Diário de Viagem – Em algum dia, em algum lugar…

Hoje chegamos em Kirchheimbolanden, aquela cidadezinha que comentei aqui num post de abril, exatamente um mês antes da viagem começar. Agora estamos em um hotel, o Hotel Braun, de um membro do Rotary de KiBo (como eles chamam a cidade). Fizemos um tour pela cidade, nas partes principais e mais importantes. Assumi a interpretação do alemão para o português e acho que descobri mais um jeitinho de ganhar dinheiro… ou não. Depois de almoçar, seguimos novamente para uma das igrejas do tour para ouvir um pequeno concerto de órgão, Mendelssohn e Mozart, que foi bem bonito. Em seguida passamos rapidinho no hotel e seguimos para a casa de um dos companheiros rotarianos de KiBo, o Dr. Kahl, jantamos com a mulher e o filho dele, que já trabalhou um tempo no Brasil, bebendo bom vinho e ouvindo chorinho. Agora, novamente no hotel, gostaria de mostrar duas fotos: uma encontrada em algum lugar da Internet (provavelmente no site de divulgação de KiBo) e outra tirada hoje. No poste de mais de um mês atrás eu comentava a minha preocupação e que tudo estava muito mais palpável. Hoje tive que encostar no javali da primeira foto para acreditar que eu estava ali de verdade. E os dias estão sendo assim, de sonho.


Diário de Viagem – Dias em Pirmasens

Olá minha gente,

Como disse um amigo alemão, estou passeando por cidades onde o coelho e a raposa se cumprimentam ou, em bom português, onde Judas perdeu as meias. E estou achando maravilhoso, pois de cidade grande já me basta São Paulo. Nesses dias tenho curtido natureza, pequenas cidades históricas e muita cerveja da boa. No momento estou na região de Pirmasens, mais precisamente em Dahn, uma cidadezinha simples e bonita, limpa e bem honesta, com lendas e castelos. Visitamos uma cidade chamada Speyer, com a mais antiga catedral do mundo, cheia de ruelas e parques, bela. Depois uma bela pizza picante e um bom boliche para relaxar. Perdi, claro, mas com classe. Perder em terras estrangeiras tem um gosto especial. E hoje foi dia de passear pela central de uma grande rede de supermercados (Wasgau) e também no maior outlet da região da Renânia Palatinado, Luxemburgo etc., o Designer Outlet. Fiz comprinhas e tomei cafezinho enquanto os outros se integravam em visitas profissionais, foi bem gostoso. Agora estou em casa, na varanda fria dos Grunwald, escrevendo e ouvindo música brasileira. Tá batendo forte a saudade, mas eu sobrevivo a mais duas semanas, não é mesmo.

Diário de Viagem – BLABLABlogue dia 30 de maio

Vinte e trinta no Brasil, uma e trinta na Gringolândia. Sei lá se um dia vou cansar de tanta mordomia, acho que aguentaria mais uns três anos assim. Claro, com todo mundo que eu gosto ao meu lado, tirando proveito de tais quetais. Mas como o tempo passa, o tempo voa, vamos ao que interessa:

Dia 30 de maio, próximo sábado, das 15 às 18 horas vocês têm um encontro comigo em São Paulo. Não, não volto antes, não fui expulso do programa, nem acabou o dinheiro. Para quem não sabe, estarei entre os felizardos escolhidos pelo grande amigo Nelson de Oliveira para participar do livro BLABLAblogue: Crônicas & Confissões. Será na livraria Martins Fontes da avenida Paulista, pertinho do metrô Brigadeiro. Detalhes dos feras que estarão junto comigo nessa empreitada no convite virtual acima. E eu, de alguma forma, estarei lá. Garanto!

Veja que já tem repercussão no nordeste do Brasil: clique para ler a materia do site do jornal paraibando O Norte

Amanhã tem reunião profissional de manhã. E golfe à tarde. É mole?

