Lançamento…

Agora é o meu que venho anunciar aqui.

Como comentei aqui e até abri um blog para tanto, vou lançar meu livro Réquiem: sonhos proibidos. Será no dia 23 de junho de 2012, das 17h30 às 21h30, no Espaço Terracota Editora (Rua Lins de Vasconcelos, 1886, Vila Mariana – mapa aqui; para marcar sua presença no Facebook, clique aqui). Vejam abaixo o texto da divulgação e, logo que o e-flyer ficar pronto, boto aqui pra todo mundo.

O que você faria se não pudesse mais sonhar?

“A química do Réquiem estava em sua corrente sanguínea, não havia com que se preocupar, pensou. Sua mãe dissera, não precisava temer. Rolou na cama algumas vezes, ligou o abajur para tentar ler um pouco na sua multitela, mas não conseguia se concentrar. Até que finalmente adormeceu. E teve um sonho.” (Trecho do livro)

O sonho proibido. A extrapolação da sociedade da informação. A necessidade de ter de volta a capacidade de ser livre de verdade. Em Réquiem: sonhos proibidos, Ivan é um homem normal, sem muitas aspirações na vida, até que recebe uma carta do Governo Mundial: todos seriam obrigados a ingerir uma droga inibidora do sonho. A partir deste momento, seu destino está traçado, mas as linhas não são claras.

Espero vocês todos lá, hein?

Abraço e logo divulgo o lançamento também em BH.

De fora, o mundo é assim

Há uns anos, conheci Adrienne Myrtes num lançamento do Luiz Brás, assim, de passagem. Depois a vi diversas vezes com Marcelino Freire, pernambucana como ele, com a vontade de literatura que hoje ainda move nossa Balada Literária de todos os anos. Mas não conhecia nenhum texto dela, até que chegou aos meus ouvidos o lançamento de seu primeiro romance, Eis o mundo de fora, pela Ateliê Editorial. Uma amostrinha no Facebook e pronto: fiquei com água na boca para saber mais, ver mais da prosa da moça.

Tenho que confessar que fiquei impressionado com o texto de Adrienne. Prosa vigorosa e delicada ao mesmo tempo, leve e profunda, uma mistura que é bem difícil de se encontrar por aí. Uma prosa sem a pretensão que se vê por essas bandas, sem o nariz empinado que muita gente mostra com uma literatura capenga. A literatura de Adrienne é aquela que gira em torno do nosso umbigo, perpassa nossa pele e poderia perfeitamente estar entre as nossas próprias histórias.

Irene e Luis, dois lados de uma miríade de sentimentos, conduzem a narrativa. Às vezes ele, por vezes ela, o dueto vai aos poucos formando a história dos dois, que pode ser uma história de amizade incondicional, amor de uma vida toda. E também do passo que falta para o cadafalso, ou o passo de dança em louvor à vida. A prosa-navalha mistura-se à prosa-carinho, num jogo de sonho e realidade, de âncora e vela desbragada que apenas uma escritora de pulso firme poderia conduzir. E assim se mostra Adrienne, uma contista que descobriu o fôlego do romance com essas duas personagens tão diferentes, mas tão intrincadas que dificilmente verei novamente Irene e Luis separados. Seja pela avó de Irene, seja pela tentativa (quase hilária) de suicídio de Luis.

E pensar que era de Irene que Adrienne queria falar. Acabou falando de mim, de você, do mundo real.

Pobre autora, lindamente enganada por sua própria literatura. Vale a pena, de verdade.

Primeiro post do ano: uma leitura (e que leitura)

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Acompanhei meio de longe o nascimento de Minha vida de brinquedo (Edição da Autora), da grande escritora e amiga Karla Lima. Digo grande escritora, pois há muito conheço essa moça de cabelos cacheadinhos e língua presa, com sua sinceridade deliciosamente cortante, com sua crítica sempre certeira e sua mão firme para a palavra certa. Mas devo confessar que Minha vida de brinquedo foi uma surpresa. Esperava muito, veio muito mais.
Como a própria Karla, não é uma história cheia de firulas. Um livro sobre a velhice, contada por uma narradora inusitada: a voz de uma menina que invade as páginas do livro consegue atenuar a realidade inevitável para a maioria de nós: o declínio físico, a fraqueza mental e todo o ônus que a idade (e muita idade) traz consigo. A partir do sonho de uma senhorinha alemã que nos deixa na primeira frase do livro é criado um instituto para acolhimento de idosos (asilo? Não gosto dessa palavra…) que tem como principal bandeira o bem-estar total de seus internos. Nele, conhecemos diversas figuras, tristes ou divertidas, que no fim das contas somos nós daqui 15, 20, 30 anos… e, por mais assustadora que seja essa realidade, mergulhar com as personagens de Karla no mundo do ILPES traz lições (sem moralismo) e imagens (sem exageros) que ficam marcados na memória. Não para sempre, pois a cabeça um dia vai falhar…
Vale muito a pena!

