A primeira vez…

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Tenho que admitir o chavão: a primeira vez a gente nunca esquece. Foi no V Prática da Escrita, como eu já disse aqui, que tive minha estreia como palestrante. Ou mediador de bate-papo. Sei lá, sei que conversei bastante com o povo que compareceu, os poucos e bons que abdicaram de sua tarde de sábado para ouvir uma interminável (quase três horas) cantilena sobre tradução. Um assunto pelo qual (vocês já devem ter percebido) sou apaixonado e falo durante horas a fio sem nem ficar com a garganta seca. Foi bastante proveitoso para mim conversar com gente experiente, gente apenas interessada no assunto, gente que está começando seu caminho nas veredas tradutórias e gente que foi só mesmo para me ver, estar ali comigo, me acompanhar de perto, como em todos os momentos.

Por isso, este post serve para agradecer aos participantes, não apenas da minha oficina, mas das oficinas do Kizzy Ysatis, do Marcelo Maluf e do Bruno Cobbi que ajudaram a deixar nossa tarde de sábado mais feliz.

Finalmente! (ou “O reclamão”)

Favor não reclamar! Isso eu mesmo faço!!!

Vi meus últimos posts sobre tradução e cheguei a uma conclusão bem simples: nossa, como eu reclamo! Tudo bem que todas as reclamações foram justificadas e, pelo tom daquilo que escrevi, eu estava numa maré de azar danada. Pegando trabalhos que não compensaram a dor de cabeça de tanta pesquisa, mudança e correção de coisas que deviam chegar muito melhores nas mãos do preparador.

Por isso, FINALMENTE, eu venho aqui para dizer que hoje estou bem satisfeito. Além de ter na fila de traduções dois livros deliciosos, estou preparando um livro atualmente que merece palmas. Não posso dizer o nome do livro, mas não deixarei de falar o nome da tradutora que me deixou tão satisfeito e esperançoso: Claudia Abeling. Tradutora do alemão, seu texto é bastante fluido, consegue manter a poesia onde é necessário e seguir os caminhos que a autora do livro percorreu, sem deixar o livro com aquela… “cara de tradução”. Com certeza, o livro não foi tarefa tranquila, autora bastante experimental, com uma prosa ríspida, mas ao mesmo tempo poética, um mergulho profundo na alma humana e naquilo que é o pior que já se pode inventar: as ditaduras, políticas ou não. Assim que o livro for publicado, escrevo algo aqui sobre ele.

Por motivos óbvios, a gente dá nome apenas aos bois premiados. Aos incompetentes é melhor o anonimato. Pois quem pode, fica. Quem não pode, logo tomba. Assim espero…

O novo do Marcelino

Conheci Marcelino Freire numa oficina de escrita erótica do SESC e nunca esqueci de uma frase dele que tem norteado alguns dos meus textos (ligue o sotaque pernambucano antes de ler a frase):

Digue logo o que tu quer e vá simbora.

A concisão é a marca registrada do escritor e agitador cultural, pai da Balada Literária e um dos criadores do selo Edith, agora capitaneado pelo editor do selo Demônio Negro, Vanderley Mendonça, com quem tive o prazer de trabalhar. E de acordo com o próprio Vanderley, essa marca resiste:

Amor e morte. Começo e fim. Sexo e paixão. Eis as armas do novo livro de contos do escritor pernambucano MARCELINO FREIRE. Uma reunião de “pequenos romances”, como ele mesmo chama as 14 histórias do livro.

Na próxima quinta-feira, dia 14 de julho, haverá o lançamento de Amar é Crime, no Centro Cultural b_arco. Como sempre, regado a muito agito e literatura, o evento promete. Veja abaixo o convite (que no dia 13 acontecerá no Sarau da Cooperifa).

Vejo vocês lá.

Um filme, dois mundos

Em um mundo melhor (Haevnen, 2010 – Dinamarca/Suécia) é o tipo de filme que prega uma peça na gente por seu início atípico: a paisagem africana, um médico tratando doentes, mais uma história sobre as misérias e sofrimentos do continente negro. Porém, as misérias são outras. De um lado do mundo está Anton (Mikael Persbrandt), o médico, enfrentando as mais duras situações para dar um pouco de esperança a um povo num assentamento de refugiados africano. Na Dinamarca, sua terra natal, está sua mulher, Marianne (Trine Dyrholm), seus filhos e uma separação iminente. O mais velho, Elias (Markus Ryggard), sofre bully na escola de uma turma liderada por um menino mais velho. Quando Christian (William Johnk Nielsen), que acaba de perder sua mãe e vai morar com o pai e a avó na Dinamarca, chega na escola, une-se a Elias para vingar-se do seu perseguidor. Porém, Christian, abalado pela morte da mãe, desenvolve comportamentos cada vez mais violentos e envolve Elias, até então um garoto pacífico.