Küssen aus der anderen Seite der Welt…

Diário de Viagem – Entre túmulos e fotos

Galera,

Hoje estive em Trier, há alguns quilômetros da nossa quarta parada (isso é nome de cemitério, né?), próximo a Luxemburgo. Fomos conhecer a igreja cristã mais antiga do mundo, datada do século IV depois de Cristo, sob o comando do imperador Constantino. Vimos um portal no meio da cidade modernete, uma igreja que é toda misturada em estilos de construção e também um imenso cemitério subterrâneo com mais de 1200 catacumbas e com sarcófagos que pesavam até 1,5 tonelada. Um pouco de história e cultura na veia não faz mal a ninguém, não é mesmo. Entre uma visita e outra almoçamos em um Departamento Federal de Trabalho Alemão, por intermédio de um antigo diretor que também é rotariano. Almoçamos lá e fomos atendidos por uma garçonete muito feliz e aparentemente satisfeita com seu trabalho. Gente simples, sincera, que trabalha e é feliz por ter um emprego, algo difícil aqui: todo mundo parece que está garantido, então não fazem questão de primar pelo atendimento. Ainda não fui mal atendido em lugar algum, mas tenho a impressão de que eles não fazem muita questão, fazem apenas o estritamente necessário, sem se esforçar. Diferente de nossos anfitriões, os rotarianos, que fazem grandes esforços para que a gente se sinta realmente em casa. E cada casa, que vou contar para vocês, uma mais maravilhosa que a outra.
Bem, quem quiser ver fotos, é só clicar aqui

Diário de Viagem – de 13 a 15 de maio

13.05.2009

Hallo! Esse é o cumprimento mais usual entre os alemães, sejam conhecidos ou desconhecidos. Antes de sairmos de Darmstadt ainda fizemos uma pequena despedida com uma visita à Universidade Técnica de Darmstadt, onde na companhia da querida Olympia e do Herr Breuer conhecemos várias dependências da TU (Technische Universität), sendo recebidos pelo reitor da Uni. Vimos as impressionantes pesquisas que eles fazem, inclusive a da menina Olympia, que com 27 anos já está avançada em seu projeto de doutorado bastante técnico (ela é engenheira de produtos), além de outros projetos de outros alunos. Também visitamos uma fábrica-laboratório de pistões que tem como funcionário um alemão que morou muitos anos no Rio e casou com uma brasileira: fala um português correto, apesar do forte sotaque. Almoçamos na cantina da TU (que eles chamam de Mensa), comidinha com a qual já estou acostumando: goulash de carne de cordeiro (Kalb), Spätzle (uma espécie de nhoque compridinho) e couve-de-bruxelas. Em seguida, voltamos à Uni, mas o sono foi forte até chegarmos ao canal de vento, onde os estudantes e empresas fazem experimentos para a indústria aeronáuticas e afins. Tiramos fotos, ouvimos bastante alemão e, como sempre, nos divertimos. Em seguida fomos até a casa do Herr Breuer e lá tomamos café, comemos doces e acessamos a Internet. Pude escrever algumas coisas, responder alguns e-mails, mas foi por apenas uma hora, pois a Renata estava para chegar. Quando ela finalmente chegou partimos para Ingelheim: se Darmstadt é uma pequena cidade, vocês não conhecem Ingelheim. Pequenina e simpática, fica às margens do rio Reno e é deliciosa. Nossos novos pais, Hansi e Ernst, são muito legais: ele, quietão, ela, falante até os cotovelos. Fomos a um restaurante perto do rio, Zum Lockschuppen, uma antiga estação de trem, onde conheci alguns rotarianos da região e conversei bastante, praticando meu parco alemão. Fiquei feliz, que não cometi muitos erros e que todos foram prontamente corrigidos por Hansi. Voltamos para casa, depois de uma pizza de presunto com aspargos e duas grandes taças de cerveja pils (volto especialista para o Brasil, hein?) e não conseguimos novamente conexão de Internet. Saco…
Sehen uns wieder naher, ok? Até mais…