Para quem quiser livro, entre em contato com a autora no e-mail karla3001@yahoo.com. Você não vai se arrepender…
No Skoob, para quem quiser saber mais: Minha vida de brinquedo

Post atualizado – A volta e o tcheco

Atualização do post de 20 de novembro: 

Se na metade do livro eu já indicava A guerra das salamandras, agora eu posso dizer que é leitura obrigatória. É impressionante como Čapek monta, com muita graça, a história que se repete ad infinitum aqui em terra firme. A questão da guerra, do autoritarismo e de todos esses males que atingem os humanos foram minuciosamente pensados pelo autor, tanto que é possível enxergar a humanidade e seus muitos desesperos: por conseguir salamandras, por educar as salamandras e por fim…

Se lerem (e quando lerem) comentem por aqui. Gostaria de saber da opinião de vocês também.

Boa leitura…

***

Post original de 20.11.2011

Voltei. Mas isso é o de menos. Vamos ao que interessa.

Há quase um ano, escrevi aqui sobre um cara chamado Karel Čapek (leia aqui). Na época, comentei sobre A fábrica de robôs (Ed. Hedra, tradução de Vera Machac) e que havia ficado bastante impressionado com as ideias dele sobre o homem, suas capacidades e as adversidades que podem surgir a partir das aptidões humanas. Outro livro que foi publicado aqui dele é Histórias apócrifas (Ed. 34, tradução de Aleksandar Jovanović), que já está na minha lista de compras. Mas, antes dele, botei na fila de leitura A guerra das salamandras (Ed. Record, tradução de Luis Carlos Cabral).

E o que me surpreende nessa história toda? Čapek ainda é um ilustre desconhecido aqui nessas paragens.

Estou no meio de A guerra das salamandras e não costumo emitir opiniões sobre um livro antes do derradeiro ponto final. Porém, a leitura desse livro está sendo tão prazerosa que decidi falar dele já, mesmo sem saber o que vem por aí. A começar pela tradução que está muito boa. Não, eu não tenho a menor noção de tcheco, mas o que tenho aqui é um livro muito bem escrito e isso me leva a crer que a tradução esteja excelente. Vi uma resenha por aí dizendo que está realmente boa e não tenho motivo algum para desacreditar.

O livro traz a história de estranhas salamandras gigantes que um certo capitão Van Toch descobre em mares distantes. Transformadas num negócios bastante lucrativo, as salamandras começam a procriar de tal forma que, mesmo sem ter lido até o fim, já prevejo uma superpopulação que originará a tal guerra que o título já entrega. Porém, isso é o de menos também, pois o que importa são as reações humanas frente àquilo de que os próprios homens são capazes. Como em A fábrica de robôs, a ganância desenfreada e a falta de tato do ser humano faz com que ele se enrosque. Entre a ingenuidade e a avidez pelo lucro, a ilusão e o sonho convertido em cifras e poder, temos no livro escrito em 1936 a antecipação do totalitarismo que tomaria de assalto a Europa poucos anos depois. Sorte ou azar, Čapek faleceu em 1938 e não testemunhou grande parte de seus escritos se tornar realidade a partir de 1939.

É provável que eu faça um acréscimo a esse post quando terminar a leitura, mas já fica a dica: A guerra das salamandras, de Karel Čapek, vale a pena!

A confusão e a mistureba

Chover no molhado é dizer que vivemos num mundo de informação. A Idade Mídia (termo que ouvi pela primeira vez com Gabriel Perissé) instalou-se e não vai embora tão cedo. Na Internê podemos encontrar de tudo e mais um pouco, numa profusão de coisas úteis e inúteis. Está tudo lá, é só aproveitar ou não. Não há mais aquela história de "não sei, não quero saber", apenas para quem se nega mesmo entrar no ritmo insano que nos empapuça de tanto material.

Então, ainda há lugar para informações mais ou menos úteis?

Sempre há, pois o cérebro é como um disco rígido praticamente sem limites. Organizar essa bagunça toda é uma outra história. Acredito que, pensando nessas informações quase úteis, a editora Intrínseca lançou em 2005 (redescobri o livrinho hoje) A miscelânea original de Schott, de Ben Schott (tradução e adaptação de Claudio Figueiredo). Para se ter uma ideia, a orelha do livro explica um pouco do que se trata a tal miscelânea:

Que outro livro pode se vangloriar de ter um índice do qual constam comprimentos de cadarço de sapatos, as mortes prematuras de astros pop e os sete pecados capitais [...]. Onde mais, a não ser em A Miscelânea Original de Schott, você conseguiria esbarrar no gato de John Lennon, no fornecedor de gaitas-de-foles da rainha da Inglaterra, nos doze trabalhos de Hércules e nos métodos brutais de assassinato encontrados por Miss Marple, a heroína das histórias de Agatha Crhistie?

Inclusive, por acaso, abri na página 46 e descobri qual o santo padroreiro dos internautas: são Isidoro de Sevilha. Então, oremos para ele que nossa conexão não caia no meio do post.

Para quem quer se divertir e se deparar com algumas coisas absurdas, outras bem úteis (hello, tradutores), A miscelânea original de Schott é uma boa pedida.

