4 cricrizadas (ou Pense nisso…)

1. Nesta semana, descobriu-se que o deputado Tiririca contratou dois amigos comediantes, com salário de 8 mil reais cada. De acordo com os amigos, foram contratados para dar ‘ideias’ para ele. O seu voto no palhaço se transformou num espelho mais rápido do que se imaginava.

2. O trânsito de São Paulo só pode ser explicado por uma lógica meio maluca. A saber: depender do transporte público na cidade é uma prisão e o carro se transforma em liberdade. Daí todo mundo compra um carro para ser livre. Todos vão de carro para rua e ficam presos no trânsito. Então, a sua liberdade pode se transformar numa prisão.

3. Hoje estava vendo o programa Soletrando, do Caldeirão do Huck, uma iniciativa bacana do maridão da Angélica. Há uma pré-seleção em todos os estados e apenas os melhores alunos soletradores vindos de escola pública vão para a disputa na emissora do plim-plim. Hoje foram as semifinais e advinhem quais os estados que foram para a final? Pará, Parana e Piauí. Não que isso seja um índice oficial de melhor aproveitamento escolar, mas faz pensar bastante.

4. Só no Brasil Freud não explica.

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Pra quê?

Você escreve pra quê? Pra quê, se ninguém lê? E se alguém ler, valerá a pena? E a história de que todas as histórias já foram escritas, fica onde? São tantas perguntas antes da grande e invisível interrogação da página em branco. A tela, claro, em branco. Aquele cursor, toc-toc-toc, sem rumo nenhum, sem bússola. E você escreve para quem quiser ler e para quem não quiser e até para aquele que pouco se importa se você escreve ou não, pois está interessado não na sua escrita, mas na dele ou dela. Não lê o que você escreve, mas adoraria que você lesse aquelas poucas páginas que surgiram num repente furioso no meio da noite, olha só, nem queria escrever tanto e veio de uma vez, você pode ler?

Não.

E daí encaramos um texto. E analisamos um texto. E chegamos a diversas conclusões, sendo uma delas muito simples: não devia ter sido escrito. Nem ao menos pensado. Não precisava. E é o nosso texto.

Alguém tem essa humildade, admitir que o próprio filho é torto?

Não.

E quando o filho é do outro? E você precisa cuidar dele como se fosse seu e alguém diz: hum… tá torto. Dá um medo de que a sua intervenção, seus mimos e cuidados tenham entortado aquele rebento alheio. Deixado fraco, insosso, ou forte demais, não era para ser assim. Pesa uma mão aqui, alivia demais ali e acaba deixando o filho alheio frouxo ou duro demais. Ou transforme em filha. Possibilidades e realidades que amedrontam.

E o cursor ainda ali, toc-toc-toc.

Embriaguez, talvez seja a solução. Aborto preventivo, talvez.

Não, também não.

Agora já foi, já não tem mais volta. Já está ali, pedindo mais. E já mimamos o bastante para voltar atrás. Não tem outro jeito. É encarar e ver no que dá.

Ao menos, há sempre aquele ombro com o qual contar…

Música ao vivo

Teatro Caupolican, Santiago de Chile Domingo 1...
Image via Wikipedia

Não, não tenho nada contra música ao vivo, inclusive acho louvável quem ganha a vida com isso e muitos artistas que gostamos começaram assim, cantando na noite. Sou contra a febre que se instalou (ao menos aqui em Sampavelox, salve Prensada) de todo lugar ter um artista dedilhando seu violãozinho e cantando Djavan. Indiscriminadamente. Vou dar um exemplo:

Você está no shopping, com pressa e precisa comer algo rápido. Quer paz para esse momento, pois a manhã já foi atribulada e os quatro cavaleiros do apocalipse esperam o seu break para continuar o dia. Você pega sua comida, senta numa mesa disputada por engravatados, vendedores, desocupados e afins até que ouve:

“Amar é um deserto e seus temooooreees…”

