Os e-books são um fenômeno, como temos visto nos jornais, e o setor livreiro vê com um misto de receio e entusiasmo esse boom nas compras dos livros. A comparação com a derrocada da indústria fonográfica é inevitável, porém precisa ser analisada de forma racional, ou seja, o que será do e-book em longo prazo.
Pensemos numa viagem de ônibus de oito horas de São Paulo a Belo Horizonte, sem maiores dificuldades e trânsito. De dia, por exemplo, saída da rodoviária do Tietê às 10h00 e chegada em BH às 18h00. São 480 minutos de viagem, contando as paradas de vinte minutos a meia hora cada. Se eu tiver um tocador de MP3, para ouvir 8 horas ininterruptas de música, levando em conta que cada canção em média tem 3,5 minutos, precisaríamos de 137,2 músicas no meu aparelhinho.
Suponhamos que eu resolva ler oito horas ininterruptas. Dificilmente conseguirei ler nas paradas, então retiremos 50 minutos do meu total, então seriam 7 horas e 10 minutos, ou 430 minutos de leitura. Suponha que você leia 1 página a cada 8 minutos de um livro relativamente simples, digamos, de 120 páginas. Você lerá em 8 horas 57,7 páginas, menos da metade desse livro. Mesmo se você tiver o costumo de ler a uma velocidade maior que essa, irá ler um livro em toda a viagem.
Então, para quê preciso levar minha biblioteca comigo onde eu estiver, 100, 200 ou mais livros? Simplesmente para dizer que tenho tantos livros? Ou seja, o consumismo inicial impulsionado pela propaganda ou pela facilidade de compra (na propaganda do Kindle, em 60 segundos você tem seu novo livro na maquininha) pode fazer com que as pessoas assumam os e-readers como as máquinas do futuro, causando um furor nesse início. Mas será que isso vai durar?
A única opinião que tinha era que não abandonaria tão cedo os livros de papel pelos livros eletrônicos, tanto pela minha paixão por eles como pela minha birra inicial com essa tecnologice (apesar de eu amar tecnologia e fazer uso dela sempre). Essa opinião mudou quando li e tomei conhecimento de alguns recursos dos e-readers e agora tenho para mim que eles são bons e serão cada vez melhores para um tipo específico de leitura: a técnico acadêmica. Digamos que você tenha um trabalho de fim de curso, uma pesquisa ou outro trabalho que exija um volume grande de leitura, anotações, observações e consultas não apenas nos livros, mas também na internet, em jornais e revistas. Num e-reader estará tudo no mesmo lugar, concentrado e, além disso, você poderá pesquisar o que quiser num piscar de olhos e não mais fazer um fichamento imenso para encontrar um trecho, uma informação específica. Não que seja ruim ler o livro todo, aliás é necessário, mas no momento da pesquisa é interessante você encontrar uma informação em páginas que já passaram, que virão, compará-las e nelas anotar, grifar etc. Aí o e-reader é útil e prático e mostra seu valor.
E quem disse que eu só olho o lado ruim das coisas?
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