14.05.09

Ó nóis aqui travêis, Brasil: com força total em Ingelheim, acordamos bem cedo para a programação do dia. Acordei um pouco mais cedo, tomei meu banho e rumei para o café. Daniel e Alê ainda ficaram um pouco na cama, eu resolvi aproveitar os pais mais um pouco. Tomei meu café e depois, com um jornalzinho, fui para a varanda do casal fumar um cigarrinho e ler um artigo sobre o budismo e a incapacidade do ser humano de aceitar o passageiro. Não à toa, Hansi tem na sua casa, na entrada, um guerreiro Xi’ang em pedra, em tamanho natural, porém made in Germany. Depois que os meninos tomaram café, seguimos para a WIV, uma revendedora de vinhos que recebe vinhos de todo o mundo e, depois de um processo apurado de filtragem, são vendidos em todo o mundo. São dez milhões de garrafas de vinho armazenadas, com um controle absurdamente grande sobre a qualidade dos vinhos recebidos. Sebastian, o especialista em vinho e o dono da empresa, Herr Kuno Pieroth, nos acompanharam em uma hora de visita a fábrica, que compreendeu desde a recepção dos vinhos até a prova que foi feita por nós de três vinhos deliciosos. Detalhes: às 10 da manhã. Às 11h00, Ernst nos levou até o Supermercado Globus, onde fizemos comprinhas: guarda-chuva, chocolates e o pijama que eu havia esquecido de comprar, além de um perfuminho e otras cositas. Tentei imprimir uma foto para enviar ao casal Dauman, mas não rolou, pois a única máquina de imprimir na hora estava ocupada e nós estávamos em cima da hora. Almoçamos, pegamos Hansi em casa e rumamos para a ZDF.
O Zweiter Deutsche Fernseher (ZDF) é um canal de televisão com sede em Mainz e filiais em toda a Alemanha e em diversos países. Lá fomos recebidos por Joachim, um careca simpático e falastrão, enquanto esperávamos a Leda, que tinha ido cedinho para a tevê (ponto de interesse dele, ela é jornalista). Nesse tempo, comprinhas na loja do canal. Enquanto ele despejava informações sobre a TV, Haroldo fazia a interpretação para os que não falam alemão e todos ríamos muito. Vimos diversos estúdios modernos, um parque feito pela TV, instalações modernas e, ao fim, assistimos um programa de notícias e variedades ao vivo chamado hallo, deutschland!. Saímos felizes da ZDF, com a certeza de que tudo que havia acontecido conosco até aquele momento era especial.
E não tínhamos visto nada ainda: terminamos a noite num restaurante antigo, na cidade de Bingen, chamado Krugrer-Rumpf. Além de restaurante, a antiga casa de 1830 também abriga uma vinícula (e dá-lhe vinho), um dos melhores da Alemanha, feito na região de Nahe (proximidades de Bingen). Comida deliciosa, com carne macia de cordeiro com batata e molho de alecrim, vinhos de diversos tipos e conversa da boa com dois senhores alemães que já visitaram o Brasil e ficaram bastante felizes em nos receber. Visitamos a adega e os barris de maturação dos vinhos, as novas instalações que abrirão em agosto. Mesmo com a chuva que caiu forte (ainda bem que comprei um guarda-chuva). Fim da noite, ligadinha para a mãe para dizer que estou com saudades, um papinho com meu sobrinho bem rápido. Percebi que a primeira semana da viagem já foi vencida. Mais quatro e estou de volta. Me aguardem para mais novidades.
Ah, estou sem Internet novamente. Quando eu finalmente tiver acesso, vocês terão bastante o que ler. Bis bald…

15.09.07

Hoje tivemos uma grande visita à Boehringer Ingelheim, a indústria farmacêutica que emprega grande parte dos habitantes de Ingelheim e mediações. Primeiro fomos à área de meio ambiente da empresa, conhecer as instalações. Em seguida, fomos Leda e eu para a área de comunicações da empresa, sob a chefia do Herr Baum, um rapaz bastante simpático e divertido. Cada vez mais tenho essa impressão: o alemão é um povo sério, mas que sabe ser divertido quando quer ou precisa. Acredito que esse será um dos grandes ensinamentos que essa viagem irá me proporcionar, além de, claro, a melhoria a olhos vistos do meu alemão (assim espero). Conversamos bastante com ele sobre comunicação, cultura da empresa, manutenção da marca e afins. Daniel e Alexandre seguiram para a área de finanças, Haroldo e Renata foram para a logística/distribuição. Após o almoço, nos reunimos e seguimos para a visitas das instalações de segurança, produção e embalagem dos produtos químicos da BI. Pena que não conseguimos tirar fotos, é estritamente proibido fotografar dentro da empresa (pior que em muitos museus aqui), talvez uma questão de segurança comercial. As instalações são impressionantes, valeu conhecer. Em seguida, depois de pegar uma bela chuva no caminho, fomos a um museu em Ingelheim onde vimos uma exposição do pintor russo Chagall, muito bonita. Mas antes tomamos um espresso com bolo no café aberto especialmente para exposição na frente do museu: contêineres que servem como bar, fantástico. Depois fomos jantar num belo restaurante em Bingen que tem o melhor vinho tinto da região. Só para variar, saímos bem calibrados de lá direto para casa, depois de boa comida típica alemã, bastante vinho e aspargos, nossos fantasmas na Alemanha. Tentamos dormir, mas antes rimos um bocado da noite divertida que havíamos tido. Mas o dia seguinte prometia, então tratamos de ir cada um para sua cama dormir e esperar o dia que já havia começado…