O título do filme em si traz uma alfinetada. Apesar da vontade que temos de melhorar o mundo, de sermos éticos e corretos, temos a nossa essência humana, atribulada. Numa cena do filme, há uma frase dita por Anton que parece um clichê, mas que resume o filme e nossas atitudes perante o mundo: "Ele bate em você, você revida. É assim que começam as guerras". E as pequenas guerras, essas que travamos em nosso dia a dia, que descambam em vinganças e revides, podem ter consequências muito mais graves. A diretora Susanne Bier trouxe, a partir do microcosmo daquela família em ruínas que tenta se reerguer, reflexões que espelham a situação mundial e do ser humano, tão imperfeito, tão em busca de rumo.

Ganhador do Oscar e do Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro em 2011.

Recomeço e continuidade

Preciso recomeçar este blogue. Mas também devo continuá-lo de alguma forma. Muitas coisas aconteceram nesses meses, tantas que mal pude me aproximar deste espaço tão querido. Mas aos poucos vou retomar uma escrita mais constante, como foram nos últimos anos. A necessidade de alguma maneira venceu, mas estou tentando entrar num acordo com ela: eu a satisfaço e ela deixa um tempinho livre para a escrita.
Quarta talvez não seja um dia fantástico para um recomeço. Mas as segundas são famosas por deixarem promessas evaporarem. Então fica assim: o meio da semana (como no alemão, Mittwoch) para que haja o meio termo, nem sumiço, nem três posts ao dia.
Desejem-me sorte, pois vontade eu tenho de sobra.

O vício

Estava conversando com uma amiga, também tradutora, e chegamos a uma conclusão assustadora: traduzir vicia.

Ambos temos uma experiência relativamente boa na área, ela mais do que eu, e começamos a comparar algumas situações do cotidiano tradutório e percebemos que são muito parecidas. Talvez pelo amor à profissão (algumas pessoas odeiam esse “amor à profissão”, mas podem ficar tranquilos, temos ciência de que amor não enche barriga e para nós traduzir é ganha-pão) ou pela falta do que fazer, sendo este último motivo meio bizarro, pois hoje há tanto o que fazer, vimos que quando começamos um serviço, ou seja, a tradução de um texto (seja ele qual for, por mais chato que seja) não conseguimos parar até esgotarmos nossas forças ou botarmos um ponto final do dito cujo.

Um exemplo que ela me deu:

“Estava em casa, deitadinha na minha cama com o laptop no colo, era meia-noite e no meu quarto há uma janela na direção da cama. Estava um dia frio e eu, quase congelada, pensei: preciso fechar a janela. Mas antes de fechar a janela abri um arquivo que deveria terminar no dia seguinte, só para ajustar umas coisas nele, deixar pronto para o trabalho do dia seguinte. Às 4 da manhã eu parei de traduzir o tal arquivo e ainda não havia fechado a janela.”

Não pode ser normal. Não podemos ser normais.

Eu também tenho essa mania. Muitas vezes tenho outras coisas para fazer, até mesmo descansar, pois o editor ou o cliente não estão no meu calcanhar babando e rosnando pelo prazo. E então eu sento à mesa, puxo o teclado e começo, inocentemente, a teclar. Uma frase. Duas. Três. E quando vejo já estou empolgado com o texto, resolvendo questões, pesquisando termos e anotando coisas. Muitas vezes piso no freio e digo: “pare, precisa descansar agora”. E com a cabeça grudado no texto vou rolar na minha cama até adormecer.

Será que um dia enjoaremos e apenas sentaremos na frente do computador com fins estritamente profissionais? Ou para quem traduz o vício do ofício é incurável?