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Mãe é mãe

Já falei de outro livro de Bernardo Carvalho aqui (O sol se põe em São Paulo), numa resenha muito breve. Foi o primeiro livro que li dele, gostei muito. Mas não se compara ao que encontrei em O filho da mãe, da coleção Amores Expressos (Cia. das Letras), lançado faz um tempo e que ficou na fila esperando leitura. Se eu soubesse, teria furado a fila e começado por este livrinho enorme. Enorme porque Carvalho, com sua ficção vigorosa e enxuta, trata de dois temas universais: mãe e guerra. Seja na Rússia ou em qualquer lugar onde o texto nos leve, não há como não se envolver com as personagens do autor, construídas com muito detalhe, até mesmo aquelas que se prestam a coadjuvantes da trama. São diversas histórias que se encontram nos erros e acertos, no desespero e na luta pela sobrevivência das mães que perdem seus filhos na guerra e, novamente, poderia ser na guerra do Golfo ou numa guerra de tráfico. Pois o sentimento dessas mães é único e ao mesmo tempo compartilhado por toda. Apenas elas poderiam descrevê-lo, mas Carvalho conseguiu dar ao menos um vislumbre do que são essas agruras maternas.

Mas o que marca mesmo o romance é o estranhamento.

Não pela paisagem de São Petersburgo ou por outras que são descritas no livro, mas pelo desajuste das personagens. São pessoas que não se encaixam em sua vida, deslocadas daquilo que elas percebem como ideal, enfrentando as dificuldades de desempenhar um papel que não lhes cabe. São filhos desencaminhados, pais ausentes, famílias fragmentadas que buscam entrar nos eixos, vivências partilhadas e repartidas, tudo isso numa paisagem confusa de um país em eterna reconstrução. Vale a pena.

Ruído de todas as cores

Eis que me vejo com o livro Muitas Peles, de Luiz Bras (Terracota Editora), nas mãos e me pergunto: não ficção? Depois do pós-cyberpunk quintessencial Paraíso Líquido e as outras incursões pelo universo infantojuvenil com Tereza Yamashita, Luiz Bras reúne as melhores crônicas e ensaios escritos para o jornal Rascunho, na seção Ruído Branco, e lança esse tomilho (um pequeno tomo) que é umlivrão. Com uma lupa sobre a literatura contemporânea, em especial a brasileira, Luiz atravessa diversos campos minados com seus textos, desde a crítica (que nada mais é do que política) à ainda pouca visibilidade da FC brasileira, passando pela literatura infantil, por afinidades eletivas,  e outros poréns e contudos que dão o que pensar. Por exemplo, em Morte e Imortalidade (um dos meus textos preferidos no livro), ele discute a compreensão da finitude a partir de experiências pessoais e de outros autores. Em O autor e seu editor, divide com o leitor as agruras pelas quais passam e os choques que mutuamente se dão editores e autores. Em Cinco erros, Luiz bate um papo com nomes importantes da ficção científica nacional, indicando os erros comuns de autores, leitores e crítica quando se trata da produção de literatura de gênero.

Um livrinho que surpreende. Inclusive surpreendeu ao autor, que não esperava uma resposta tão boa do público. Vale a pena.

Os meninos da Serra Morena

Os Malaquias (Editora Língua Geral), da querida Andréa del Fuego, me pegou de primeira. Com raios e trovões retumbando entre as páginas, as primeiras cenas são impressionantes. A história dos irmãos Malaquias, a cisão familiar e o destino dessas figuras são os temas claros entre os muitos que se fundem e confundem dentro da narrativa-miríade de Andréa.

Sou suspeito para falar do romance, não por conhecer a Andréa, mas por gostar muito de histórias nas quais o protagonista é aparentemente um, mas na verdade se dissolve nos entes de uma família. Os Budenbroooks e Cem Anos de Solidão são livros que li com paixão e arrebatamento, romances sobre a transformação de famílias singulares. Com a mesma paixão mergulhei em Os Malaquias, sabendo de antemão que uma família estaria envolvida. E não me arrependi.

A história dos Malaquias tem outra personagem forte: a Serra Morena. Como o nome de tantas outras personagens do romance, este que parece simples dá uma força exuberante à serra, traz a mente coxas bronzeadas, ombros expostos, seduções de recônditos de paisagens e de corpos que pelejam naquelas paragens. Entre fantasmas passados, amores partilhados, cafezais e navios reluzentes, Os Malaquias é uma viagem da qual se volta diferente. Vale a pena.

Pinóquios modernos

Acabei de ler, não sem grande espanto, o drama quase profético em três atos do escritor Karel Tchápek (em tcheco, Karel Čapek) chamado A fábrica de robôs (Ed. Hedra, trad. do tcheco de Vera Machac). A história da peça não é novidade para nós, seres pós-modernos que já vimos inúmeras revoluções hollywoodianas acontecerem diantes dos nossos olhos: no mundo distópico criado por Tchápek, o doutor Rossum consegue criar um ser muito semelhante ao homem, porém desprovido de sentimentos, criatividades e sensações, o qual ele dá o nome de robô (que em tcheco significaria algo como servidão, trabalho forçado), palavra utilizada pela primeiríssima vez nessa obra e depois incorporada por praticamente todos os idiomas. A produção desenfreada de robôs para livrar o homem do trabalho braçal e mecânico leva a uma crise que seria o vislumbre do ocaso da humanidade. Se ainda há esperança, não serão os humanos que poderão responder?