Diário de Viagem – 10 a 12 de maio

(Veja as fotos ao fim)
10.05.09

Depois de um voo complicadíssimo, apertado e desconfortável, chegamos a Frankfurt Am Main: aeroporto impressionante. Ver a placa Ausgang depois de pegar as malas e ver muitos turcos e gente de burqa, saímos para encontrar nossos anfitriões, Herr Zwimmlick e Herr Breuer: pausa para foto, entramos na van que nos levou a uma pequena cidade nas proximidades de Darmstadt chamada Manschal. Logo encontramos uma pizzaria, encostada a um campo de futebol, onde as pessoas jogavam bocha nas laterais do campo. A atendente (e provavelmente dona do restaurante) foi muito simpática, inclusive na hora de comprarmos um isqueiro numa máquina que nos deu problemas. Tomamos a cerveja da região, deliciosa, encorpadinha. Voltamos para o hotel, nos vestimos e seguimos para a recepção do Rotary no restaurante Darmstädter Hof para o time brasileiro. Jantar bacaninha (descobri como fala “cupim”, a carne, em alemão e bastante conversa, presentes e troca de elogios). Há uma galera de partida para São Paulo no próximo fim de semana, muito simpáticos, principalmente uma garota chamada Olympia, que já conhece o Brasil e tem parentes em Sampavelox (olá, Prensada). Na verdade, nosso grupo fez um fiasquinho, mas nada que pudesse comprometer a viagem. Após o jantar, seguimos novamente para o hotel, onde conversamos um pouco e eu fui logo dormir, pois não havia cochilado como um dos integrantes do grupo, nem dormido no voo como as meninas. Nessas horas em que se reúnem tristeza, saudade e sono, o melhor a fazer é se entregar ao Morfeu e dar adeus ao mundo, seja ele qual for.

11.05.09

Acordamos cedinho hoje, pois tínhamos uma visita guiada a alguns pontos turísticos de Darmstadt, uma conhecida cidade universitária aqui da Alemanha. Finalmente tirei minha dúvida do motivo pelo qual Darmstadt (Cidade do Intestino numa tradução grosseira) tem esse nome: o rio que corta a cidade é muito sinuoso, como uma tripa dentro do corpo, daí no nome. Talvez tenha alguma outra razão, mas essa me pareceu bem convincente. Conhecemos um museu de arte no qual os artistas faziam de tudo um pouco (inclusive a mobília das suas casas que ainda ficam nos arredores), a Hochzeitsturm (Torre do Casamento) ou Fünf-Finger-Turm (Torre dos Cinco Dedos), que foi um presente do município para o rei da época de sua construção. Além disso, visitamos o antigo reservatório de água de Darmstadt, que até hoje precisa ficar com água até mais de um palmo, pois do contrário o cimento resseca e faz o reservatório e o museu que há sobre ele ruírem. Entramos de bota e tudo, animação total. Depois, comemos num italiano (como há restaurantes italianos nessa parte, incrível) e seguimos para o Jardim Botânico da cidade. O Herr Schmeckenburger nos deu um show de aula de botânica em pouco tempo, nos mostrou o que havia de melhor nesse lugar. Então seguimos para deixar cada um no seu quadrado, ou seja, cada qual para uma família. Eu segui para casa de Herr und Frau Daum, um casal de senhores simpatissíssimo que me cedeu seu belo Dach (sótão) para passar duas noites e me levaram “pra night”: comer no restaurante mais antigo da região em funcionamento, o Bockhaut, dar uma volta pela cidadezinha, tirar muitas fotos, comprar xampu e sabonete, além de um adaptador para minha tomada do notebook (Mensch, aqui há uma loja chamada Saturnus, de produtos informáticos, que eu quase tive um treco de tanta coisa maravilhosa. Talvez eu leve algo, me aguardem). Agora chegou a hora de dormir, pois amanhã há um fórum europeu de tecnologia de tradução no qual vou me esbaldar. Em Frankfurt am Main. Ich werde an alle Euch erinnern, klar? Mach’s gut!

