2. Estou com uma pilha de livros para ler e ando lendo muitas coisas abalizadas por pessoas que conheço e admiro. Um dos livros é How fiction Works, do James Wood e o outro é _não contem com o fim dos livros, de Umberto Eco e Jean-Claude Carrière. O primeiro já está começado e adorei, o segundo chegou em casa na sexta-feira, ainda não tive tempo de fuçar. De quebra, trouxe para casa também Der Klein Prinz (O Pequeno Príncipe, em alemão).

3. Peço uma torcida, pois apareceu uma oportunidade de aprimorar meusnao+contem+com+o+fim+do+livro conhecimentos tradutórios e depende de muitos fatores (inclusive lunares e solares) para que eu consiga. Torçam por mim.

4. E por falar em torcida, este blogue tem me trazido gratas surpresas em todos os âmbitos, desde o profissional até o pessoal. Agradeço a todos que já fizeram e que vão fazer parte dessa bagunça organizada que é o PetêRissatti.com.

5. Por fim, começam amanhã minhas pequenas férias, pouco mais de 15 dias recarregando energias em algum lugar longe dos computadores. Por isso os posts ficarão mais escassos (ou talvez nem existam nesse período) e a seção Conversas entre Tradutores também entra em recesso. Voltamos no dia 15 de julho, com força total. Se você ainda não segue o blogue no seu agregador (RSS) ou por e-mail, dê uma olhadinha à direita do blogue para ter informações sobre como seguir.