Lançamento…

Agora é o meu que venho anunciar aqui.

Como comentei aqui e até abri um blog para tanto, vou lançar meu livro Réquiem: sonhos proibidos. Será no dia 23 de junho de 2012, das 17h30 às 21h30, no Espaço Terracota Editora (Rua Lins de Vasconcelos, 1886, Vila Mariana – mapa aqui; para marcar sua presença no Facebook, clique aqui). Vejam abaixo o texto da divulgação e, logo que o e-flyer ficar pronto, boto aqui pra todo mundo.

O que você faria se não pudesse mais sonhar?

“A química do Réquiem estava em sua corrente sanguínea, não havia com que se preocupar, pensou. Sua mãe dissera, não precisava temer. Rolou na cama algumas vezes, ligou o abajur para tentar ler um pouco na sua multitela, mas não conseguia se concentrar. Até que finalmente adormeceu. E teve um sonho.” (Trecho do livro)

O sonho proibido. A extrapolação da sociedade da informação. A necessidade de ter de volta a capacidade de ser livre de verdade. Em Réquiem: sonhos proibidos, Ivan é um homem normal, sem muitas aspirações na vida, até que recebe uma carta do Governo Mundial: todos seriam obrigados a ingerir uma droga inibidora do sonho. A partir deste momento, seu destino está traçado, mas as linhas não são claras.

Espero vocês todos lá, hein?

Abraço e logo divulgo o lançamento também em BH.

Jornada de Tradução e Línguas da UGF

Para quem estiver no Rio de Janeiro nos dias 25 e 26 de abril, a Universidade Gama Filho realizará a Jornada de Tradução e Línguas no campus Candelária, Auditório 1, na Av. Presidente Vargas, 62 – sexto andar.

Vejam abaixo a programação:

Palestras na USP

A FFLCH, por meio do Centro Interdepartamental de Tradução e Terminologia (CITRAT), sempre organiza palestras gratuitas sobre tradução. São os Ciclos de Palestras sobre Tradução, em geral realizados às sextas-feiras. Neste mês há duas palestras (veja abaixo), sempre muito interessantes. Uma das palestras que vi foi da famosa Mona Baker, estudiosa de tradução conhecida mundialmente por seus livros e pesquisas.

Não é necessário se inscrever, é só chegar. Vejam informações abaixo:

PENSANDO A TRADUÇÃO À LUZ DE O NINHO VAZIO, DE DANIEL BURMAN, E CÓPIA FIEL, DE ABBAS KIAROSTAMI

Profa. Dra. Maria Clara Castelhões de Oliveira

Pretendo discutir nesta palestra questões de tradução, literatura, ética e cultura a partir dos filmes O ninho vazio (2009), do argentino Daniel Burman,  e Cópia fiel (2010), do iraniano Abbas Kiarostami. Primeiramente, traçarei uma analogia entre o tipo de postura de Burman e aquela que considero a mais adequada ao tradutor de textos literários na cena pós-moderna. Para tanto, também lançarei mão de dois contos que têm tradutores como protagonistas:  ”O tradutor cleptomaníaco”, de Dezsö Kosztolányi, e “Notas ao pé da página”, de Moacyr Scliar. Em seguida, utilizarei o filme de Kiarostami para discutir, principalmente, o lugar das reproduções, entre as quais se encontram as traduções, perante seus originais.

Dia 13 de abril, às 14h, na Sala 170 do Prédio de Letras, FFLCH-USP (Av. Luciano Gualberto, 403, Cidade Universitária).

A LITERATURA RUSSA NO BRASIL – UMA HISTÓRIA DE SUAS TRADUÇÕES

Bruno Barretto Gomide (DLO-USP)

Nesta palestra apresentarei um panorama histórico das traduções de literatura russa no Brasil, começando pelo fim do século XIX, marcado pela hegemonia das edições francesas, passando depois pela “febre de eslavismo” dos anos 30, os vários projetos editoriais do Estado Novo, a atividade de Boris Schnaiderman a partir de fins dos anos 50 e chegando ao intenso processo de traduções do último decênio.

Dia 20 de abril, às 14h, na Sala 260 do Prédio de Letras, FFLCH-USP (Av. Luciano Gualberto, 403, Cidade Universitária).