12.05.09
Naja, aqui estou eu novamente. No momento estou num fórum de um famoso programa de tradução, no qual assistimos diversas palestras sobre tradução. Quem me trouxe aqui foi uma rotariana bastante jovem e simpática chamada Astrid Podack, dona de uma empresa de documentação técnica e tradução. Nesse meio tempo conheci um português chamado DeVianna (sobrenome) que mora há alguns anos aqui na Alemanha e faz traduções técnicas. Cartões distribuídos, claro, e um pouco de tédio agora que as coisas estão acabando. Mais tarde irei a um clube de Rotaract, conhecer os jovens alemães que em breve serão rotarianos. Não se fala muito de Rotary aqui, mas sim do Brasil. Eles querem saber como são as coisas, como os brasileiros se comportam aqui e ali, é bastante interessante falar de si. O idioma já não é um grande problema, apenas quando eles disparam a falar e eu não entendo lhufas: daí espero reconhecer uma palavrinha conhecida ou outra e dou um sorriso ou digo ‘ja’ ou ‘nö’, dependendo da entonação deles. Continuo aqui sem conexão, pensei que terei um espaço para fazer um passeio pela cidade, mas nem isso. Ainda escrevo no Word para depois passar ao blog.
Hoje foi minha última de Darmstadt. Primeiro fomos a uma reunião do Rotaract, depois meu hospedeiro, Herr Dauman, me mostrou mais um pouco da Darmstadt que sobreviveu ao bombardeio. Em seguida fomos para casa, onde tivemos um gostoso “Abendbrot”, uma espécie de jantar, mas apenas com pães, frios, queijos e afins. Depois disso, uma taça de bom vinho com queijo, pretzels, mais histórias e palavras de despedidas e de como foram bons os dois dias com eles. Ganhei um livro com dedicatória sobre a região e pais alemães de primeira.
O que posso dizer é que estou ainda maravilhado com tudo e que a ficha caiu, mas não totalmente. Estranho, estar numa terra que sempre se sonhou, falar o idioma que levou tanto tempo para mais ou menos aprender, tudo isso ainda é muito novo. Estou no terceiro dia e já me surpreendo como falo e como ouço as pessoas. É uma música diferente que faço questão de dançar com alegria.

Clique na foto para aumentar:



Dificil, mas real

Gente, aqui nao tem internet quase. Eh dificilimo encontrar. Claro, estou no interior do interior da Alemanha, no circuito das aguas do rio Reno (risos). Consegui essa conexao para dizer a todos que morro de saudades, que aqui estah bastante divertido e que logo mando mais noticias e fotos.

Beijos mil

Diário de Viagem – 09/10 de maio de 2009

Estou no apertado assento do vôo 8770, ou qualquer número assim, da TAM, todo torcido para escrever que já estamos sobre o mar. Abaixo de nós,o grandioso Atlântico, imperioso dividindo continentes. Esperamos chegar vivos até o outro lado. Fiquei sabendo, por um casal de brasileiros que mora em Londres e no Brasil em temporadas alternadas que uma garota de 22 anos morreu pelo que se deu o nome de “síndrome da classe econômica“: ela pegou o avião em São Paulo e, por algum motivo, permaneceu no assento e não se levantou para absolutamente nada. Doze horas depois, coitada, desceu em Londres aos desmaios, foi para o hospital e o seu sangue coagulado provocou um infarto fulminante. Louco, não é? Por isso já levantei ao menos duas vezes em três horas. Nada de coagular, vamos nos exercitar: tem muito espaço aqui entre as cadeiras. Quase dá para fazer polichinelos. E no momento, ouço Nara Leão. Debaixo dos caracóis dos seus cabelos. Sei que não é a sua preferida, mas Wave vem logo em seguida.

E parabéns às mamães. Um beijo especial para minha mãe e para uma mãe delícia chamada Nanete. Que esse dia seja especial, pois mãe é mãe, né?

Beijo de Darmstadt

Diário de Viagem – 07.5.2009

Quando falta tão pouco, a paciência parece se esvair para não sei onde. Hoje o dia todo foi assim, tendo eu até que pedir desculpas às pessoas que tiveram de aguentar minha nada singela impaciência. Mas agora falta um nadica e esse diário vai mudar, a angústia dará lugar a histórias de verdade e as fotos voltarão a povoar este blogue.
Ùltimas resoluções: troca dinheiro, faz comprinhas, arruma mala. Tiago foi realmente companheiro nesses dias, me ajudando e apoiando sempre. Se não fosse ele por perto, nada teria saído tão tranquilamente. Obrigado, mais uma vez.
E obrigado também pela grata surpresa de hoje: cartas com recados de queridos amigos desejando o melhor nessa viagem. Cada carta lida era uma alegria e uma emoção. A certeza de que a volta será tão deliciosa quanto a viagem. Chorei igual criança.
Obrigado, a todos queridos amigos e leitores do Vermelho Carne… e vamo que vamo!