Contudo não foi a história bem contada nos três atos, que também explora o machismo, as relações humanas deturpadas por interesses e a ganância do homem por fama, posição social e bens materiais, mas sim o fato de ela ter sido escrita em 1920, pouco depois da Primeira Grande Guerra. A visão de Tchápek sobre a sociedade de consumo que já florescia, muito provavelmente, foi encarada com certo desdém pelo grande público, contudo incomodou não apenas os circulos sociais da época, mas também os nazistas. Uma pequena biografia e um texto sobre a importância de sua obra para a literatura do século XX é bem explicada num ensaio do tradutor de línguas do Centro-Leste Europeu e professor universitário Aleksandar Jovanović.

Vale a pena!

 

Pelas ruas de Damasco

O segredo do calígrafoFoge a mulher do calígrafo. Há suspeitos de quem teria fugido com ela e também dos possíveis causadores dessa fuga, o que desperta a ira do artista das letras. Síria, anos 1950. Esse é o pano de fundo do delicioso livro O segredo do calígrafo (Ed. Estação Liberdade, trad. de Silvia Bittencourt), de Rafik Schami, que traz os aromas e sabores de Damasco do meio do século passado.

Hamid Farsi luta para fazer uma grande reforma na escrita árabe e por isso enfrenta muitas adversidades, o que afasta o calígrafo de Nura, sua bela mulher. Assim, ela se apaixona por um cristão e foge de casa, sem deixar vestígios. As histórias deste livro se cruzam e se entrelaçam como a caligrafia, em arabescos por vezes belos, em outras tristes ou engraçados, formando um painel bastante interessante de uma Damasco esquecida. Seu autor, damasceno nascido em 1946 e que vive na Alemanha desde 1971, traz para as páginas deste romance aquele contar de história à moda antiga oriental. Uma experiência dos sentidos, não apenas da visão.

Além disso, há diversas caligrafias no livro feitas pelo calígrafo sírio Ismat Amiralai.

Vale a pena.

Bolaño e seus tradutores

Lograr que la música de un libro suene igual en el original y en su traducción es como trasladar el líquido de un recipiente a otro con cucharitas de café. El tapete siempre acaba mojado.*

Assim começa o artigo que o Lucas, do blogue bolañesco Estrela Selvagem, mandou para mim ontem sobre as dificuldades da tradução de Roberto Bolaño, escritor chileno que conseguiu grande reconhecimento nos últim0s anos, em especial depois que sua obra foi traduzida para o inglês. Em seguida vieram traduções para outros idiomas, como mostra a matéria de Daniel Verdú, do El País (leia a entrevista aqui, em espanhol). O artigo retrata as dificuldades diárias pelas quais passam os tradutores, que precisam lidar não apenas com um outro idioma, mas com toda uma cultura, muitas vezes bastante diversa daquela para a qual se traduz. É um grande jogo de perdas e ganhos, no qual o tradutor é responsável pelas suas escolhas. O tradutor é leitor e não está acima do bem e do mal: o texto acaba passando por uma malha de vivências, opiniões, conceitos (e preconceitos) que inevitavelmente se refletem na tradução.

Lembro de uma colega que, por ser uma espécie de sumidade no assunto do qual traduzia, brigava com o texto à exaustão, dizendo: “Esse cara não sabe o que tá falando, tá pirado” e desfiava um rosário de impropérios que acabava sobrando para o revisor (eu, no caso) e para todos os envolvidos. Apesar da competência elevadíssima, por vezes sua opinião pessoal influía diretamente no resultado do seu trabalho. Graças aos deuses, na maioria das vezes melhorava o texto de chegada e o cliente ficava satisfeitíssimo.

E não há como escapar, mas temos que lutar com nossas armas e tentar chegar à melhor solução, à melhor saída para que nosso leitor (seja ele um advogado com seu contrato ou o aficcionado pelo autor que você traduziu) fique satisfeito. Sem entrar nos meandros da visibilidade ou não do tradutor, nossa primeira tarefa (e talvez na qual muitos de nós pensamos em desistir, lembrando a Aufgabe de Benjamin) é deixar nosso leitor confortável. Difícil? Mas quem disse que a vida é fácil?

A indissolúvel mentira

Algumas pessoas me falavam de Alberto Manguel, conhecido escritor e editor argentino por diversas obras sobre a literatura (como “Uma história da leitura“). Seu nome surge agora num romance, Todos os homens são mentirosos (Cia. das Letras, trad. de Josely Vianna Baptista), não apenas como escritor, mas como a personagem do primeiro dos cinco depoimentos acerca da morte do (fictício) escritor Alejandro Bevilacqua, que no romance de Manguel alcança fama pelo livro Elogio de la mentira e morre na sucessão do lançamento. O primeiro depoimento é do homônimo Alberto Manguel, em seguida da namorada de Bevilacqua, Andrea. Em seguida lê-se uma carta do misterioso Chancho e o relato de Tito Gorostiza que, como Manguel e Bevilacqua, também é um argentino exilado em Madri. Por fim, o próprio jornalista que colhe esses depoimentos, Jean-Luc Terradillos, dá sua versão (ou antiversão) dos fatos.