Acabou a paz. Aquele momento em que seria suficiente o burburinho das praças de alimentação ou o vai e vem de garçons atendendo as mesas. Outra situação típica:

Você combina durante toda a semana para encontrar amigos no sábado e colocar a conversa em dia, expor problemas ou ouvir lamentações, ou dar risada e falar muita besteira. Combinam naquele restaurante japa que já foi melhor, mas onde a minicascata e casa com grande quintal deixam o ambiente agradável. Você e os amigos se encontram, se abraçam, entram no restaurante, pedem rodízio para os quatro com os respectivos shimejis (uma porção sem repetição), hot rolls, temakis e outras iguaria. E ouvem:

“Açaí guardiã, zum de besouro imã, branca é a tez da manhã… Açaí…”

Se o espaço não for grande o suficiente para você ficar longe do cantor, você sairá provavelmente com dor de garganta do restaurante e seus vizinhos de mesa tranquilamente compartilharão de sua conversa. Experiência desagradável pela qual já passei, aos berros e sem entender direito o que os amigos diziam, dor de cabeça no fim da noite.

Repito, não tenho nada contra música ao vivo. Nem contra Djavan, acho um cantor muito bom. Porém não suporto a ideia que os donos de estabelecimentos têm de que todo mundo tá afim de uma musiquinha enquanto faz qualquer coisa. E musiquinha alta para que todo mundo ouça como o artista é “bom”. Se tem gente que gosta? Claro que tem. E respeito. Mas me dou o direito de dar meia volta e ir para outro lugar, onde a musiquinha ambiente vai me deixar conversar ou ter um momento de tranquilidade.

Agora, num bar a história muda. Daí, pode soltar o som…

Aforismos desaforados sobre maus amigos

A todos os meus maus amigos, uma homenagem um tanto sincera. Aos meus bons amigos, divirtam-se com um pouco de Veneno.
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Feliz aquele que desfrutar de uma bela amizade. Mais feliz aquele que se livra de uma armadilha chamada falsidade.
*
Ao me encontrar na rua, finja que não me viu. Ao menos vamos ter uma distância digna.
*
Ao te encontrar na rua, fingirei que não lhe vi. Pois provavelmente não terei visto mesmo.
*
Desejo para você toda a sorte do mundo. Longe de mim, claro.
*
Não deseje nada para mim, por favor. Já me basta o melhor presente que me deu: sua ausência.
*
Acredito agora que você encontrou as amizades que merece. Desfrute-as.
*
Do que é seu nada tenho aqui. E do que é meu, pode ficar. Pode lhe ajudar um dia.
*
Quanto aos amigos em comum, eles estão muito bem, obrigado. Quando falam de você até sorrio. Faça o mesmo, é elegante.
A falsidade não faz parte de mim. Mas também não excluo essa possibilidade quando necessário.
*
Não, não falo mal de você. Falo apenas a verdade. Será que você consegue fazer o mesmo?
*
Sinto saudades de nossos papos. Mas minha paz vale muito mais.
*
Eu fui o último a sair. Já apaguei a luz e tranquei a porta. Agora é tarde.
*
E acima de tudo: estou melhor agora, obrigado.

Ziriguidum

(Carnaval de 1926…)

Eba! Chegou o Carnaval…

Acho que a única coisa que realmente vale a pena no carnaval é a arte e a alegria dos Sambódromos do Rio e de São Paulo. Apesar de over, as escolas de samba têm o seu trabalho de praticamente um ano inteiro exposto por uma hora e meia, para alegria de todos que participaram dessa luta.

Não, não. Cinco dias de descanso também valem a pena. Continue lendo

Devaneio sim, estou vivendo, tem gente que não devaneia e…


Keine Lust auf schlechte Laune [sem paciência para mal-humor] – Mannigruber.de

Às vezes a gente se exige demais, não é mesmo? Muitas vezes nos esquecemos que somos apenas seres humanos e brincamos de super-herói, porém isso não faz muito bem à saúde nem à sanidade mental. Digo isso por que cismei que sou o homem múltiplo, que posso estar em mil lugares ao mesmo tempo. E quando não consigo essa façanha (ou seja, sempre), me frustro, fico triste e mal-humorado.

