O Conversa com Tradutores começa com uma amiga ainda virtual, mas que já tem minha admiração: Carolina Caires Coelho, a Carol, que é tradutora literária e tem em seu currículo desde traduções de livros de administração, filosofia, autoajuda, literatura até livros infantis e outros. Veja nosso bate-papo por e-mail abaixo:

PR: Carol, como foi o início da carreira?

Carol: Desde que decidi ser tradutora, antes da faculdade, eu sabia que queria traduzir livros. Nunca fiz traduções técnicas, nunca entrei em contato com agências. Assim, escrevia para todas as editoras que encontrava na Internet e nas feiras de livros. Foi um trabalho exaustivo, mas valeu muito para que eu soubesse o que as editoras buscavam e como trabalhavam.

PR: Como você começou com a tradução literária?

Carol:  Comecei a procurar oportunidades de trabalho com editoras ainda na faculdade. Para as traduções, todas perguntavam se eu tinha algum livro traduzido e publicado. Percebi que não seria tão fácil entrar no mercado! Mas insisti e comecei revisando textos, primeira e segunda provas, e um ano depois recebi a primeira proposta para traduzir um livro de autoajuda. Nunca mais parei.

PR: Sempre digo que a tradução é uma profissão encantadora: quanto mais você traduz, mais você aprende e quanto mais aprende, mais traduz. Como você vê nossa profissão hoje? E como as pessoas veem a tradução, na sua opinião?

Carol: Amo a tradução. É um ofício lindo, ainda que pouco compreendido. Lembro que, ainda menina, eu pegava os livros de minha irmã mais velha e ficava curiosa para saber como um autor de nome “estrangeiro” tinha escrito um texto em português. Desse interesse veio a percepção do que era traduzir. Acredito que muitos jovens descobrem a tradução dessa maneira. A meu ver, a série Harry Potter e agora, mais recentemente, a Crepúsculo, entre outras, fizeram com que as pessoas de modo geral, não só as crianças e adolescentes, descobrissem que existe um profissional intermediando o contato do autor estrangeiro com os leitores brasileiros. E começaram a valorizar isso. Hoje, os tradutores mais “famosos” têm até comunidades em redes sociais! Isso é ótimo! Nós não queremos “fama”, mas é gostoso ver colegas tendo seu trabalho reconhecido.

PR: Você utiliza alguma ferramenta de auxílio à tradução?

Carol: Tenho o Wordfast e estou aprendendo a mexer no MemoQ (memórias de tradução), mas não os utilizo com frequência.

PR: Na sua mesa de trabalho não pode faltar:

Carol: Alguns livros, como dicionários, o VocabuLando (da Isa Mara Lando), o livro que estiver sendo traduzido, um caderno, no qual anoto dúvidas, pendências e produção diária, e uma jarra de água. Tenho também meu rádio para escutar música nos intervalos. O “resto” e muito importante está dentro do computador: meus dicionários online, o “santo” Google, o arquivo eletrônico do livro que eu estiver traduzindo, e as redes sociais (o Twitter, principalmente), por meio das quais mantenho contato com colegas tradutores de várias partes do mundo. Esse contato é essencial para mim, já que, trabalhando sozinha, não tenho um colega na mesa ao lado ou alguém com quem papear na hora do almoço.

PR: O que você lê além dos livros que traduz? Qual é o livro do momento para você?

Carol: Adoro romances bem escritos, como os da Jodi Picoult. Tive o prazer de traduzir um dos livros dela para a Editora Planeta e estou me dedicando à tradução do segundo. Já li quase todos os outros que ela escreveu. No momento, estou lendo Precisamos Falar Sobre o Kevin, excelente tradução de Vera Ribeiro e Beth Vieira, da Intrínseca.

PR: Deixe um recado para quem admira ou quer começar na profissão.

Carol: Vou tentar repassar o conselho sábio do Danilo Nogueira: para cada hora de estudo do idioma de partida, “gaste” duas estudando o idioma de chegada. Leia muito sobre tudo. Duvide sempre de si mesmo; consulte dicionários, gramáticas, todos os recursos possíveis. Não tem muita experiência? Ninguém nasce experiente em nada. Você vai cometer erros; todos nós passamos por eles, em qualquer profissão e em qualquer nível de desenvolvimento. Mas compense a falta de traquejo com outros predicados: pontualidade, profissionalismo e força de vontade são um bom ponto de partida.

PR: Muito obrigado Carol.

Carol: Obrigada pela oportunidade de falar um pouquinho sobre a nossa profissão, Petê! Muito bom participar desta entrevista aqui no seu site, principalmente porque você, escritor e amigo, tem a minha admiração!

2 respostas »

  1. Clarice Assalim disse:

    Sou professora de português, com doutorado em Filologia (que é a ciência que se ocupa da edição de textos antigos), de modo que acompanho muito de perto o trabalho de edição, retextualização, adaptação, tradução.
    Tive a oportunidade de ler alguns livros traduzidos pela Carol e devo dizer que ela é extremamente consciente do seu trabalho.
    Não entendo muita coisa de técnicas de tradução, mas percebo que ela é grande conhecedora de inglês e de português, produzindo textos que se mantêm fiéis à ideia original do autor.
    Parabéns, Carol, pelo excelente profissionalismo!

  2. Renato Motta disse:

    Sou amigo da Carol e colega em dois níveis: de profissão e de editora. É impressionante o volume de trabalho que ela tem no currículo, para alguém tão jovem. Isso é prova de profissionalismo, talento e competência, um trio imbatível para alcançar o sucesso.
    Sou seu fã, Carol!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s