Nessas conversas com Terradillos, cada um pinta Bevilacqua à sua maneira e as cores variam entre o cinza esmaecido ao vermelho vivo, passando pelo amarelo covardia e outras tantas que fica difícil saber quem é quem nesse intrincado jogo cheio de camadas duvidosas. Entre a objetividade de Andrea e a má vontade de Manguel, passando pela crueldade de Chancho e os delírios de Gorostiza, o leitor pode montar seu próprio Bevilacqua, mas com a prévia certeza de que a mentira está por trás de cada esquina madrilenha.

Fragmentado, o romance retrata a realidade dos intelectuais latino-americanos que, espantados pelas ditaduras que assolavam o continente, aterrissavam na Europa em busca de uma nova vida, de um novo sentido para sua arte. A lembrança inevitável (inclusive, mencionada) do Bartleby de Vila-Matas e sua discussão sobre os livros nunca escritos e da força que eles têm nas entrelinhas da literatura. Vale a pena.

Literatura, escolhas e sociedade

Não há o que fazer: as editoras decidem o que vamos ler. Como em quase tudo, alguém decide o que vamos fazer, o que vamos comer e o que vamos vestir. E o que vamos ler não fica de fora nas imposições da vida, porém as coisas tendem a mudar de certa forma com o livro eletrônico, visto que ainda sai mais barato importar um Kindle a ter um e-reader nacional. Tendo um Kindle (ou outro leitor eletrônico gringo), as opções se ampliam para quem lê inglês e essas pessoas vão espalhar para outras (entre elas as que não leem em outra idioma) que acabaram há pouco um livro fantástico, mas que não tem tradução. E a cobrança por essa tradução surgirá e algumas editoras, tão acostumadas a impor suas compras nas grandes feiras internacionais, terão que correr atrás do prejuízo daquelas que têm um faro mais apurado ou bala na agulha para apostar em títulos nos quais outras não apostariam.

Talvez seja uma situação ideal. Mas isso aconteceu com diversos objetos cotidianos que precisaram se adaptar a uma realidade mais global (leia-se, norte-americana ou europeia). Tenho a esperança de que isso ocorra, em médio a longo prazo. Os leitores crescem e os atrativos de leitura para as novas gerações são muitos, de títulos da moda até os próprios e-readers, gadgets que serão sensações nos próximos Dias das Crianças, Natais e outras festividades comerciais. Que pai com condições vai se negar a oferecer aos seus filhos um meio divertido de obter cultura?

Porém, a situação da maioria ainda não é boa. O costume da leitura não é encorajado, apesar de tanta gente boa lutando para que a leitura se torne algo que se almeje de verdade (como projetos que levam autores a cidades do interior, rodas de leitura, eventos em bibliotecas, livrarias e afins). Por isso, se você chegou até aqui, já pensou em incentivar a leitura entre seus amigos, colegas de trabalho, parentes? Montar uma pequena biblioteca no escritório, contar para os irmãos com a empolgação de quem viu um filme de aventura que o livro tal é o máximo, dar a uma amiga aquele livro que tem a ver com ela. Essas pequenas sementes florescem com facilidade, basta regar e insistir. Pois a educação é um passo à frente para formarmos uma sociedade melhor.

Par perfeito: literatura e tradução

Acho, também, que fui ajudado pelo fato de ter estudado línguas estrangeiras desde muito cedo e de ter sido desde cedo fascinado pela tradução. Se não fosse escritor, seria tradutor. Aliás, fui e ainda sou; às vezes, traduzo para a Unesco.

A tradução me fascina como trabalho paraliterário ou literário de segundo grau. Quando uma pessoa traduz, quer dize,r quando não é responsável pelo conteúdo original, seu problema não são as ideias do autor – ele já as colocou ali. O que essa pessoa tem que  fazer é traduzi-las, e então os valores formais e os valores rítmicos que estão latentes no original passam a ocupar um primeiro plano. Sua responsabilidade é traduzi-los, com as diferenças que existam, de um idioma para o outro. É um exercício extraordinário do ponto de vista rítimico.

Se eu fosse uma pessoa de dar conselhos, diria a um jovem escritor que tenha dificuldades de escrever para deixar de escrever por um tempo por conta própria e passar a traduzir a boa literatura; um dia ele se dará conta de que está escrevendo com uma fluidez que não tinha antes.

(Conversas com Cortázar, de Ernesto Gonzáles Bermejo, tradução de Luís Carlos Cabral, Jorge Zahar Editor.)

