Atualização do post de 20 de novembro:
Se na metade do livro eu já indicava A guerra das salamandras, agora eu posso dizer que é leitura obrigatória. É impressionante como Čapek monta, com muita graça, a história que se repete ad infinitum aqui em terra firme. A questão da guerra, do autoritarismo e de todos esses males que atingem os humanos foram minuciosamente pensados pelo autor, tanto que é possível enxergar a humanidade e seus muitos desesperos: por conseguir salamandras, por educar as salamandras e por fim…
Se lerem (e quando lerem) comentem por aqui. Gostaria de saber da opinião de vocês também.
Boa leitura…
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Post original de 20.11.2011
Voltei. Mas isso é o de menos. Vamos ao que interessa.
Há quase um ano, escrevi aqui sobre um cara chamado Karel Čapek (leia aqui). Na época, comentei sobre A fábrica de robôs (Ed. Hedra, tradução de Vera Machac) e que havia ficado bastante impressionado com as ideias dele sobre o homem, suas capacidades e as adversidades que podem surgir a partir das aptidões humanas. Outro livro que foi publicado aqui dele é Histórias apócrifas (Ed. 34, tradução de Aleksandar Jovanović), que já está na minha lista de compras. Mas, antes dele, botei na fila de leitura A guerra das salamandras (Ed. Record, tradução de Luis Carlos Cabral).
E o que me surpreende nessa história toda? Čapek ainda é um ilustre desconhecido aqui nessas paragens.
Estou no meio de A guerra das salamandras e não costumo emitir opiniões sobre um livro antes do derradeiro ponto final. Porém, a leitura desse livro está sendo tão prazerosa que decidi falar dele já, mesmo sem saber o que vem por aí. A começar pela tradução que está muito boa. Não, eu não tenho a menor noção de tcheco, mas o que tenho aqui é um livro muito bem escrito e isso me leva a crer que a tradução esteja excelente. Vi uma resenha por aí dizendo que está realmente boa e não tenho motivo algum para desacreditar.
O livro traz a história de estranhas salamandras gigantes que um certo capitão Van Toch descobre em mares distantes. Transformadas num negócios bastante lucrativo, as salamandras começam a procriar de tal forma que, mesmo sem ter lido até o fim, já prevejo uma superpopulação que originará a tal guerra que o título já entrega. Porém, isso é o de menos também, pois o que importa são as reações humanas frente àquilo de que os próprios homens são capazes. Como em A fábrica de robôs, a ganância desenfreada e a falta de tato do ser humano faz com que ele se enrosque. Entre a ingenuidade e a avidez pelo lucro, a ilusão e o sonho convertido em cifras e poder, temos no livro escrito em 1936 a antecipação do totalitarismo que tomaria de assalto a Europa poucos anos depois. Sorte ou azar, Čapek faleceu em 1938 e não testemunhou grande parte de seus escritos se tornar realidade a partir de 1939.
É provável que eu faça um acréscimo a esse post quando terminar a leitura, mas já fica a dica: A guerra das salamandras, de Karel Čapek, vale a pena!
