Tim Burton acertou de novo e não é à toa que o cara se tornou uma grife do cinema: Sweeney Todd faz jus a sua atual fama. Seguindo a linha timburtoniana, a trama se desenvolve entre ratos e esgotos, numa Londres tenebrosa e suja do século XIX, onde o olho por olho, dente por dente estava mais em voga do que as perucas e as carruagens. Apesar dessa clima, o barbeiro Benjamin Barker (Johny Deep, sempre) vive uma vida de sonho com sua linda esposa Lucy (Laura Michelle Kelly) e sua filhinha, Johanna (Jayne Wisener, quando adolescente). Porém, o sétimo mandamento é desrespeitado pelo Juiz Turpin (o ótimo Allan Rickman) e ele ordena que Barker seja preso para conquistar Lucy. Quinze anos depois, sob o nome falso Sweeney Todd, Barker volta a Londres para vingar-se de todos que tanto mal lhe fizeram. Para tanto, utiliza suas antigas ferramentas de trabalho, as navalhas. Com a ajuda da Sra. Lovett (Helena Bonham Carter, mais uma figurinha carimbada de Burton), dona de uma quase falida loja de tortas, ele começa a arquitetar e executar seu plano diabólico.
Confesso que não gosto de musicais, acho maçante aquele povo todo cantarolando para cada acontecimento, seja uma gota de chuva, seja um moinho rodando em vermelho. Porém, Burton fez um trabalho muito bom nesse musical macabro. A fotografia escura e deprimente, as pessoas com aspecto sujo, os histrionismos dos personagens, marcas registradas de Burton, couberam como uma luva para o estilo musical. Todos os atores cantam muito bem, os atores foram escolhidos a dedo para suas atuações e, apesar de um pouco cansativo (para mim, que não gosto de musicais), vale a pena pela obra do diretor.
PS.: Uma maldadezinha, se me permitem: Johny Deep está no melhor estilo Cruela (101 Dálmatas) com seu cabelinho de mecha branca.



Filmes passados em São Paulo são em geral bastante surpreendentes: de um lado podem ser muito bairristas e em outro bastante cosmopolitas. Os últimos que vi e que valem a pena são Nina (2004, direção de Heitor Dhalia) e sua estética pop-expressionista e o Signo da Cidade (2007, de Carlos Alberto Ricelli). Com roteiro original de Bruna Lombardi, o filme traz a história de Teca (Bruna Lombardi), astróloga que tem um programa de rádio. Entre seus consulentes, pessoas comuns que vivem na metrópole paulistana, com suas dores e seus anseios. A busca incessante pelo caminho certo, a tentativa de subir na vida ou de encontrar a alma gêmea são entremeados pelas palavras da bela radialista. Mônica (Graziella Moretto) rouba muitas vezes a cena, com seu jeito hilário e paulistano de ser, na pele da bem-de-vida-wannabe e assistente de Teca na rádio. 













