Mais uma do Nelson

Esse Nelson de Oliveira não para: são cursos, oficinas, livros lançados em quantidade e qualidade (vejam os prêmios do moço) e ainda pastoreando autores em suas coletâneas que sempre causam alvoroço na iminência do lançamento. Diz o pessoal da época que Geração 90 causou gritos, choros e convulsões (em especial de quem não entrou na lista dos ‘escolhidos’ do mestre Oliveira). Pois agora não deve ser diferente: a partir do dia 21 de junho chega nas melhores casas do ramo livreiro Geração Zero Zero – Fricções em Rede (Editora Língua Geral), com lançamento oficial em diversas cidades (veja P.S.). Entre apadrinhados, descoberto e desconhecidos de Nelson estão Andréa del Fuego, Lourenço Mutarelli, Veronica Stigger e outros. Acredito que de alguma forma o intuito dele era o de trazer um pequeno panorama do que foi produzido nos primeiros 10 anos deste novo século, algo que não se pode menosprezar. Nelson brinca mais uma vez de padrinho de uma nova geração de autores, muitos dos quais foram seus oficinandos, o conheceram ou no mínimo têm contato com ele.
Os dados estão lançados. E o livro, só no dia 21. Vejo vocês por lá, na Livraria da Vila da Fradique? Será no dia 21 de junho, terça-feira, das 18h30 às 21h30. Vejam o convitinho abaixo.

PS.: Também haverá lançamento em Brasília (dia 19.7, no Café com Letras), no Rio de Janeiro (dia 29.6, na Livraria Travessa), em Salvador (27.7, na Livraria Cultura) e em Porto Alegre (dia 12.7, na Palavraria).

IV Encontro Prática de Escrita

Olá pessoas,

Claudio Brites e Nelson de Oliveira não param e há alguns anos organizam, junto com a Terracota Editora e a Universidade Cruzeiro do Sul, o Encontro Prática de Escrita. Conheci parte da turma dos Escritores de Segunda justamente num desses encontros, que sempre são bastante produtivos. Neste ato a oferta de cursos e palestras está bastante interessante e, claro, estarei lá. Para se inscrever, clique aqui. Vejam o release do evento:

O Encontro Prática de Escrita acontece informalmente desde 2001, mas há quatro anos o evento ganhou periodicidade e formato e vem se tornando parte da agenda de quem gosta de literatura. O principal objetivo do encontro é reunir pessoas que não só apreciam a literatura, mas também tudo que circunda a prática de escrita literária. A programação é dividida em dois tempos, o primeiro gira em torno das mesas com palestrantes, que discorrem sobre assuntos que permeiam o universo da literatura; o segundo tempo é das oficinas de criação literária. Pelo evento já passaram nomes como: Milton Hatoum, Marcelino Freire, Raphael Draccon, Kizzy Ysatis, Roberto de Souza Causo, Sérgio Pereira Couto, entre outros.

O evento deste ano tem como convidados: o escritor, jornalista e apresentador do programa Metrópolis, da TV Cultura, Cadão Volpato; a jornalista, escritora e apresentadora do programa Letras & Leitura, na Rádio Eldorado, Mona Dorf; e o escritor e jornalista, apresentador do programa Perfil Literário, na Rádio Unesp, Oscar D’ambrósio. Cadão falará sobre sua prática literária; Mona Dorf e Oscar tratarão do universo literário, compartilhando suas experiências em centenas de entrevistas com escritores.

O encontro deste ano acontece no dia 7 de maio, sábado, das 10h às 16h30, na Universidade Cruzeiro do Sul, campus Liberdade e é organizado pela Terracota editora como parte da programação do curso de lato sensu em Criação Literária. A inscrição deve ser feita aqui. O limite de vagas é 120 para as mesas e 15 por oficina.