Acredito que estou no caminho certo…

A pedra premiada

Há tempos não falo de literatura em si, de livros, pois as leituras têm sido ou profissionais (ou seja, ainda vão ser lançadas) ou técnicas. Porém, tive um tempinho e encaixei nas minhas leituras Syngué sabour – Pedra-de-paciência (Estação Liberdade, trad. de Flávia Nascimento), do autor franco-afegão Atiq Rahimi. Nessa novela poética, concisa e certeira, numa mistura de contos antigos e dias modernos, o autor presta homenagem à poeta afegã Nadia Anjuman, espancada até a morte pelo marido com conivência da mãe, pela acusação de ela ser liberal demais. Aqui, Rahimi traz um Afeganistão atingido pelas contendas entre facções inimigas, destruído e abandonado. O choro às vezes contido e outras desbragado de uma mulher afegã permeia as páginas, o lamento pelo marido inerte, entre a vida e a morte. As revelações, dores e angústias dessa mulher são contadas ao marido que vive apenas pelo esforço dela, entre cuidados e perfusões de soro que gota a gota trazem alento de que um dia ele vá levantar. A pedra-de-paciência, o objeto mágico que acolhe tristes confidências e que, quando receber tristezas demais, explodirá numa “erupção apocalíptica”. Ela transforma seu marido nesse objeto mágico, confessionário particular, e apresenta sem pudores a intimidade do casal e sua vida. A poesia muitas vezes desaparece em meio aos golpes da realidade machista e do fundamentalismo religioso, porém ressurge com bravura nos interstícios da lembrança daquela sofredora. Ao mesmo tempo duro como a realidade afegã e poético como as lendas do povo do oriente, Syngué sabour – Pedra-de-paciência recebeu em 2008 o Prêmio Goncourt 2008, um dos maiores prêmios literários da França. Vale a pena.

Vale a pena ter um e-reader?

Os e-books são um fenômeno, como temos visto nos jornais, e o setor livreiro vê com um misto de receio e entusiasmo esse boom nas compras dos livros. A comparação com a derrocada da indústria fonográfica é inevitável, porém precisa ser analisada de forma racional, ou seja, o que será do e-book em longo prazo.

Pensemos numa viagem de ônibus de oito horas de São Paulo a Belo Horizonte, sem maiores dificuldades e trânsito. De dia, por exemplo, saída da rodoviária do Tietê às 10h00 e chegada em BH às 18h00. São 480 minutos de viagem, contando as paradas de vinte minutos a meia hora cada. Se eu tiver um tocador de MP3, para ouvir 8 horas ininterruptas de música, levando em conta que cada canção em média tem 3,5 minutos, precisaríamos de 137,2 músicas no meu aparelhinho.

Suponhamos que eu resolva ler oito horas ininterruptas. Dificilmente conseguirei ler nas paradas, então retiremos 50 minutos do meu total, então seriam 7 horas e 10 minutos, ou 430 minutos de leitura. Suponha que você leia 1 página a cada 8 minutos de um livro relativamente simples, digamos, de 120 páginas. Você lerá em 8 horas 57,7 páginas, menos da metade desse livro. Mesmo se você tiver o costumo de ler a uma velocidade maior que essa, irá ler um livro em toda a viagem.

Então, para quê preciso levar minha biblioteca comigo onde eu estiver, 100, 200 ou mais livros? Simplesmente para dizer que tenho tantos livros? Ou seja, o consumismo inicial impulsionado pela propaganda ou pela facilidade de compra (na propaganda do Kindle, em 60 segundos você tem seu novo livro na maquininha) pode fazer com que as pessoas assumam os e-readers como as máquinas do futuro, causando um furor nesse início. Mas será que isso vai durar?

A única opinião que tinha era que não abandonaria tão cedo os livros de papel pelos livros eletrônicos, tanto pela minha paixão por eles como pela minha birra inicial com essa tecnologice (apesar de eu amar tecnologia e fazer uso dela sempre).  Essa opinião mudou quando li e tomei conhecimento de alguns recursos dos e-readers e agora tenho para mim que eles são bons e serão cada vez melhores para um tipo específico de leitura: a técnico acadêmica. Digamos que você tenha um trabalho de fim de curso, uma pesquisa ou outro trabalho que exija um volume grande de leitura, anotações, observações e consultas não apenas nos livros, mas também na internet, em jornais e revistas. Num e-reader estará tudo no mesmo lugar, concentrado e, além disso, você poderá pesquisar o que quiser num piscar de olhos e não mais fazer um fichamento imenso para encontrar um trecho, uma informação específica. Não que seja ruim ler o livro todo, aliás é necessário, mas no momento da pesquisa é interessante você encontrar uma informação em páginas que já passaram, que virão, compará-las e nelas anotar, grifar etc. Aí o e-reader é útil e prático e mostra seu valor.

E quem disse que eu só olho o lado ruim das coisas?

Imagem: Collective London

A literatura em falta

Parece estranho o título deste post, ainda mais com tantos comentários sobre a quantidade absurdamente grande de livros existentes e lançados todos os anos no mundo inteiro, mas aqui falo não apenas de literatura, mas de tradução de literatura no Brasil. Apesar de sermos um país que consome tradução de literatura muito mais do que a produz (e isso talvez seja um pouco a relação com o mercado, vendas e apoio bastante escasso [para não dizer inexistente] à criação literária) ainda ficamos devendo e muito para outros países, inclusive vizinhos, como a Argentina.

Estou bastante mexido com a leitura do livro do Umberto Eco que comentei aqui. Ele fala umas verdades incômodas, à primeira vista estranhas, mas verdades.

E, mexido, começo a tentar aplicar o que leio à nossa realidade brasileira: por que será que tantos bons autores por aí têm um ou nenhum livro publicado? E por que ótimos autores estrangeiros às vezes chegam apenas aos olhos de quem procura em revistas especializadas ou em coletâneas que dificilmente saem das estantes das livrarias?