Imagem: ROFL.to

Pelas ruas de Damasco

O segredo do calígrafoFoge a mulher do calígrafo. Há suspeitos de quem teria fugido com ela e também dos possíveis causadores dessa fuga, o que desperta a ira do artista das letras. Síria, anos 1950. Esse é o pano de fundo do delicioso livro O segredo do calígrafo (Ed. Estação Liberdade, trad. de Silvia Bittencourt), de Rafik Schami, que traz os aromas e sabores de Damasco do meio do século passado.

Hamid Farsi luta para fazer uma grande reforma na escrita árabe e por isso enfrenta muitas adversidades, o que afasta o calígrafo de Nura, sua bela mulher. Assim, ela se apaixona por um cristão e foge de casa, sem deixar vestígios. As histórias deste livro se cruzam e se entrelaçam como a caligrafia, em arabescos por vezes belos, em outras tristes ou engraçados, formando um painel bastante interessante de uma Damasco esquecida. Seu autor, damasceno nascido em 1946 e que vive na Alemanha desde 1971, traz para as páginas deste romance aquele contar de história à moda antiga oriental. Uma experiência dos sentidos, não apenas da visão.

Além disso, há diversas caligrafias no livro feitas pelo calígrafo sírio Ismat Amiralai.

Vale a pena.

Rumos novos, talvez…

Olá pessoas,

Apesar da sumida, não esqueci do blogue não. Uma correria danada nesses últimos dias me impediu de escrever, correria que levou a um esvaziamento da cabeça e da vontade de escrever. Apesar de ver que as visitas continuaram acontecendo em grande quantidade (obrigado a todos que visitaram nesses tempos de penúria textual), não consegui parar para fazer um texto decente.

Deixemos a choradeira de lado e vamos ao que interessa:

¬ As Conversas entre Tradutores por enquanto ficarão suspensas, fim de ano, todo mundo enlouquecido. Mas pretendo voltar com elas no próximo ano;

¬ Penso em algumas coisas divertidas para colocar aqui, que paulatinamente aparecerão. Dicas e sugestões são bem vindas, sempre;

¬ Sandra, do Paraná, não esqueci de você não. Nos falamos em breve;

¬ Hoje começa a Balada Literária, um dos grandes eventos de literatura de São Paulo, capitaneado por Marcelino Freire. A homenageada deste ano é Lygia Fagundes Telles que estará daqui 1h00 (às 11h00) na Livraria da Vila da Fradique Coutinho, sendo entrevistada por Nelson de Oliveira e Mona Dorf;

¬ Amanhã, 19.10, haverá Balada Literária no Goethe-Institut: lançamento do livro Parte da Solução (Ed. Estação Liberdade, trad. de Marcelo Backes)*, de Ulrich Pelzer, com presença do autor alemão que baterá um papo com Hugo Gurowitz, editor da revista Época. Estarei lá, com absoluta certeza. Apareçam!

¬ Hoje também é o lançamento do livro “Minha mãe se matou sem dizer adeus”, de Evandro Affonso Ferreira (Ed. Record), na Livraria Cultura – Editora Record, ali no Conjunto Nacional. Comento esse lançamento, pois o título me impressionou sobremaneira. Quero muito lê-lo;

¬ Faltam 8 páginas para eu terminar minha epopeia tradutória dos últimos três meses. E já tem outra engatilhada. Quando forem lançados, eu anuncio por aqui;

¬ E vamos que vamos.

Grande abraço e obrigado pela força, sempre.

* Participei como preparador/copidesque do livro Parte da Solução, um trabalho do qual me orgulho demais. Por isso merece comemoração. Uma cervejinha e um Prost, amanhã, no Goethe!

As facilidades

Há um fenômeno cada vez maior que se chama facilidade. Ela atrai o ser humano mais que perfume bom e boca-livre. Em todos os lugares, a facilidade domina as mentes e vem antes de qualquer esforço e eu, óbvio, não me furto das benesses do fenômeno. Porém há facilidades e facilidades. Aquelas que ajudam a gente e tudo bem e outras que em nosso benefício acabam prejudicando outros. É triste, mas essa facilidade está cada vez mais comum em todos os âmbitos.

Li um texto no blogue Tradutor Profissional que me fez pensar bastante sobre um serviço que tenho prestado cada vez mais: o de revisão e/ou preparação. Não digo que seja algo comum, mas acontece com certa frequência: a facilidade de haver um grande processo editorial após a tradução, ou seja, diversas revisões e leituras de uma tradução, faz com que muitos tradutores relaxem. Esse relaxamento (ou posso dizer relaxo) acaba por aumentar a dificuldade que terão esses leitores para limpar e burilar o texto primeiro e, não raro, o orçamento e o prazo estouram. Imaginem também quanto isso influencia no texto final, muitas vezes primoroso (de tanto que se trabalha para deixar o texto bom o suficiente), outras vezes um Frankstein todo troncho.