Quando: 7 de maio de 2011 – das 10 às 16h30
Onde: Universidade Cruzeiro do Sul – Campus Liberdade – Rua Galvão Bueno, 898 / São Paulo-SP
Quanto
: Entrada Franca
Vagas: 120 (mesas) – 15 (oficinas)

PROGRAMAÇÃO

Mesa 1 – das 10 às 11h15

A PRÁTICA DE CRIAÇÃO DE CADÃO VOLPATO
Convidado: Cadão Volpato
Mediação: Nelson de Oliveira

Mesa 2 – das 11h15 às 12h30

DO QUE FALAM OS ESCRITORES
Convidados: Mona Dorf e Oscar D’ambrósio
Mediação: Edson Cruz

Oficinas

A ARTE DO ENSAIO
com Cláudia Vasconcellos
das 14h30 às 16h30

Escrever um ensaio é discorrer de um modo muito pessoal sobre um assunto, qualquer assunto. Não precisa ser um expert no tema que se vai abordar, porque aquilo que transparece no ensaio é sobretudo a opinião bem elaborada do ensaísta. A oficina de ‘Ensaios’ discorrerá sobre como este gênero de escrita nasceu, fornecerá dois breves exemplos, os quais fornecerão um modelo deste tipo de escrita, e, então, os participantes serão convocados a escrever os seus ensaios, ou seja, a darem as suas opiniões e por meio delas se darem a conhecer. Para interessados a partir de 18 anos.

COMO CRIAR UM INUTENSÍLIO SEM SE TORNAR UM INÚTIL
com Edson Cruz
das 14h às 16h

Uma oficina de criação e análise poética ligeira e profunda como o tanque de Bashô. Ah, você não sabe do que estamos falando? Não sabe se o que lê e o que escreve tem melopeia, fanopeia ou logopeia? Não sabe a diferença entre um marceneiro e um poeta na Grécia antiga? E qual a função da poesia em tempos de big brother e consumo desenfreado? É meu chapa, você está precisando de uma oficina como essa.

SOLTANDO A LÍNGUA
com Marcelino Freire
das 14h às 16h

Quer soltar o verbo mas não sabe como? Tem um projeto de um livro mas na hora de escrever deu um branco? Está difícil de organizar as ideias e os sentimentos? Pois bem: o escritor Marcelino Freire (autor, entre outros, do livro “Contos Negreiros”) dará, nesta rápida oficina, algumas dicas de como trabalhar o texto (não importando o gênero literário) e fazer do seu “bloqueio” artístico algum muito criativo. Para interessados em literatura, a partir de 14 anos.

ESCREVER PARA JOVENS. QUE HISTÓRIA É ESSA?
com Marcelo Maluf
das 14h às 16h

Escrever literatura para jovens é uma linha tênue que muito se aproxima da literatura adulta. Harry Potter e Artemis Fowl são exemplos de textos que ganharam o público adulto. Enfim, escrever para jovens, que história é essa? Marcelo Maluf é autor entre outros de “Jorge do Pântano que fica logo Ali”, e organizador da Antologia infanto-juvenil “Era uma vez para sempre”, nessa oficina prático-reflexiva, Marcelo dará dicas e possíveis caminhos da literatura contemporânea para jovens. Para interessados a partir de 18 anos.

Vejo vocês lá!

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Correria e convite

Olá, olá…

Como já devem ter percebido, estou correndo. Afogado entre traduções, dois autores me enlouquecendo a cabeça e, confesso, estou gostando muito. Prazo babando no meu calcanhar, quase sem tempo para viver longe do meu HP. Mas tenho um convite a fazer a todos que estiverem em São Paulo no próximo dia 12 de fevereiro.

Nelson de Oliveira, num de seus arroubos de inquietação, criou um projeto chamado Portal, para o qual ele chamou escritores iniciantes e experientes para escrever sobre ficção científica, realismo mágico e fantástico e afins. De acordo com o blogue do projeto:

Projeto Portal é uma revista de contos de ficção científica com periodicidade semestral, editada no sistema de cooperativa. A pequena tiragem — duzentos exemplares de cada número — será distribuída entre acadêmicos, jornalistas e formadores de opinião. Serão no total seis números (de papel e tinta, não online). Cada número da revista homenageia, no título, uma obra célebre do gênero: Portal Solaris, Portal Neuromancer, Portal Stalker, Portal Fundação, Portal 2001 e Portal Fahrenheit.

Pois bem, que eu tenho a ver com isso?

Estou no último e derradeiro Portal Fahrenheit, com um conto chamado Réquiem. Para mim foi bastante complexo mergulhar nesse mundo fantástico, tão afeito que sou aos textos reais. Depois pensei que muitas das minhas leituras preferidas tinham um toque de realismo fantástico ou mágico, ou mesmo alguma loucurinha que justificasse a minha predileção. Não estava então tão longe como eu pensava.