Mal-humorado têm sido as palavras de ordem nesses últimos dias.

E quem me conhece sabe que de mal-humorado nada tenho. Sou às vezes até insuportável de tão otimista e bem humorado. Porém esses dias tenho fraquejado e meu humor oscila entre o felizinho e o carrancudo numa velocidade tremenda. Algumas coisas (e pessoas) ainda conseguem fazer com que o bom humor volte e me apazigüe. Entretanto, o mau-humor tá rondando meus pensamentos.

É horário de verão, é acordar “mais cedo”, compromissos mil, trabalho. Gente do trabalho que não tá ajudando muito, tá mais é atrapalhando. Trânsito caótico, tempo quente, abafado. As ruas de São Paulo mais parecem saunas a céu aberto, mais estufas do que ruas. Dentro de qualquer lugar está mais refrescante que fora e isso me incomoda muito. A ameaça de chuva que não chove logo também me irrita, pois carrego guarda-chuva, casaco e afins para não cair sequer uma gota. Ultimamente a única gota que caiu na minha cabeça foi um jato, explicado no post de 16.10.07 abaixo. E não foi agradável.

Cassete, tô parecendo um velho reclamão.

Inferno astral, é o que dizem. Reza a lenda que os dias que antecedem o próprio aniversário são provações para ver se você consegue chegar até ele ileso. Lenda besta essa, para que tudo isso? Vou virar turco, eles não comemoram aniversários, portanto não existe inferno astral. Simples assim…

Mau humor. Credo.

Por isso penso incansavelmente no fim de semana. Nos olhos verdes. No cochilo após o almoço, com afagos tão gostosos que me embrulham e enviam ao mundo dos sonhos sem escala. No jantar feito com tanto carinho por mim para que a boca tão gostosa de beijar se encha d’água antes de experimentar o tempero. No companheirismo nunca antes provado, no café na cama bem preparado, na cumplicidade e do amor doado.

Nossa… acho que não sei do que estou reclamando.

Sorte?

Há uma crença popular que diz que, ao nos depararmos ou esbarrarmos em algo ruim, algo bom vem logo atrás. Meio óbvio, pois afinal, o que vem depois de tudo estar pior só pode ser melhor. A não ser que você seja atropelado por uma trupe de beduínos e seus camelos amestrados, até uma chuva torrencial é boa quando se está na merda. E sobre isso que vou falar, relatando um fato acontecido hoje comigo.
Hora do almoço, a mais esperada do dia, que perde apenas para a hora da saída. Estômagos roncam como motores de carros no grid de largada. E lá vamos nós, eu acendo o cigarro e, nada melhor na hora do almoço que um bom bate-papo, muitas vezes regado a bastante maldade para com os colegas de trabalho ausentes. Subindo a Líbero Badaró, tudo tranqüilo. Na praça do Patriarca teço um comentário bastante maldoso sobre uma menina que acaba de entrar no escritório, uma “sem-noçãozissedela me fez desferir-lhe um golpe de ferinidade da minha língua que até então apenas tocava a ponta do cigarro. E o castigo veio a jato literalmente.

Ploft!

Sinto como se houvessem estourado um ovo na minha cabeça. Até então tinha apenas asco de pombas, mas depois dessa ter mirado direitinho no meio da minha cabeça careca, tomei um ódio fenomenal dessas ratazanas com asas. Que pomba da paz o caralho, a próxima tiver ao meu alcance eu esfolo viva.

Um jato de bosta de pombo na cabeça pouco antes de entrar no restaurante para comer é demais. Graças aos céus a Patrícia, sempre prevenida, trazia em sua bolsa um pacotinho de lenços. Eu já estava com planos de comprar um xampu, pois o de casa havia acabado. Foi mais um motivo para comprá-lo e usá-lo após o almoço, na pia do banheiro do escritório.

