
A internet é um manancial. De coisas boas e de coisas ruins. De gente dedicada e de gente folgada. Não é à toa que é considerada um simulacro do mundo real, onde também há tudo isso. A dar com o pau, diga-se de passagem.
E como aqui falamos de tradução e outras maluquices, algo tem me incomodado bastante nas “famosas” listas e comunidades de tradutores. Na verdade, várias coisas me incomodam nessas listas. Elas são úteis, as pessoas sabem onde encontrar os tradutores e os tradutores podem trocar ideias. Ao menos essa é a intenção, a finalidade primeira desse tipo de lista. No entanto, na realidade, não é isso que acontece em grande parte delas. Festival de brigas de foice, impropérios e discussões intermináveis e inúteis grassam nesse tipo de lista. Para usar a palavra da moda, o bullying contra os iniciantes é um fato e até mesmo contra participantes que já estão galgando degraus na carreira, mas ainda não tem todo o conhecimento do mundo, como muitos nessas listas pensam que têm. Infelizmente, a imagem refletida nessas listas é a de profissionais ferozes, extremamente competitivos, pouco dispostos a ajudar quem quer que seja.
A não ser algumas pessoas que, no fundo, não mereciam ajuda. Desculpem pela franqueza, mas a cara de pau de algumas pessoas me incomoda sobremaneira. Pedir ajuda é uma coisa, trepar nas costas dos colegas para conseguir algo é outra totalmente diferente.
E a ingenuidade maldosa (já explico o paradoxo) de outras pessoas também me deixam bem chateado.
Aprendi quando criança que, quando se ajuda alguém, não se alardeia. Muito menos se tripudia sobre a dificuldade alheia. Menos ainda se você ajudou naquele momento, mas pode precisar de ajuda na próxima esquina. E o que vi ocorrer no mundo virtual tradutório dias atrás me deixou com nojo. A pessoa ajuda a outra num lugar, aparentemente com toda a boa vontade, e desce o sarrafo na tal pessoa em outro canto internético, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Não tenho relação com nenhuma das duas pessoas, nenhuma ligação, mas me deu pena da primeira e (mais) raiva da segunda.
Essa não é a imagem que quero para mim. Não coaduno com esse tipo de coisa, abomino. Espero que os colegas me entendam e aqueles que ainda pensam que maltratar o próximo vai ajudá-lo de alguma maneira, repensem e relembrem sua época de iniciante. Basta isso para que talvez haja uma mudança. E volte a ser um prazer participar desse tipo de lista.