Não tenho uma resposta à essa pergunta, talvez seja apenas uma provocação para quem pensa em literatura. Fui acometido por essa comichão provocadora ao ler um conto do alemão Daniel Kehlmann chamado Töten (Mortos), do livro Unter der Sonne (editora rororo), de uma poética pouco imaginável para o tema do vazio e da falta de perspectiva que levam à violência. Quando acabei de lê-lo, fui procurar o que havia traduzido do Herr Kehlmann e para a minha surpresa apenas um romance, A Medida do Mundo (Cia. das Letras, trad. de Sonali Bertuol) consta dos sites e livrarias. Em outros idiomas também acontece o mesmo: desconhecemos os grandes autores, os bons autores e aqueles que talvez não sejam tão bons, mas que o texto nos agrada. Ao passo que somos bombardeados por best-sellers inúteis, inócuos e intragáveis.

Acho que sei tudo que ouvirei depois desse post: o mercado é assim mesmo, as pessoas precisam trabalhar, deixe de ser ingênuo e aceite que literatura é mercado também. Não me afasto dessa visão em momento algum, muito pelo contrário, acredito que haveria público para esses autores, desde que houvesse um outro movimento anterior: o da valorização da leitura. Mas precisaria ser algo radical, utilizar todo o arsenal midiático, mercadológico e marketeiro para levar às pessoas a ideia de que ler, saber e conhecer é o máximo. Não fazem isso com o refrigerante da moda, com a roupinha da novela e com as bandas coloridas? Então…

Às vezes me pego assim, idealista. Mas fazer o quê? Enquanto isso, vou mergulhar no próximo conto do Kehlmann e imaginar como ficaria traduzido… e como meus amigos iriam gostar.

O saber e o querer saber

A perspicaz Karla Lima, amiga de letras, cafés e teutonices, me mandou uma croniquinha que o Rubem Alves publicou na Folha de S. Paulo (link para assinantes Folha.com ou UOL) sobre tradução e traição. Não gosto desse trocadilho já passado, mas tive que aceitá-lo, pois Rubem comentou alguns fatos interessantes numa tradução publicada. A frase de destaque da crônica é de certa forma exemplar (apesar de exagerada e de precisar de uma certa humanização):

O tradutor tem de ser um dicionário que contenha as palavras conhecidas e as palavras não conhecidas.

Um pouco nos coloca na condição de objetos, máquinas de saber, quando na verdade somos mais máquinas de interpretar, ou melhor, organismos interpretativos e questionadores. Condição sine qua non para se exercer a profissão é esse questionamento ou, como diria a tradutora Ana Iaria, a pulga amestrada atrás da orelha, sempre bem alimentada. Os exemplos que ele dá são no mínimo engraçados, fruto de algo muito simples: falta de um simples querer, desejar saber, ultrapassar os limites do texto em busca de uma compreensão maior do que se tem nas mãos. Esse talvez seja um assunto batido, mas na falta de profissionalismo e de mudanças na visão do próprio tradutor de seu trabalho, vamos batendo na mesma tecla até quem sabe acontecer algo maior.

A questão não é metralhar o tradutor, mas já disse e repito aqui minha opinião: falta de tempo ou de orçamento não pode ser desculpa para um serviço meia-boca. Contratar “profissional” despreparado por ser mais barato é, no mínimo, irresponsabilidade de quem quer que seja. Falta de respeito imensa com quem confia no produto final da empresa. E isso serve para qualquer coisa, não apenas para tradução: usar material mais em conta, não treinar, não estudar, não querer ser melhor. E como começar? Há muitas maneiras, entre elas de baixo, o que é bastante difícil, mas dá frutos. Todo mundo quer começar por cima e o tombo, aí, é mais alto.

O que mais me conforta é saber que as pessoas já estão atentas à questão da má tradução, ao menos no que tange à tradução literária. Fui procurar o tal tradutor d’O país das sobras longas (Ed. Record), livro que Rubem Alves comenta, e uma pessoa no site da Livraria Cultura comenta sobre a tradução que prejudica a leitura. Ao menos uma pessoa, um vagalume no breu do “deixa pra lá, isso nunca vai mudar”. Por isso, enquanto houver voz, é preciso botar pra circular esse tipo de situação, dar a mão à palmatória e tentar melhorar. Infelizmente, para chegar aos nossos ouvidos (ou aos nossos olhos), é necessário que alguém da grande imprensa divulgue – não há tempo para tantos livros -, que as pessoas reivindiquem o direito a uma boa tradução, como a um bom serviço, uma boa comida e um bom atendimento, seja lá qual e onde for. Com a cobrança vem a melhoria e com ela também um melhor retorno para todos, assim espero.

Censura tecnológica

Bronze statue of James Joyce, Pula, Croatia
Imagem via Wikipedia

Quem diria que, em tempos de liberdades e avanços tecnológicos, James Joyce e Oscar Wilde ainda dariam trabalho. Ao menos para os puritanos eles causaram frisson nas últimas semanas com a política do Non-Niple (algo como “sem pagar peitinho”) no conteúdo para iPhone e iPad, fazendo a Apple retirar imagens de nudez de Leopold Bloom em Ulysses, de Joyce, e de dois homens seminus se beijando em A importância de ser Honesto, de Wilde. Como entender essa sociedade que libera popozudas rebolantes e gangsta rappers violentíssimos e proíbe a reprodução em quadrinhos ou imagens dos clássicos?