É, depois disso, na volta para casa, após passar muito calor, um jantarzinho esperto com vinho especialíssimo e amigos queridos deu um ânimo novo. Mas ainda sinto o estalar da bosta pombal em minha cabeça.

Amor de saquinho em imagens

Renato Paiutto, estilista, designar visual, performer e fervido da noite paulistana, leu aqui o post Amor de Saquinho (na verdade, a história é dele, o conceito é meu… rs) e resolveu fazer uma fotonovela consigo próprio em quatro partes, na qual conta a história do amor de saquinho. Ficou divertidíssimo.

Confiram no fotolog …e seu pó de giz de cera vermelho, começa no dia 27.08.07.

3 Rapidinhas


Rapidinhas que encontrei navegando por aí:

* Na China, elefante volta à floresta depois de se tratar por dependência química.*

Isso mesmo gente, elefante doidão. Para ser mais dócil, era alimentado com bananas cheias de bolinhas por tratadores ilegais. O homem não é apenas o lobo do homem, viu.

* Votação do Caso Renan será aberta, adiada para 4ª feira.*

No mínimo, não é mesmo? Já não basta o escândalo, o dinheiro debaixo do colchão e a mãe do filho do cara, ainda teríamos que agüentar sessão fechada? Se rolar pizza, ao menos vamos ver a cozinha. E teve um juiz que já avisou: vai absolver. Acredita?

*O Mundo sem Nós, de Alan Weisman, discute uma Terra sem o ser humano.

O cara mandou muito bem, diz a crítica. Imaginar não um mundo devastado, como vários filmes em que a devastação começa em Mannhattan (e a salvação também), mas um mundo absolutamente sem esse mal que somos nós. Quero ler pra ver como seria…

Em suma, pra quê o ser humano existe, hein?

Diálogo VI

Saída de faculdade, a fuzarca se instala no ar. Patricinhas e mauricinhos em suas vestimentas características, ostentando seus celulares para ligar aos pais-choferes, ou aos choferes em si, estudantes-trabalhadores que rumam aos pontos de ônibus e estações de metrô, catracas estralando, cadernos e livros, cervejas, os bichos-grilo, os nerds em seus óculos fundo de garrafa, as hordas de futuros engenheiros, advogados, professores, vendedores de cachorro-quente e afins que inundam a rua nessa hora. E os ônibus fretados, que levam e trazem pessoas a grandes distâncias e reúnem os tipos mais peculiares: os que dormem, os que falam demais, os que ouvem música no último volume, os que tentam ler, os que bebem, os que paqueram, sem, claro, abandonar o clima de harmonia e diversão.

- Ô cabeção, sai da frente que eu tô conversando com a gatinha.

- Quem? – e toma uma bolinha de papel na cabeça.

- Ai, gentê, quem jogou isso aqui no meu colo? – reclama a mini-executiva, secretária no seu tailleur, cursando psicologia.

- Olha a zona aê, caralho, deixa eu dormir – reclama o gordinho que acabara de comer um lanche e se preparava para cochilar, pois era quase o último a descer.

De repente, um cheiro estranho paira no ar. Sim, flatulências, vulgos peidos, começam a empestear o ônibus. As caretas começam a brotar, narizes se movem irritados, olhos lacrimejam.

- Porra, bomba de ovo isso hein?

- Catzo, ninguém merece. Foi você, gordô?

- Olha, vocês sabem que eu falo quando faço. Não vem não.

- Aaaaaaaai, gentê, vocês não têm educação, não?

O único a não se manifestar era Eufrásio. Menino do interior, mas não tão interior de São Paulo, não tinha muitos amigos, mas os pouco que tinha estavam ali. Ele tentava de qualquer forma esconder o fato, fingiu que não era com ele. Resolveram seguir o futum para encontrar o culpado e dar rosas pra ele comer. Claro, já havia virado gozação e festa aquela caça ao peidorreiro.

- Eufrásio!