Prática da Escrita V

Já comentei aqui de um evento que a Terracota editora faz há 5 anos chamado Prática da Escrita, organizado pelo escritor, professor e amigo Claudio Brites. Sempre é bastante aproveitoso, a cabeça sai fervilhando de ideias para aplicar na escrita e na vida, há reencontro de amigos queridos e muita gente para conhecer.

Palestras de manhã, oficinas à tarde, sempre muito animadas.

Mas este ano será um pouco diferente. Ao menos para mim. Pois vou conduzir um bate-papo sobre tradução para quem deseja saber mais sobre a profissão tradutor, com ênfase na tradução editorial. Algo bastante informal para a gente discutir quais os caminhos possíveis do mercado.

Para se inscrever, clique aqui. Vejam a programação completa:

Coordenação: Claudio Brites

O Encontro Prática de Escrita acontece informalmente desde 2001, mas há cinco anos o evento ganhou periodicidade e formato e vem se tornando parte da agenda de quem gosta de literatura.

O principal objetivo do encontro é reunir pessoas que não só apreciam a literatura, mas também tudo que circunda a prática de escrita literária.

A programação é dividida em dois tempos, o primeiro gira em torno das mesas com palestrantes, que discorrem sobre assuntos que permeiam o universo literário; o segundo tempo é das oficinas de estudo e criação.

Pelo evento já passaram nomes como: Milton Hatoum, Marcelino Freire, Cadão Volpato, Nelson de Oliveira, Raphael Draccon, Roberto de Souza Causo, Edson Cruz, Eric Novello entre outros.

A primeira parte da programação terá como convidadas só mulheres. Na primeira mesa, a escritora Ivana Arruda Leite bate um papo sobre sua obra com a roteirista e escritora Luciana Penna. Na segunda mesa, as escritoras e professoras de criação literária Monica Martinez e Nanete Neves conversam sobre caminhos e possibilidades da escrita como profissão, mediadas pela redatora, blogueira e revisora Lu Reis.

Na segunda parte, temos oficinas com Bruno Cobbi, Kizzy Ysais, Marcelo Maluf e Pête Rissatti.

Este ano o evento acontece em 3 de março de 2012, no campus Liberdade da Universidade Cruzeiro do Sul.

Quando: 3 de março de 2012.

Horários: mesas das 9h45 às 12h30 e oficinas das 13h45 às 16h30

Onde: Universidade Cruzeiro do Sul – campus Liberdade

Rua Galvão Bueno, 868 (próximo ao metrô São Joaquim)

Entrada Franca


Programação

Mesa 1 – das 9h45 às 11h
A prática de criação de Ivana Arruda Leite
Convidada: Ivana Arruda Leite
Mediação: Luciana Penna

A escritora fala sobre sua obra e como se dá seu processo de criação. Quais são os percalços que envolvem a realização do conto, do romance, do infanto-juvenil. Dando dicas sobre editoras, culinária e séries de televisão.

Mesa 2 – das 11h15 às 12h30
Profissão escritor
Convidados: Monica Martinez e Nanete Neves
Mediação: Lu reis

As escritoras e professoras de criação literária Monica Martinez e Nanete Neves falam sobre o mercado editorial para o escritor: biografias, livros institucionais, ghostwriter, oficinas. Como as coisas caminham e como é a realidade de quem vive da escrita literária.

Oficinas de Criação literária – das 13h45 às 16h30

Narrativa Multimídia
com Bruno Cobbi

Partindo de estudos de casos nacionais e estrangeiros que transcendem seus canais originais, o publicitário e escritor Bruno Cobbi vai guiar os participantes entre referências em livros, quadrinhos, internet, games e cinema para debater como as novas mídias estão mudando nossa forma de encarar o mercado e produzir arte.

As discussões sobre a produção multimídia dentro e fora do país são combinadas com exercícios para prática do raciocínio narrativo e exploração da multimídia. A oficina visa materializar não só o planejamento como produções de narrativas em multimídia.

A criação do personagem
com Kizzy Ysatis

Este encontro foca no coração da narrativa: os personagens. Seja em um enredo fantástico ou realista. Grandes personagens vão além de seu criador. Polifônicos, infinitos. O que faz Dom Casmurro ficar na memória por tanto tempo? Quais são os elementos que fazem com que o leitor chegue a acreditar que um vampiro, ou uma entidade fantástica possa existir? Criando fã clubes para um ser ficcional, por exemplo. Neste encontro, o escritor Kizzy Ysatis revela seus segredos para construção de um personagem convincente. Não só as dicas vindas de sua experiência de criador, mas também das leituras, dos autores nos quais se inspira.