Temos inteira responsabilidade pelos textos com os quais trabalhamos. Ninguém é perfeito, uma leitura rápida neste texto aqui por um revisor provavelmente revelará problemas, não há como escapar. Mas é importante ter em mente que esse texto será lido. Independente por quem, esse texto será lido. E esse leitor, vamos combinar, merece todo nosso respeito.

Véus

Controvérsia. Se fôssemos resumir as teorias da tradução e suas diversas linhas e estudos, essa palavra seria uma das primeiras numa lista na qual cabem também idealismo e política. Tradução é um negócio mais sério do que parece e hoje mesmo disse a uma grande amiga que torço (de forma jocosa) para que o Google Translate cause um incidente diplomático hecatômbico. Mas não é disso que eu quero falar nesse post.

Quero falar da tradução como véu. Pois ao traduzir um texto, sem dúvida pousamos um véu sobre o texto fonte [ou original, como queiram], sendo véu o texto alvo [a tradução]. Por exemplo, num texto em francês, eu preciso desse véu bem colocado para que eu possa conviver com a obra, me relacionar com ela. Mas a tessitura desse véu varia uma barbaridade e isso faz com que a relação com a obra seja uma ou outra. E a controvérsia nas recentes teorias tradutórias tem a ver com a trama desse véu, pois muitas vezes ela pode ser bastante apertada e não deixa entrever o que está por trás dele, nos dão a sensação de que não nada por trás dele. Outras vezes a trama é frouxa e conseguimos ver perfeitamente o que está por trás e isso traz um estranhamento que é muito bem visto por diversos teóricos. Às vezes em favor, outras em detrimento do entendimento tranquilo de um texto.

Esse entrave é bastante discutido quando falamos de uma cultura que já é permeada pelo gosto estrangeiro (como a nossa), que não precisa de mais uma injeção cultural alheia à sua. Pelo prisma da cultura dominante (em especial a de língua inglesa) esse ato chamado de “estrangeirização” tem defensores ferozes, como Lawrence Venuti e Antoine Berman. O respeito ao original começa no âmbito do léxico e se estende aos aspectos culturais da obra, sendo mal vista a tradução que prima pela chamada “domesticação”. Nesse sentido, qualquer inclusão ou exclusão, mudança ou explicação dentro do texto alvo torna-se um aviltamento na visão dessa linha teórica. Preocupação bastante conveniente quando se fala do lado de “lá”.

Do lado de cá a coisa é um pouco diferente. Apesar do respeito à obra original, nossa cultura já recebe sem pedir (e isso não é uma crítica, muito pelo contrário) a influência de tantos idiomas e de tantas culturas que fica difícil dizer quando algo precisa mesmo ser explicado ou ampliado para que o leitor sinta o gosto do estrangeiro. Já sabemos, como cultura não hegemônica, que o estrangeiro está ao alcance das mãos, ainda mais em épocas internéticas. Seguir o que a obra pede, ao meu ver, sempre é o melhor caminho e, se extremamente necessário, deixar as coisas mais claras não desrespeita ninguém, muito pelo contrário, ajuda as pessoas a compreenderem melhor o que leem. Não estou falando de adaptação, simplificação ou de subestimar o público leitor, mas há coisas que para nós ainda são tão distantes (ainda mais com as traduções literárias para o português hoje em dia, vindas diretamente de idiomas dos mais diversos possíveis) que uma mãozinha de quem conhece não é de se recusar.

Momentinho de pausa

Após o feriadão, tiro uns dias de folga para reorganizar algumas coisas, descansar e me programar para o fim do ano. Uma das felicidades desta semana foi, finalmente, a visita do meu amigo-irmão Vitor, de BH, que passou uns três dias aqui por São Paulo. Também fiz alguns contatos para as próximas entrevistas que colocarei nas próximas semanas, espero que gostem.

Até a próxima semana a todos!