- Eu?!? – disse o moço, assustadiço, se acusando.

- Pótaqueoparéu, hein Eufrásio. Que você comeu, rapá?

- Gente, nada… é que…

Eufrásio estava cheio de problemas. Sem emprego, dinheiro acabando, namoro terminado. Alguns diziam que foi pela falta de iniciativa dele. Outros que foi por excesso de flatulências no relacionamento.

- Olha – disse com olhos marejados – eu tô cheio de problemas, minha vida tá um caco, se eu não puder peidar na frente dos meus amigos, na frente de quem vou peidar?

Silêncio. Os amigos se olham. Sorriem amarelo. Cochicham por um minuto, enquanto Eufrásio limpa as lágrimas do seu óculos. Então:

- Ah, Eufrásio, pode peidar então. – disse o surfistinha.

- Nem estava tão fedido, viu… – disse o engenheiro.

- É, fedido estava, mas você é nosso amigo. – disse a secretária da psico.

- Valeu, hein Eufrásio. Dá próxima vez a gente faz uma competição…. – disse o gordinho.

- Não senhor! – disseram todos os outros, de uma vez só. E caíram na gargalhada.

Amor de saquinho

O ser humano chegou num grau de carência tão desmedido que mereceria ser estudado. Apesar do aprendizado de milhares de anos, parece que ainda não percebeu que o tempo é o fator mais importante de qualquer relação, seja ela familiar, profissional ou amorosa. Que não adianta colocar carros diante de bois ou qualquer clichê que se use para mostrar que cada coisa tem seu tempo. E o pior de tudo é que essa noção é uma das mais básicas na nossa vida, que não dá para ter cinco anos de idade hoje, quinze amanhã e vinte e cinco depois de amanhã: as idades vêm, como os amores, os familiares, os amigos, as experiências e descobertas.
Ouvi uma história hoje da qual eu ri no início e depois me deixou pensativo. Num bar com amigos, tomando cerveja, comemorando um aniversário, o assunto carência veio à tona. Rimos muito com maluquices das pessoas carentes, inclusive mencionei que tradutor é um bicho muito carente, pois costuma trabalhar solitário, em sua casa, e quando tem a oportunidade de contato com outro ser humano que não virtualmente quer aproveitar aquele momento ao máximo. E geralmente isso se dá em palestras, cursos e afins.

Mas uma história em especial me tocou, não me emocionou, mas me levou ao ponto de pensar e repensar como a questão carência nesses tempos cibernéticos e internéticos piora em larga escala e as pessoas ainda acreditam que estão em seu estado normal, que não precisam de ajuda. Um encontro, duas pessoas com mais de dezoito anos, vacinadas. Terceiro encontro, começa a surgir o que se pode chamar de relacionamento duradouro hoje em dia. Ainda se pisa em ovos no terceiro encontro, você está conhecendo a pessoa, apurando suas impressões preliminares, curtindo aquele momento com alguém diferente, desbravando um novo mundo. Inclua aí, em maior ou menor grau, frios na barriga, vontade de encontrar, até quiçá uma pontinha de esperança de um futuro juntos.

- Eu te amo – diz a outra parte.

Como assim? Que brincadeira é essa com o amor, o sentimento mais idolatrado e temido entre os seres humanos, quase um semi-deus de todos os tempos, palavra que não basta falar, tem que sentir. Elis cantou tanto “amor só é bom se doer” que todo mundo devia saber que “eu te amo” só passa a ser frase corriqueira do casal quando se há alguma certeza, a mínima que seja, senão deixa ser título de música do Chico Buarque (aliás, bela música).

- Peraí, você me assusta desse jeito.