Caminhos do Fantástico na literatura infanto-juvenil
com Marcelo Maluf

Grandes obras da literatura infantil e juvenil estão embebidas do elemento fantástico, o autor pretende apresentar nessa oficina possibilidades de uso do fantástico em suas diversas vertentes em textos infanto-juvenis. Apresentando referências e propondo exercícios de escrita para desbloquear o imaginário fantástico. E ainda: o universo fantástico na literatura infanto-juvenil, passando por nomes como: Michael Ende, Roald Dahl, Elsa Bornemann, caminhos de Lewis Carrol, do C.S.Lewis, Neil Gaiman, entre outros.

Tradução: mercado, processos e criação
com Petê Rissatti

A arte/ofício da tradução é muito mais amplo do que se imagina. Com a crescente visibilidade do tradutor, ainda assim a profissão carrega um certo mistério. Neste bate-papo, vamos apresentar as diferenças básicas do mercado tradutório, o dia a dia do profissional, o mercado editorial de tradução e os processos envolvidos. Além disso, também traremos à baila o papel de tradutor como intermediador cultural, a (des)valorização do profissional e, por fim, a legislação e o tradutor-criador.

Sobre listas, comunidades e ajudas

A internet é um manancial. De coisas boas e de coisas ruins. De gente dedicada e de gente folgada. Não é à toa que é considerada um simulacro do mundo real, onde também há tudo isso. A dar com o pau, diga-se de passagem.

E como aqui falamos de tradução e outras maluquices, algo tem me incomodado bastante nas “famosas” listas e comunidades de tradutores. Na verdade, várias coisas me incomodam nessas listas. Elas são úteis, as pessoas sabem onde encontrar os tradutores e os tradutores podem trocar ideias. Ao menos essa é a intenção, a finalidade primeira desse tipo de lista. No entanto, na realidade, não é isso que acontece em grande parte delas. Festival de brigas de foice, impropérios e discussões intermináveis e inúteis grassam nesse tipo de lista. Para usar a palavra da moda, o bullying contra os iniciantes é um fato e até mesmo contra participantes que já estão galgando degraus na carreira, mas ainda não tem todo o conhecimento do mundo, como muitos nessas listas pensam que têm. Infelizmente, a imagem refletida nessas listas é a de profissionais ferozes, extremamente competitivos, pouco dispostos a ajudar quem quer que seja.

A não ser algumas pessoas que, no fundo, não mereciam ajuda. Desculpem pela franqueza, mas a cara de pau de algumas pessoas me incomoda sobremaneira. Pedir ajuda é uma coisa, trepar nas costas dos colegas para conseguir algo é outra totalmente diferente.

E a ingenuidade maldosa (já explico o paradoxo) de outras pessoas também me deixam bem chateado.

Aprendi quando criança que, quando se ajuda alguém, não se alardeia. Muito menos se tripudia sobre a dificuldade alheia. Menos ainda se você ajudou naquele momento, mas pode precisar de ajuda na próxima esquina. E o que vi ocorrer no mundo virtual tradutório dias atrás me deixou com nojo. A pessoa ajuda a outra num lugar, aparentemente com toda a boa vontade, e desce o sarrafo na tal pessoa em outro canto internético, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Não tenho relação com nenhuma das duas pessoas, nenhuma ligação, mas me deu pena da primeira e (mais) raiva da segunda.

Essa não é a imagem que quero para mim. Não coaduno com esse tipo de coisa, abomino. Espero que os colegas me entendam e aqueles que ainda pensam que maltratar o próximo vai ajudá-lo de alguma maneira, repensem e relembrem sua época de iniciante. Basta isso para que talvez haja uma mudança. E volte a ser um prazer participar desse tipo de lista.

Proibido para menores

Imaginem a situação: seu pai, mãe, irmão ou amigo faz o seguinte e ingênuo pedido:

Posso ver meu e-mail no seu computador?

Você, mais que solicit@, fala Vai lá, fique à vontade. E sua tradução está aberta na tela. E a última linha, aquela atrai os olhares mais resistentes, traz a frase:

E aí, vai um boquete?