Diário de Viagem – 06.5.2009

Um post esperando um corte de cabelo no amigo Pedrinho. Sempre encontrar amigos é bom, ainda mais quando se junta o útil ao agradável. E agora não há tempo a perder, tudo precisa ser cronometrado, calculado. Camisas compradas, trabalho em dia (o livro está nos últimos detalhes), primeiros Euros trocados – tudo no esquema para a viagem. Ainda preciso arrumar a apresentação para o povo alemão. Agora só faltam 3 dias, ou menos. Bem, agora é minha vez de abandonar as madeixas…

Diário de Viagem – 05.5.2009

Engraçada a sensação de terminar uma missão. A gente se acostuma a uma rotina por conta dessas missões e acaba deixando de lado muitas outras coisas. E quando essa rotina termina, a missão é cumprida, o prazer é imenso, mas a sensação de vazio é inevitável. Tudo isso para dizer que ontem finalmente terminei o livro. E houve comemoração, jantar e tudo mais para fazer diversos brindes. Agora é só revisar, entregar ao editor e esperar um novo chamado… lá pra julho, claro.
Só para constar: hoje faltam três dias.

Diário de Viagem – 02 e 04.05.2009

Do Brás aos Jardins, essa foi minha jornada do dia 2, sábado. Após curtir com os amigos na sexta uma pré-despedida, acordei no sábado e rumei para o Brás, com o Tiago. Ele, como de alguma forma conhecia a região, foi indispensável para eu não me perder naquele mundaréu de gente carregando sacolas, empurrando carrinhos e se apinhando nas ruas antigas do bairro. Depois de muito andar e procurar camisas (precisarei delas para andar engomadinho na Teutolândia), encontramos uma loja, já na hora de ir embora, nas quais a camisa ficou linda e o preço era razoável… só que o cara não tinha todas brancas, que é o que eu preciso. Ficou para ver na segunda-feira. Em seguida, rumo ao centro, passar na Kalunga comprar material para os presentinhos, capinha de plástico para os CDs, papel de presente e afins. Depois de uma passada na feirinha da República, rumo à Paulista. Almocei uma bela feijoada, não perfeita, mas o suficiente para eu me despedir por 37 dias do feijão preto com carne de porco. Depois, Chinig-ling da Paulista, onde comprei uma bateria reserva para a câmera digital, em seguida chocolate cremoso na Cacau Show e comprar bolsa para os seis dias livres na Alemanha. Muita coisa em pouco tempo. Mas no final, tudo deu certo. 
E nada de Virada Cultura. Sem cabeça, nem corpo para tanto.
No domingo, foi mais light, com trabalho e encontro com amigos queridos. Clebs estava na área, então foi dia de reunião: Klero, Alberto, Tiago, Ivy e amigas, amigos de Clebs, tudo mundo junto na Carniceria Z, novo bar de São Paulo que, literalmente, é um açougue. Ou foi, na verdade. Na rua Augusta, era um antigo açougue que foi praticamente mantido como era, apenas foi modernizado o estritamente necessário, além das paredes com pinturas bem ao estilo de açougue antigo. Bacana o lugar, apesar de ser apertado. Antes disso, cafezinho no Starbucks, que foi bem bão também. 
Segundona de trampo, livro quase finalizado. Finalmente consegui comprar as camisas que tanto precisava: depois da promessa do moço do Brás, que na verdade não se realizou, acabei me jogando na Colombo, onde resolvi o problema em 20 minutos e 5 camisas a R$149,00. Um achado, realmente. Em seguida, jantadinha básica na Bela Paulista e de volta ao lar para acabar os CDs, receber fotos do povo para completar a apresentação etc. Ufa, nessa correria toda, hoje conto 4 dias até a partida. É meu povo, tá chegando… 

Diário de Viagem – Que dia é hoje?

Não tem outra palavra, hoje foi foda. Duas horas e meia de trânsito na Fernão Dias (o povo bombando o interior) até chegar na chácara do team leader do programa do Rotary. Lá o trabalho foi duro, muito o que fazer ainda: fechar as apresentações em PPT (agora sei como fazer apresentaçao com musiquinhas e tudo mais). Apesar de toda a trabalheira, uma feijoada e pinguinha com butiá (uma frutinha azedinha e boa) alentou nossos estômagos e sentidos. Tava o grupo todo finalmente. Depois de muito ver fotos de família, discutir que música entra ou sai ou mesmo cantar e fazer coreografia para a apresentação para o fim do programa, recebemos nosso prêmio: os comprovantes das passagens emitidas, nossas etiquetas de identificação de mala e a documentação do seguro. Ou seja, daqui exatamente uma semana embarcaremos rumo ao sonho… acredito que o sonho de todos.
Agora é só comprar as últimas coisinhas (cuecas, meias e afins), arrumar a mala e nos vemos lá…

Diário de Viagem – Hoje mesmo

Quebra do diário para um agradecimento a uma galera muito especial: 

 Jenny, Robs, Fernanda, Rafa, Glub, Tiago, Simone, Nana, Ricardo, Cris e no meio, eu. 