Resposta mais óbvia não poderia ter. A não ser que você acredite piamente em amor de saquinho (explico já para quem não entendeu), não se deve dizer essas três palavras enquanto os sinos não soarem, enquanto você não enxergar borboletas amarelas abrindo caminho para a pessoa quando ela chega até você numa tarde morna ou seu peito quase explodir quando a pessoa lhe toca. E se você sentir isso tudo no terceiro encontro, sinto informar, é alucinação. O amor precisa de tempo para se instalar, é um senhorzinho velho e cansado numa estrada comprida com um trono na ponta e quando ele chega nesse trono ainda precisa de tempo para sentar-se, à maneira dos senhores velhinhos e cansados. E se não for assim é amor de saquinho, como chá de saquinho ou sopa, novidades modernas. Você coloca um pouco de água quente e pronto, lá está o amor, com toda sua exuberância, seu tempo de convivência, sua troca de energias e intimidades, seus pudores e despudores, sua libido com altos e baixos, as neuras de amor que sempre existem, o ciuminho temperado, as juras e todo o resto que tornam o amor algo realmente especial. Não instantâneo.

Paixão, esse deve ser o nome. Essa pode ser como nescafé, numa xícara com água fervendo. Pode durar um dia, uma semana. E pode virar amor. E aí sim, e somente assim, se aconselha a proferir as três palavrinhas. E quando fizer isso, saiba que é um caminho sem volta.

O desfecho da conexão…

Depois de falar de conexão discada, preciso contar o desfecho das minhas agruras.

Bem, paramos no momento em que eu ainda tinha problemas com a Telefônica. Resumo da ópera: não era nem modem, nem Telefônica. Era o provedor de banda larga. Simplesmente me esqueci dele, de avisar que eu aumentei minha capacidade virtual. Então eles nem “tchuns” pra me mandar o sinal novo, tudo travado nas quatro rodas por conta de um esquecimento.

Então agora estou um azougue na Internet, rapidinho, rapidinho. Tá dando gosto de navegar, navego agora em mares límpidos de dados e conexões.

Obrigado pela torcida, pessoal!

PS.: Esse post foi mais um pretexto pra avisar: tem novidade chegando na blogosfera. Aguardem…

Vocês lembram o que é conexão discada?

(O grito, Edward Munch, 1893)
Desespero. Profundo desespero. Na segunda feira, tranqüilamente cheguei a casa pronto para entrar na Internet. Havia desmarcado um compromisso, estava aliviado de rumar para meu querido lar, fui correndo para meu computadorzinho. E nada de conectar. Tentei de tudo, desde a ligação direta, sem roteador, no notebook, em todos os lugares. E nada. Que medo, que agrura passaria agora. Liguei para a central de meu serviço de banda larga e, depois de muito “vamos estar testando”, “vou estar entrando em contato” e “vamos estar tentando estar reestabelecendo a conexão para o senhor estar tentando estar conectando” (síncopes cardíacas), ontem me disseram que meu problema era meu modem, que lá estava tudo normal.

Ai, que saco. Bem num mês complicado para mim, no qual a questão financeira não foi tão boa quanto a esperada, me vem mais essa despesa. Tudo bem, tudo pela tecnologia e para não ficar na mão para tantas coisas que faço pela rede (conversar no MSN, Orkut, blog… risos). Então hoje, no MSN por aí com o Arturzinho lá da USP (meu herói), consegui um vendedor de modem: ele mesmo tinha um modem parado na casa dele, quase sem uso, então me vendeu num preço módico e vim pra casa correndo… quase correndo, antes passei na Cultura, pois estava feliz com o reestabelecimento da minha saúde virtual e comemorei comprando um livrinho (olha a situação financeira indo mais pro buraco). Ao chegar em casa, novamente tentei instalar de tudo quanto foi jeito essa p…, mas nada. Liguei novamente para a central do serviço de BL e “vamos estar testando”, “vamos estar entrando em contato com a central de atendimento avançado”, daí falei com duas pessoas ao mesmo tempo, uma conference call sobre meu problema. Todos esses gerúndios e esperas para descobrir que o problema está na central dos caras. Fiquei puto, igual o seu Lili da Terça Insana: prefiro ter um filho viado que ter um filho na Telefônica (ops… hehehe).