A pessoa olha. Olha novamente. Olha de novo e não acredita muito no que vê. Não pode ser! Como a pessoa escreve isso numa tradução?

É, nem só de frases lindas é feita nossa profissão. Às vezes nos deparamos com a situação na qual é necessário escrever o que está lá, sem floreios nem atenuações. Afinal, esse é o nosso trabalho, recriar de braços dados com o texto de partida e muitas dessas recriações exigem toques mais crus, menos floreados. Talvez isso seja um esforço grande para os mais pudicos, mas para a maioria de nós é apenas trabalho. Sempre discuto com amigos e peço a opinião deles sobre uma palavrinha de baixo calão utilizada numa tradução, qual seria o peso daquele termo aqui e “lá” e como melhor expressar o que o autor deseja passar.

Numa dessas discussões, uma amiga comentou: “Fiquei fula da vida, pois o autor claramente usava bunda e a revisora trocou tudo para bumbum. Aquela personagem nunca falaria bumbum!” Por isso é necessário ter tato para saber quando um fuck não passa de um “pô”, ou até mesmo um “poxa” e não um “porra”. Quando um scheißegal não precisa do primeiro elemento para dizer “tanto faz”.

Sim: contexto é tudo.

Por isso, todo cuidado é pouco. Muitas vezes, nem tudo o que reluz (ou fede) é ouro (ou merda).

A rede de segurança

Pelas tantas da minha leitura atual, O complexo de Portnoy, de Philip Roth (Cia. das Letras, excelente tradução de Paulo Henriques Britto), a personagem Alex, desabafando com o terapeuta suas agruras com a família, comenta que seu pai pensa a todo o momento nas “redes de segurança” que as pessoas devem ter durante a vida e não têm. Essa necessidade de segurança (o pai dele é corretor de seguros) é um dos elementos que fazem com que Alex busque o terapeuta para entender seus antagonismos, sendo ele um advogado bem sucedido e, ainda assim, infeliz.

Pensei muito nessas redes de segurança. E na nossa profissão-perigo.

Nós também temos uma rede de segurança (ou várias). Essa rede precisa trazer segurança ao tradutor e ele precisa ter em mente que essa rede não deve de forma alguma levá-lo à negligência. Por isso, deve ser um exímio acrobata, conhecer a corda na qual ele fará suas peripécias e dominar seus recursos como ninguém. Quase chover no molhado, essa história de entender do riscado, mas cada vez mais vejo como as pessoas não dão valor à própria profissão. Pessoas que se dizem tradutoras e se arvoram o direito de ensinar o Padre Nosso ao vigário. Que exigências fazer ao cliente se a contrapartida manquitola em frases mal escritas, imprecisões vocabulares e terminológicas?

“Vou fazer aqui qualquer coisa e a rede que me segure – o revisor, o preparador ou seja lá quem for.”

Ninguém é perfeito, nunca será. Erros acontecem. Há pouco, soube de um num livro que traduzi, quase morri de catapora. Apesar de o erro não prejudicar a compreensão do todo e a pessoa que achou o tal erro ter elogiado a tradução, me doeu como se todo o livro estivesse errado. Mas quando a gente vê um texto que simplesmente não foi bem tratado, que não houve interesse por parte do tradutor em pesquisar o melhor termo, o ritmo e todas as outras coisas que já sabemos (ou deveríamos saber) ao botar a mão na massa, nem nada disso, dá tristeza. Pelo desrespeito ao profissional que eu custei anos para admitir ser, por me chamar tradutor e saber que tantos que trazem o mesmo nome no peito não deveriam fazê-lo, não com tanta empáfia.

Perdoem o desabafo. Poucas coisas me tiram do sério. Uma delas é a falta de compromisso, não com uma pessoa, mas com uma classe inteira de profissionais.

Da arte de se comprometer

20111207-153018.jpg

Uma velha máxima de toda profissão, que se aplica obviamente à tradução: se prometeu, cumpra. A desculpa de que ‘paga pouco, então faço nas coxas’ ou ‘é só pro curso, não tem importância’ faz com que as pessoas tenham dúvida quanto a sua capacidade de comprometimento e isso pode ser uma mancha que nunca mais se apaga. Essa mácula será um dos fatores determinantes para o sucesso ou fracasso de um tradutor. Pior que o atraso de um serviço é o cliente sentir que o ‘job’ dele é tratado como qualquer coisa. E mesmo que seja qualquer: você aceitou a bronca, agora leve até o fim e com dignidade.
E isso não vale apenas para o seu cliente. Vale também para os colegas tradutores que, não raro, indicam a gente quando não conseguem ou não sabem o que fazer com aquela patente complicada, com aquele manual técnico infernal ou receitas de bolos e doces diversos. Você levará o nome do colega contigo, então faça bonito para você e para ele também.