Obrigado pela festa de botafora antecipada. Uma surpresa, sempre, inesquecível.

Diário de Viagem – 27.4.2009

Hoje não será um diário de viagem propriamente dito, mas sim um agradecimento a todos os amigos que têm acompanhado esse pequeno diário de viagem, que reflete um pouco da apreensão e da falta de inspiração desse amigo escritor que aqui tenta se expressar. Há pouco mais de três anos uma amiga, em especial, acompanhou bem de perto minha primeira viagem ao exterior e aqui ela já deu o ar da graça: Melissa Castro, a Mel. Hoje ela está distante, morando no interior do Rio, fazendo sua carreira e crescendo muito. Mesmo lá, ela com certeza acompanha como e quando pode minhas aventuras de escrita e também sempre dá notícias de lá das bandas cariocas. Pode deixar, Mel, vou curtir cada segundo e depois te conto tudinho. 
Também será um desabafo ao contrário, desses bobos, inúteis, mas desabafos. Apesar de toda a montanha russa que tem sido minha vida nos últimos tempos, da correria e de algumas tristezas passadas, a felicidade vem ao meu encontro sempre. Não importa o quão cabisbaixo eu esteja, lembro de todas as coisas boas que me aconteceram nos últimos meses e o sorrisão brota sincero de não sei onde e gargalhar fica fácil, fácil. Às vezes um chororô faz parte da alma humana, mas botando nos lápis, “novesfora”, está tudo em ordem por essas bandas. Sem medo da gripe do porco (bisteca com aspirina djá), está chegando a hora: em 12 dias embarco para a terra do Eisbein.

Enquanto isso, divirtam-se com o pequeno artigo sobre a vara, feito pelo queridíssimo Marcos Pontes.

Diário de Viagem – de 24 a 26.4.2009

Não sei se há muito que dizer do dia 24, sexta-feira, além de que trabalhei bastante e tive que dormir cedo, pois no sábado lá fomos nós todos para a chácara do Haroldo, o team leader que vai nos levar para a Alemanha, em Atibaia. Chegamos lá Leda, Renata, Necchi e eu, e nada de Haroldo. Batemos palma, ligamos para o celular, para a própria casa que estava atrás dos portões altos e nada. Já decididos que iríamos adiantar nosso expediente (ou seja, a apresentação de PowerPoint e otras cositas) numa loja de conveniência que há na Rod. Fernão Dias, eis que surge o caseiro, nos tirando da agonia de não saber o que havia acontecido. Por fim, Haroldo estava no escritório, que fica na parte de baixo da chácara e a mulher dele, concentrada com os preparativos para o nosso almoço, não nos ouviu bater palmas e buzinar feito malucos. 
Bem proveitoso o dia, tomamos diversas decisões, treinamos a música que cantaremos em uma grande reunião do Rotary lá na Alemanha e montamos o tal PPS para apresentarmos. Ficou bem bonito, mas ainda faltavam alguns retoques. Depois do almoço (obrigado, dona Nilce… tava uma delícia) fomos passear pela chácara, tomar uma cervejinha e comer butiá, uma frutinha com carne pouco ácida e muito gostosinha que nós, bichos do concreto, não conhecíamos. Depois de trabalharmos mais um pouco na apresentação e cantar bastante, tiramos algumas fotos e voltamos para São Paulo, não sem antes ganhar um frasco de mel produzido na chácara do multimídia Haroldo. 
Voltei cedo para casa, incomodado ainda com aquele PowerPoint. Pus-me a fuçar, mexer e, com a ajuda do Tiago, consegui botar música, fazer animações e cronometrar tudo. Espero que o povo do grupo goste das mudanças. Depois de mexer e remexer e cansar de fazer letrinhas mexerem e dançarem na tela, resolvi dormir, e dormir pesado.
Domingão de tempo estranho, como esse outono esquisitíssimo. Ora quente, ora frio. Acordei com um friozinho, logo estava com calor e trabalhando, mas bem pouco e isso me deixou preocupado. Vontade zero de trampar, orquestrei rapidinho um cinema com amigos: assistimos Divã. Para quem quer diversão e uma atuação ótima da Lília Cabral e da Alexandra Richter, além do Zé Meyer. Depois, esticamos todos para um bar, que estava chato, então acabamos no velho Unibanquinho, o Espaço Unibanco que fica do lado direito de quem sobe a rua Augusta. Entre cervejas e petiscos com Laura Fuentes, Rossana, Tiago, aguardávamos a querida Cris Rogerio e seu namorado Ricardo. Sempre delicioso o domingo com essa galera. 
E a contagem não para: faltam 13 dias para o embarque. Às vezes, não quero pensar, mas está cada vez mais difícil…