No fim das contas, cá estou eu na discadinha. Isso me lembra o tempo que era comum esperar até a meia-noite para conectar, pois a conexão tinha o custo de um pulso apenas, que eu controlava os acessos, de fim-de-semana era após as 14h que a conexão começava, e o cai-cai conexão era de praxe, todo mundo entendia, os downloads não passavam de 1 mega. Olha, nem dá pra ser saudosista, era uma merda.

Agora está até rápido, pois pouca gente se conecta por linha discada. Daí fica tudo livre, mas é como pegar a Castelo Branco, pagar pedágio e andar numa carroça. Não tem graça, né?

Bem, espero que logo reestabeleçam as conexões. Daí vou testar de o modem funciona, testarei novamente o meu modem antigo e talvez possa reaver a graninha dada ao Artur. Ou não, deixo esse modem de step, caso algo ocorra.

Câmbio, firme e forte aqui na discada, desligo.

Caos aéreo ou quadro de Dali?

De acordo com o Site da BBC/UOL, os jornais argentinos estão chamando a situação (ou caos) aérea brasileira de surrealista, perdendo para os absurdos da comédia pastelão Apertem os Cintos o Piloto Sumiu. Apesar do mal gosto das comparações, temos que dar o braço a torcer que nossa aviação passa por um inferno astral (sem trocadilhos) que parece mesmo coisa de cinema: o brasileiro reclama, a mídia arma seu circo habitual (com raras exceções idôneas), o governo sempre pisando em ovos, pois as informações não batem mesmo. De pseudo-aeronautas que não sabem o que é a caixa-preta ao presidente da TAM comparando sua perda financeira com a perda emocional das vítimas ou mesmo as declarações desencontradas dos comandantes da Infraero, dos Ministérios e afins. Apenas os comandantes, numa iluminação, boicotam o aeroporto de DiasdeCãogonhas, não pousam mais lá em dia de chuva, o que é uma mera questão de prevenção a novos desastres do vulto do 3054.

Não gosto de profetizar o caos nem apoiar teorias da conspiração, mas perceberam que todo esse auê aconteceu bem quando Renan está sendo investigado e há uma balbúrdia no Senado, mas cada vez mais abafadinha. Daí morre ACM, morre Neli, bate avião, caos aéreo toma conta dos noticiários… seria muito sórdido da minha parte… bem, deixa pra lá.

Como ilustração, escolhi um quadro de Dali que gosto muito, a Galetea de las Esferas. Vale!

TV Bus – É pra rir ou pra chorar?


Há muito tempo eu não dava risada de situações ridículas e nenhum programa humorístico até agora me fez rir tanto e em tão pouco tempo que o Domestic Move, programa especialmente desenvolvido pelo canal TV Bus, que abastece as telinhas instaladas nos ônibus de linha aqui em São Paulo.
Estava seguindo para a casa de uma amiga na Santa Cecília, vindo da Paulista, quando tomei o ônibus Princesa Isabel, que desce quase toda a avenida Angélica. Após conferir meu horóscopo na telinha, com aquelas musiquinhas místicas cheias de pililis e tchururus, eis que entra o Domestic Move: uma personal trainer bem sarada, um cenário todo feito com baldes empilhados simetricamente e uma vassoura transformaram minha viagem de ônibus numa grande diversão. A tal personal trainer, no seu colant azul, ensinava as donas de casa como se exercitar varrendo o chão de casa. Em passos de dança parecidos com algo de música baiana do tipo É o Tchan, ela animava a dona de casa, cansada por um dia todo de trabalho, exausta por ter que cuidar dos filhos quando chega em casa a se divertir e malhar durante suas tarefas do lar.
Sinceramente, ri pelo mau gosto do programa, um serviço que é interessante (pois traz entretenimento e um pouco de cultura a quem passa grande parte da vida dentro de um coletivo para ir e voltar do trabalho) transformado em comédia. Ao menos me rendeu boas risadas (e caras feias por parte de meus convivas de coletivo).