Então está aí o convite. Espero vocês por lá.

E logo mais eu volto para cá também.

11 de setembro, dia de lançamento

Lançamento é sempre tudo de bom. E desta vez, junto com grandes amigos. Está chegando a coletânea “Mecanismos Precários“, da Editora Terracota. São 17 escritores reunidos sob as batutas dos queridos Nelson de Oliveira e Claudio Brites. Além dos alunos do curso de pós-graduação em criação literária da Unicsul/Terracota (entre eles os amigos Laura Fuentes e Tiago Araújo), também estão estrelas da literatura brasileira contemporânea, como Marcelino Freire, Edson Cruz e Marcelo Maluf.

Será no dia 11 de setembro, das 17h00 às 19h00, no Espaço Terracota (Av. Lins de Vasconcelos, 1886, Aclimação, São Paulo). Vale a pena.

Veja o convite abaixo:

Curso de Prática de Criação Literária

Nunca é demais lembrar a todos que estão abertas as inscrições do Curso de Prática de Criação Literária, um curso em nível de pós-graduação promovido pelo Espaço Terracota e pela Universidade Cruzeiro do Sul. Vejam informações na imagem acima (clique na imagem).

Confluências nipônicas

100 years of Japanese immigration to Brasil
Imagem por kalavinka via Flickr

Quando menos a gente espera as pessoas se encontram e reencontram. Hoje recebi um convite de lançamento da querida Tereza Yamashita, que participou da antologia de contos Retratos Japoneses no Brasil e nele prevejo alguns encontros e outros reencontros. Em primeiro lugar, reencontrarei Tereza e Nelson, de quem sempre sinto saudades de papos entre limonadas e pães de queijo. São pessoas que tornam um dia bem melhor de se encarar, de verdade. Depois a Marilia Kubota, minha companheira da antologia Blablablogue – Crônicas e Confissões, agora faz o papel de organizadora dessa antologia tão especial. Há ainda outro reencontro, o segundo neste ano, com o prof. Jiro Takahashi. Ele foi meu professor na Ibero em 1997 e um grande mestre pelo qual tenho um grande carinho. Encontrei-o depois desses 13 anos no último CIATI e agora vou reencontrá-lo neste lançamento. E o último, mas não derradeiro, encontro será com o pessoal da Annablume/selo [e], que é a editora responsável pelo livro que já estou doido para ler.

Informações (tirados do blogue da Tereza):

Em seu texto de apresentação Nelson de Oliveira diz que,  nesta coletânea,  é a diferença estrutural entre o Japão e o Brasil, dois planetas completamente diferentes, seus conflitos e sua beleza poética, que os dez prosadores reunidos usaram como matéria-prima para suas histórias.

Já para Jiro Takahashi Retratos Japoneses no Brasil vêm celebrar a memória e o sonho, a tradição e a ruptura, as esperanças e as frustrações, as raízes e os frutos nas relações de conhecimento de dupla mão que vêm sendo estabelecidas para construção de uma peculiar identidade dos brasileiros descendentes de japoneses.

Segundo a organizadora Marília Kubota, o lançamento da antologia é importante para visualizar as transformações pelas quais passou a tradição inventada dos japoneses no Brasil. É através da ficção que entendemos uma etnia e uma geração, no contexto de uma  nacionalidade e um tempo histórico. É o retrato de uma geração de nipo-brasileiros, mais brasileiros , mas ainda japoneses para o qual a miscigenação é um fato consumado.

Vai perder? Veja o convite abaixo:

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Levanta a poeira…

Nelson de Oliveira é um escritor e tanto. Já falei dele diversas vezes por aqui, rasguei muita seda, mas não é à toa: o cara tem a manha. Acabei de ler seu último livro, Poeira: demônios e maldições (Ed. Língua Geral, 399 p.) e fiquei mais uma vez intrigado com o domínio que ele tem da sua ferramenta, quase arma, que é a escrita. A surpresa é um elemento chave para Nelson, bem como o detalhamento, em especial neste livro, com as inúmeras referências a filmes, outros livros e outras artes. O bate-papo com escolas já tradicionais da literatura dão um tempero especial, do realismo fantástico à fantasia distópica.