Diário de Viagem – 22 e 23.4.2009

A volta do feriado foi complexa. Muita vontade de tirar mais uns quatro dias de folga, olhando para o teto e conciliando corpo e mente, ou seja, coçando bem o saco. Porém, a realidade chuta a porta da gente como louca assim que acaba a farra e nos chacoalha sem dó nem piedade, gritando “acorda, vagabundo, vai trabalhar”. E lá vamos nós, quase como condenados, sentindo o peso das correntes e da bola de ferro que se chama trabalho. Alguém chama o moço do ócio criativo, por favor? Obrigado. 
Mudando de pato pra ganso, ô coisinha chata que é roupa social: terno, gravata e afins. Estou eu agora, teclando de camisa aberta dois botões, mangas já dobradíssimas e sem paciência. Acabou com o meu humor de manhã estar vestido com roupa de casamento, um porre. Mas foi uma exigência do almoço e solenidades do Rotary pré-viagem. O almoço foi delicioso, mas voltei megapowersuperatrasado (agora é sem hífen) para o trabalho. Mas deu uma folguinha aqui e tô conseguindo escrever essas poucas linhas. 
Entre altos e baixos, tudo correndo às mil maravilhas. Ainda há de melhorar mais, com breves notícias que colocarei aqui no blogue, no dia 1º de maio. Aguardem, pois hoje já recebi o sinal verde para divulgar, aguardo apenas um momento mais oportuno.
Hoje faltam 16 dias e o frio na barriga aumenta. Ainda há coisas para acertar, mas logo tudo estará mais nos eixos. Assim espero, axé.

Diário de Viagem – de 19.4.2009 a 21.4.2009

Engraçado como ver as pessoas que amamos faz bem e mal ao mesmo tempo, na iminência de uma viagem. Bem porque matamos saudades, conversamos, tiramos a limpo muita coisa, deixamos a consciência tranquila. Mal, pois sabemos que dentro de alguns dias essas pessoas estarão tão longe, que o acesso a elas não será tão sossegado quanto o de costume. Isso se dá com mãe, pai, sobrinho, irmão, cunhada, amigos, com todos aqueles que nos fazem tão bem. Separar é difícil… mas sempre é bom pensar que a distância traz a falta, a saudade e o reencontro tão gostoso.
Fiz nesse fim de semana muitas coisas que há muito não aconteciam: brinquei com o sobrinho, tomei café da tarde com a mãe, vi vizinhas bicentenárias, almocei em restaurante japonês, jantei em McDonald’s, curti cafezinho com amigos, fiquei debaixo das cobertas, li Rubens Fonseca, comprei livros, tomei chás, até biscoitinhos amanteigados eu fiz. Nesse feriadão tirei para fazer muitas das coisas que sentirei saudades e que tanto me fazem bem: ficar perto de quem se ama e fazer o que se gosta. Tem combinação mais deliciosa, tem?
E faltam 17 dias para a viagem…  

Diário de Viagem – 18.4.2009

Sábado du bão. Bate papo com a Robs de manhã, já calibrando na cerva ao meio-dia. Papos felizes e triste, bem “A vida como ela é”, numa versão um pouquinho mais light. Depois, almoço (a fejuca sagrada) e o cochilo da tarde bem delícia para enfrentar um encontro de peso: Laura Fuentes, Prensada e Tiago. Literatura e política, música e cinema, amores e sexo, papos aleatórios e comemorações enxarcados de cerveja, café e melados por bolos e doces, num lugarzinho que ainda não foi invadido pelas multidões paulistana. Finalzinho de noite, com Robs novamente, para alinhavarmos com lavagem de roupa suja. Não, não é briga, é bate-papo ao lado da máquina de lavar…
Estou adiantado na leitura do conto que quero traduzir aqui antes de viajar. Não será o conto todo, apenas uma introdução do conto, que fala sobre viagens. Sobre o medo de quem vai, a apreensão de quem fica e todo o recheio dessa agrura. Esse fantasma do desconhecido que ronda a mudança, essa moça tão bela e misteriosa. Que tem outros nomes: novidade, oportunidade… às vezes não é bem vinda, mas muito necessária. No meu caso, também poderia se chamar bênção. Então, que chegue com toda a força e encanto.