Vi meus últimos posts sobre tradução e cheguei a uma conclusão bem simples: nossa, como eu reclamo! Tudo bem que todas as reclamações foram justificadas e, pelo tom daquilo que escrevi, eu estava numa maré de azar danada. Pegando trabalhos que não compensaram a dor de cabeça de tanta pesquisa, mudança e correção de coisas que deviam chegar muito melhores nas mãos do preparador.
Por isso, FINALMENTE, eu venho aqui para dizer que hoje estou bem satisfeito. Além de ter na fila de traduções dois livros deliciosos, estou preparando um livro atualmente que merece palmas. Não posso dizer o nome do livro, mas não deixarei de falar o nome da tradutora que me deixou tão satisfeito e esperançoso: Claudia Abeling. Tradutora do alemão, seu texto é bastante fluido, consegue manter a poesia onde é necessário e seguir os caminhos que a autora do livro percorreu, sem deixar o livro com aquela… “cara de tradução”. Com certeza, o livro não foi tarefa tranquila, autora bastante experimental, com uma prosa ríspida, mas ao mesmo tempo poética, um mergulho profundo na alma humana e naquilo que é o pior que já se pode inventar: as ditaduras, políticas ou não. Assim que o livro for publicado, escrevo algo aqui sobre ele.
Por motivos óbvios, a gente dá nome apenas aos bois premiados. Aos incompetentes é melhor o anonimato. Pois quem pode, fica. Quem não pode, logo tomba. Assim espero…




Posso dizer que me diverti muito ao traduzir Sincero – a história real e bem-humorada de um homem que tentou viver sem mentir (Verus Editora), do jornalista alemão Jürgen Schmieder. Este livro caiu nas minhas mãos quase por acaso, após eu ter declinado por conta do prazo (sempre ele, merece um post no futuro) um outro livro. Eis que o retorno da minha recusa foi este livro divertidíssimo pela mesma editora, o que vejo hoje como uma troca muito feliz. Quando li o índice do livro já tive a primeira certeza: vou rir com este livro. E não deu outra, me peguei muitas vezes gargalhando entre uma frase e outra, entre uma história e outra desse jornalista maluco que resolveu passar a quaresma sendo sincero com tudo e com todos, doesse a quem doesse. Vivi com esse cara durante uns três meses, enlouquecido com outro alemão (o Domscheit-Berg, do Wikileaks), e compartilhei meu texto com ele para que o cara falasse em português de suas desventuras engraçadas.
Todas as vezes que faço uma entrevista, sempre tento manter a pergunta aos tradutores sobre o que eles acham da visibilidade (nada a ver com o conceito venutiano ou bermaniano de visibilidade, ok?) dos tradutores hoje em dia e as respostas, em geral, são bastante otimistas. Também tento manter o otimismo com relação à compreensão que as pessoas têm sobre nossa profissão, sobre o que fazemos e como nosso trabalho vai além daquilo que antes se pensava do tradutor: aquele que faz um bico, que sabe dois idiomas e pronto etc.