A história se passa numa realidade alternativa na qual os livros são um grande incômodo: há livros em todos os lugares, em todos os cantos. Há um controle feito por imensas bibliotecas e cada vez mais elas são construídas para suprir a necessidade de espaço e organização dos tomos. Decretos contra novas impressões já foram baixados e tudo parece sobre controle.

Até que novamente começaram a surgir livros clandestinos, reedições e novas obras, sem que ninguém saiba de onde vieram. Fred, um bibliotecário de uma cidade sem nome, ficou transtornado com a chegada de caixas de novos livros como se surgidos do ar em sua repartição. Para resolver essa pendenga, surge Pedro Penna, um engenheiro que aparentemente chegou ali para dar um jeito na situação. Porém, os livros não param de surgir e Fred começa a enfrentar problemas não apenas na sua vida profissional, mas sua vida pessoa vira um inferno: seu casamento com Estela começa a ruir, sua relação com a filha parece distante e tudo fica cada vez mais estranho naquele mundo. Criaturas medonhas rondam a cidade, os depoimentos sobre elas não levam a lugar nenhum, pixações surgem como os livros, de lugar nenhum, avisando que o Mal está presente.

No mínimo surpreendente. A sensação de estranhamento e a ambientação absurda, beirando (e às vezes ultrapassando) o surreal, invadem as páginas de Nelson como em outros livros (veja esse post aqui, sobre O oitavo dia da semana). Este livro é uma aula para quem gosta e se aventura pela escrita, em diversos sentidos.

O mapa da escrita

karte_berlin_stadtschlossA Revista da Cultura deste mês traz uma matéria que dá o que pensar para quem escreve ou quem tem vontade. Uma pergunta que cresce como os cursos e oficinas de escrita que pululam por aí: é possível ensinar a escrever? Há um mapa ou uma fórmula da escrita?

Sou egresso de um curso de escrita. Trabalho há bastante tempo com as palavras, então ao menos nessa parte eu tinha certa segurança. Até chegar lá e ver que não era apenas isso. Nem qualquer outra coisa que eu tivesse em mente. Lá conheci gente boa e não tão boa, ao meu ver. Gente que realmente tem gosto pela palavra e pelo trato com o verbo e gente que apenas quer descarregar medos, culpas e afins no papel em branco. Não sei onde me encaixo nisso, mas ainda insisto na escrita pois ela me dá um prazer imenso.

Na matéria da revista há entrevistas com diversos instrutores e professores de oficina, como Luiz Antonio de Assis Brasil, João Silvério Trevisan e Raimundo Carreiro na velha guarda de oficinas e cursos de literatura. Entre a nova geração está o mestre e amigo Nelson de Oliveira e o agitador cultural agitadíssimo Marcelino Freire, ambos atuando em São Paulo (e Marcelino correndo pra lá e para cá pelo Brasil). Esse tipo de oficinas é uma novidade quase recente no Brasil, mas lá foram os cursos se espalham como grama, muitos com o mesmo formato, outro como uma espécie de brainstorming (ou “toró de parpite”) entre escritores.

No fim das contas, há ao menos uma provável resposta para uma das perguntas do início do post: não há mapa ou fórmula se você deseja fazer literatura. O fazer literário, acredito eu, é uma junção de diversos fatores, controláveis e incontroláveis, que acabam desaguando numa obra. De qualquer forma, aprendi que literatura é trabalho, é suor, é um debruçar-se sobre o texto com vontade. Desenvolver técnicas, se deixar levar pela inspiração, montar esquemas de trabalho e treinar exercícios de respiração para manter a calma quando aquela bendita palavrinha-filha-da-puta não chega. E, acima de tudo, escrever, e muito. E ler mais ainda para se alimentar e ter forças para encarar o teclado quieto ou a caneta em delicioso repouso. E “ouvir a rua”, como manda Marcelino na entrevista. E aquela música. E ver a pintura e se incomodar a ponto de ver o texto se formar na cabeça, como deve acontecer com Sérgio Sant’anna (como comentou no último Sempre um Papo, com Afonso Borges, no Sesc Vila Mariana). Ou nada disso que escrevi , o que também é uma possibilidade.

O mapa não vem pronto. A gente precisa escrever…