Literatura, escolhas e sociedade

Não há o que fazer: as editoras decidem o que vamos ler. Como em quase tudo, alguém decide o que vamos fazer, o que vamos comer e o que vamos vestir. E o que vamos ler não fica de fora nas imposições da vida, porém as coisas tendem a mudar de certa forma com o livro eletrônico, visto que ainda sai mais barato importar um Kindle a ter um e-reader nacional. Tendo um Kindle (ou outro leitor eletrônico gringo), as opções se ampliam para quem lê inglês e essas pessoas vão espalhar para outras (entre elas as que não leem em outra idioma) que acabaram há pouco um livro fantástico, mas que não tem tradução. E a cobrança por essa tradução surgirá e algumas editoras, tão acostumadas a impor suas compras nas grandes feiras internacionais, terão que correr atrás do prejuízo daquelas que têm um faro mais apurado ou bala na agulha para apostar em títulos nos quais outras não apostariam.

Talvez seja uma situação ideal. Mas isso aconteceu com diversos objetos cotidianos que precisaram se adaptar a uma realidade mais global (leia-se, norte-americana ou europeia). Tenho a esperança de que isso ocorra, em médio a longo prazo. Os leitores crescem e os atrativos de leitura para as novas gerações são muitos, de títulos da moda até os próprios e-readers, gadgets que serão sensações nos próximos Dias das Crianças, Natais e outras festividades comerciais. Que pai com condições vai se negar a oferecer aos seus filhos um meio divertido de obter cultura?

Porém, a situação da maioria ainda não é boa. O costume da leitura não é encorajado, apesar de tanta gente boa lutando para que a leitura se torne algo que se almeje de verdade (como projetos que levam autores a cidades do interior, rodas de leitura, eventos em bibliotecas, livrarias e afins). Por isso, se você chegou até aqui, já pensou em incentivar a leitura entre seus amigos, colegas de trabalho, parentes? Montar uma pequena biblioteca no escritório, contar para os irmãos com a empolgação de quem viu um filme de aventura que o livro tal é o máximo, dar a uma amiga aquele livro que tem a ver com ela. Essas pequenas sementes florescem com facilidade, basta regar e insistir. Pois a educação é um passo à frente para formarmos uma sociedade melhor.

Tempo, tempo, mano velho…

Tá difícil. O corre-corre tá me deixando descuidado com esse espacinho e não estou gostando do jeito que tá. Então, por um tempo, blogue estará um pouco claudicante, sem muita atividade. Pura falta de tempo (não de assunto). Prometo em breve voltar com tudo. Novas férias estão próximas, até lá postarei menos, mas me empenharei em fazer ainda as entrevistas semanais (o que também está difícil). Quem assina o RSS ou os avisos de post por e-mail, vai receber as novidades. Quem visita de vez em quando, não deixe de olhar, vou tentar voltar aqui e deixar um recado quando algo interessante aparecer. Conto com a compreensão de todos e agradeço as visitas. Sempre…

Conversas entre Tradutores “far away, so close”: Ana Iaria e outra Ana, a poeta

Um post de Anas:

Conhecida de muitos, Ana Iaria é uma figura entre os tradutores. Sempre muito animada, com humor e tiradas ótimas ela consegue dar o recado quando o assunto é tradução, tecnologia e qualidade. Há 12 anos na Inglaterra, Ana também é professora de tradução e tecnologias ligadas à tradução. Ela fala disso e mais um pouco na entrevista de hoje e o link está aqui.

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Essa semana está tudo numa correria doida, mas gostaria de avisar que a Ana Rüsche, querida poeta amiga, vai lançar livro novo no sábado, Nós que adoramos um documentário, pela Ourivesaria da Palavra. Dia 18 de setembro, das 16h00 às 18h00, na Casa das Rosas.

Conversas entre Tradutores com Val Ivonica

Acho que já comentei aqui que gosto muito de ver como pessoas de outras áreas, com formações diversas, entram no mundo da tradução e se tornam grandes profissionais. Hoje temos mais uma pessoa querida, que em pouco tempo me ajudou bastante, se não de forma direta, em bates papos ao vivo ou internéticos, por seus posts no seu site: a Val Ivonica. Química de formação, Val é craque em assuntos de tecnologia de tradução e afins e deu uma entrevista ótima para quem ainda tem medo das ferramentas de auxílio à tradução ou mantém o ceticismo quanto a elas. Aqui o link para a entrevista.

E tem muito mais, ali em cima. É só escolher um(a) tradutor(a), clicar e ver sua entrevista.