Por isso, como diz o capitão Nascimento: missão dada é missão cumprida.

Os prós do ProZ (ou “ele continua…”)

Nos dias 12 e 13 de novembro aconteceu a III Conferência do ProZ no Rio de Janeiro. Para quem não sabe, ProZ é um portal de tradutores no qual você troca experiência, encontra clientes e fica sabendo as últimas novidades sobre tradução, no sentido mais amplo. Do início ao fim a conferência foi ótima, orquestrada pelo Filipe Alverca que, com toda a paciência e profissionalismo, conseguiu tornar esse fim de semana no Rio muito proveitoso.

Mas a melhor parte de tudo isso foram as pessoas. Pude conhecer pessoalmente muita gente boa, tradutores de renome que a gente vê nas páginas de rosto dos livros ou conhece pelo destaque no setor, outros que fazem e acontecem com a tecnologia e muitos outros que estão no início da carreira. Todos muito empenhados em contribuir como podiam e fazer do congresso uma grande celebração à tradução. Tomei longos cafés com amigos queridíssimos do Rio, sempre acompanhado pelos também queridos paulistanos, mesmo aqueles que moram tão longe (na Inglaterra, pra ser mais específico). Troquei poucos cartões, mas muita experiência com as pessoas e valeram muito a pena esses dias de sol e chuva…

Sem mencionar o visual do Rio de Janeiro. Ai, ai… ele continua lindo.

40 minutos

lost in translation

Quarenta minutos para terminar o dia do tradutor e não escrevi nada sobre a data. Nem uma linha inteira que valesse a pena, nem cheguei a 140 caracteres. Desde que abracei a profissão tem sido assim: dia de tradutor é mais um dia de trabalho, mais um dia para resolver a vida. Mas hoje tive um prazer que nunca antes experimentara: passei o dia do tradutor do jeito que quis, com pessoas queridas e um pouco sozinho, com estranhos em vários cantos do mundo numa conferência virtual e, também virtualmente, com outras pessoas que em tão pouco tempo ocuparam um grande espaço na minha vida.

Todos tradutores, diga-se de passagem.

Por isso, nesses últimos quarenta minutos que encerrarão mais um dia 30 de setembro, desejo de verdade e sem titubear que todos fechem seu dia felizes pela profissão que escolheram ou na qual estão prestes a entrar. Como disse uma amiga hoje, ali no Twitter: parabéns pela difícil arte da tradução. Porque é uma arte.

Grande abraço a todos!

Imagem: George Stavrinos, Flickr

Dois eventos: um já-já, outro daqui a pouco

Minhas gentes, saudadocês, viu?

Mas a vida tá doidinha. Daí já viram, né?

Por isso, passei aqui rapidinho para divulgar dois eventos. Tudo bem que um deles está em cima da hora, mas acredito que valerá a pena, então vamos lá:

TRANSFUSÃO – I Encontro de Tradutores do Centro de Estudos de Tradução Literária “Casa Guilherme de Almeida”. Acontece de 30 de setembro a 3 de outubro e o evento é totalmente gratuito. As inscrições (acho que ainda dá tempo) devem ser feitas por e-mail ou telefone, diretamente com o Centro de Estudos. Mais informações, clique aqui.

III Conferência proZ.com no Rio de Janeiro – 12 e 13 de novembro. Evento organizado pelo site proZ.com sobre tradução e afins, uma ótima oportunidade para rever amigos, conhecer colegas e saber mais sobre o que acontece no mundo da tradução. As inscrições de “early bird” foram prorrogadas até a próxima sexta-feira, 30 de setembro. Mais informações, clique aqui.

Nos vemos lá?