Em 1930, o mesmo Ulysses foi julgado por ser considerado obsceno e o juiz deu ganho de causa ao Joyce por não ver nada de abusivo em sua obra. Já Oscar Wilde penou bastante por sua postura vista como indecente pela sociedade vitoriana, levando-o à cadeia e quase ao ostracismo. Décadas depois, ambos enfrentam os olhos cruéis da censura. O romance de Joyce foi transformado em quadrinhos por Robert Berry, que o considera um “complemento” ao romance e não uma substituição: “Tentei ler cinco vezes antes de finalmente conseguir. Teria sido bom ter uma ajuda”. Então percebeu que pela Internet as coisas ficariam mais fáceis, criando “Ulysses Seen“, ou seja, a obra com F1: todas as partes em outros idiomas estão traduzidas, é só colocar o mouse sobre o trecho e voilá, um ponto a mais para compreender as impossibilidades do senhor Joyce.

O que poderia ser uma ótima iniciativa para evitar a pornografia por parte da Apple, pode abrir brecha para a censura. A alegação da empresa é que, por ser multicultural e vendido em todo o mundo, seu conteúdo pode ser adequado em um lugar e inadequado em outros se não houver controle. Porém, quem precisa ter controle prévio sobre isso é a própria empresa. Muito do conteúdo do iTunes não está disponível para o Brasil, por exemplo, mas não por motivos culturais, mas econômicos ou técnicos. Se conseguem bloquear conteúdo por grana ou por outro motivo, que deem um jeito de fazer a triagem para países com regras mais estritas. O site da revista alemã “Stern” também sofreu censura de seu conteúdo e o aplicativo para ler a revista nos dispositivos da Apple ficou por duas semanas bloqueado por trazer fotos consideradas eróticas. O porta-voz da revista diz que quando se tratar de entretenimento haverá uma limitação, mas quando houver relação com notícias nada será censurado. Será?

Ao menos os protestos contra a censura das obras literárias funcionou: a Apple liberou ambos os livros sem cortes para serem baixados, conforme planejado anteriormente. De acordo com o site do jornal Frankfurter Allgemein, Robert Barry comemorou por twitter: “Vejo um pênis no meu iPad!”.

Fontes: FAZ.net e info.online

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Noites de livros e gentes

Books

Imagem via Wikipedia

Ontem fui a um bate-papo com blogueiros e os editores da Cia. das Letras: Luiz Schwarcz (não sei de onde tirei o Roberto que estava… thanks Diana), Matinas Suziki Jr. e outros. Uma grande conversa sobre o blogue da Cia. das Letras lançado há pouco e as dúvidas que todos têm sobre como serão os encontros e desencontros dos blogues das grandes editoras e os nossos blogues. Muitas sugestões, perguntas e alguns devaneios, no final com saldo positivo: conhecer diversos ótimos blogueiros pessoalmente, trocar figurinhas, abraços e apertos de mão. As vontades dos blogueiros, como consumidores, foram ouvidas com atenção pelos presentes e tanto Schwarcz como Suzuki expuseram que em grandes editoras estrangeiras essa preocupação já está na pauta de discussões: como os blogues influenciam o mercado editorial e como fazer para participar desse mundo. Matinas Suzuki até comentou algo que todos sentimos: nunca se sabe qual será o passo seguinte no desenvolvimento da Grande Rede.

Foi ótimo conhecer também as duas responsáveis pelo blogue, as simpáticas Juliana Vettore e Diana Passy. Não passaram despercebidas as presenças do escritor Lourenço Mutarelli, além da jornalista do Sabático, Raquel Cozer, e muitos blogueiros atuantes na área de literatura, como o Lucas de Sena, do blogue Estrela Selvagem, sobre o Roberto Bolaño.

No intervalo, encontro fortuito com Alberto, querido amigo.

Depois, segundo tempo no Bar São Cristovão, ali na rua Aspicuelta, na sempre agitada Vila Madalena. Não vou comentar do bar, pois quem fará isso será o Tiago Soarez em breve, no Bossa Nova Café, que me acompanhou no lançamento d’A bola entre palavras. Realmente, o livro ficou uma graça, na edição sempre bem cuidada do selo [e]. Lá conheci o “técnico” Adolfo Montejo Navas, que escalou os 11 escritores, artistas e críticos de arte que fizeram parte dessa seleção de letras. E dele ouvi que o autor do texto, Wolfgang Bock, gostou muito da tradução que fiz. Ri à toa. Lá encontrei também o querido Vanderley Mendonça, editor do selo Demônio Negro (o irmão do selo [e]), que me chamou para traduzir o texto do Wolfgang, e o Zé Roberto, da Annablume. Também Reynaldo Damazio, crítico literário da FSP, que bateu um bolão com sua crônica e compareceu com sua camisa do Corinthians.

Saldo positivíssimo para uma noite de quarta-feira. Encontros marcantes, chopps geladinhos, vinho tinto e livros. Que mais querer da vida?

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