Palavras não conhecem limites

Surpreendente como o amor às palavras nos torna seres únicos e iguais. Somos únicos no jeito de nos expressarmos, mas não deixamos de ser iguais em momento algum. E quando vemos parecido ou vivemos parecido, isso geralmente está calcado na linguagem, no idioma que falamos. E Sergio Corrêa da Costa (1919-2005) foi um homem que se empenhou em mostrar como as palavras não conhecem limites. Palavras sem fronteiras (Record), livro do diplomata, historiador e membro da Academia Brasileira de Letras, primeiro lançado em francês e depois traduzido pelo próprio Sergio, nos mostra como diversas palavras até mesmo cotidianas podem perpassar as tramas que nós, tradutores, tanto nos esfalfamos para reconstituir. Diferente do que possa parecer, o livro não se presta ao eruditismo, mas apresenta-se como um trabalho árduo de pesquisa, inclusive com limitações impostas pelo próprio autor para que se pudesse lidar com tantos dados. Num trabalho de coleta estimado em 24 meses, Sergio verificou em diversos periódicos e documentos palavras de diversos idiomas que eram emprestadas a outros, na falta delas no léxico próprio ou pelo seu caráter mais abrangente. Além das 3 mil palavras e expressões em 16 mil exemplos de uso, há uma introdução para cada idioma ou grupo de idiomas afins que torna a leitura bastante agradável e instrutiva. Não apenas aos tradutores, recomendo a obra para todos aqueles que se interessam pela palavra, pois é uma obra de referência, consulta e também de entretenimento. Não deixem de conferir.

Nova entrevista, ma che!?!

Estou bastante feliz com as entrevistas que vão de vento em popa. Um tradutor comenta de outra tradutora que comenta de outro tradutor e assim se forma uma corrente de entrevistados ligados de alguma forma. Mudamos novamente de idioma e partimos para o italiano: Roseli Dornelles é nossa entrevistada de hoje. Muito simpática, imaginei respostas com sotaque paulistano e muitos gestos, como boa falante de italiano. Clique aqui para conferir a ótima entrevista com “Roselix”. Se ainda não viu as outras entrevista, clique em cima, em Conversas entre Tradutores.

Eco, Carrière e o futuro dos livros

Algumas vezes aqui no blogue comentei sobre o futuro dos livros, e-books e afins, numa tentativa de afirmar minha visão sobre a mudança vaticinada por muitos de que as edições em papel têm seus dias contados e darão lugar em breve a bits e bytes em telas de Kindles e iPads. Tenho minhas dúvidas sobre essa mudança e, mesmo que haja, o suporte não muda (ou não deveria mudar) o que o livro traz para cada um. Já escrevi sobre esse assunto aqui, aqui e menos aqui. Para minha felicidade e por indicação preciosa da querida Karla Lima, megulhei em _não contem com o fim do livro, do semiólogo e escritor Umberto Eco e do escritor, dramaturgo e roteirista Jean-Claude Carrière (Ed. Record, Trad. André Telles, link aqui), um bate-papo delicioso mediado pelo jornalista Jean-Philippe de Tonnac. Percorrendo milhares de anos da história do livro, os dois bibliófilos, colecionadores de livros antigos e raros (os incunábulos) nadam contra a maré digital e batem no peito quando dizem: o livro não vai acabar. Trazem inúmeros motivos para que o objeto livro continue a ser cultivado como tem sido até hoje e, diferente dos vinis e de outros objetos que voltam na onda vintage, o livro, como a roda, desempenha seu papel com perfeição há tempos e prova que não é substituível. Apesar de sua classificação de Ensaio/Teoria Literária, esse livro é recomendável a todos aqueles que amam o livro e a leitura e acreditam, como os autores, que essa paixão não é vã nesses tempos de fibras ópticas, conexões rápidas e telas eletrônicas. O sério Jean-Philippe Tonnac conduz bem a entrevista e os entrevistados, num descontraído bate-papo, mostram que não foram chamados para essa troca de ideias por acaso. Livro para ter e consultar, para anotar e rabiscar, deixar as marcas da leitura, pois é disso que trata: do livro como objeto pessoal e afetivo.

Entre os comentados no livro, fiquei bastante feliz em encontrar algumas vezes mencionado o nome de José Mindlin, brasileiro que nos últimos tempos representou essa paixão pelos livros com bastante força. Vale a pena.