Versão: um erro conceitual

Na área de tradução no Brasil (não sei se em outro país isso também ocorre) convencionou-se chamar de versão qualquer texto que parta do nosso idioma para um idioma estrangeiro. Talvez seja uma implicação não apenas minha de que esse termo não apenas significa pouca coisa no que diz respeito ao ato tradutório, mas também carregue consigo uma ideia perigosa que ainda grassa na mente dos leigos: que a tradução seja um espelho do texto original. Nesse caso, cabe muito bem o termo versão que, grosso modo, seria apenas uma modificação de um mesmo produto, ou seja, “versionar” um texto, como muitos dizem fazer, significa alterar algo existente e o resultado: a mesma coisa.
Para quem leva a tradução a sério, é claro que no título do livro de Umberto Eco sobre tradução, “Quase a Mesma Coisa”, o quase carrega muito mais do que se imagina. E considerar o texto traduzido o mesmo texto que o original em outro idioma pode indicar duas coisas: tremenda ingenuidade ou, no pior dos casos, temerosa má-fé. Juridicamente temos a prova de que o texto traduzido não é a mesma coisa coisa nenhuma. Pela lei dos direitos autorais, o tradutor é considerado nada menos que o coautor da obra autor de obra derivada (muito obrigado, Denise Bottmann), pois o tradutor, na condição de humano, cria um novo texto a partir de outro texto codificado em outro idioma (ou original), sendo ele elaborado, pensado e transformado, e não apenas processado, como faria uma máquina.
Talvez eu seja cri-cri, talvez implique com bobagens. Porém, as palavras escondem camadas e segredos e os tradutores devem estar afeitos às mirabolâncias da língua. Para quem acredita que é tudo a mesma coisa, coloque seus textos num tradutor eletrônico e sinta a diferença de não ter um ser pensante no comando…

P.S 1.: Agradeço à Ana Iaria pela ajuda com o tema.

P.S. 2: A correção muito pertinente por quem entende do assunto. Denise Bottmann, sempre atenta, veio ao auxílio da questão, indicando que não seria coautoria a tradução, mas autoria de obra derivada. Está no comentário da Denise, mas coloco aqui também o link para a Lei dos Direitos Autorais: http://www.planalto.gov.br/Ccivil_03/Leis/L9610.htm

Errando e aprendendo

20110709-053435.jpg

Os erros são parte importante da vida.

Algo que faz parte da vida de todos, mas que fica cada vez mais difícil de as pessoas aceitarem: o aprendizado com erros e acertos. Todos estamos fadados a errar e ter a glória do acerto na conta, mesmo assim poucos se dão conta do valor da falha na vida de todos. Cada vez mais as pessoas tentam jogar seus erros para debaixo do tapete e expor acertos como troféus de uma vida ilibada. Ora, se todo mundo erra, por que teimamos em nos esquivar e às vezes atribuir ao alheio a nossa falha? Assim fazem os pais, quando não aceitam que seus filhos têm problemas, que muitas vezes foram causados por eles próprios, ou quando fazemos vista grossa aos defeitos de nosso amor para evitar atritos. Até mesmo entre amigos, muitas vezes, temos medo de repreendê-los e, ao meu ver, a partir do momento no qual não temos a liberdade de dizer a quem gostamos que ele ou ela está errado (ou nos melindramos ao ouvi-lo), não há amizade sincera.

Tenho uma historinha sobre os erros e a capacidade de aceitá-los para melhorar. Numa aula de pós, o prof. João Azenha nos apresentou um trecho de um livro traduzido e pediu para que apontássemos os problemas daquela edição, comparando-o com o original. Na primeira parte da aula encontraríamos os problemas e discutiríamos na segunda parte. Quando a segunda parte da aula começou, houve um bombardeio: eram erros recolhidos por nós, imprecisões que achávamos e outras coisas que eram mais implicações que erros de verdade. Azenha só anotava e dava duas próprias opiniões. No fim, disse algo assim:

— Traduzi esse livro no início da minha carreira, ainda engatinhando na tradução. Suas observações foram ótimas, quem sabe se eu puder um dia refazer essa tradução eu possa usá-las.

Houve um silêncio constrangedor, seguido de risadas. João se expôs, mostrou seus erros e como anos depois conquistou um lugar entre os profissionais mais respeitados. Acredito que tenha feito isso para mostrar o quanto aquele primeiro degrau, meio torto e capenga, fez com que ele chegasse lá. Sem aqueles erros ele não teria aprendido a acertar, sem os acertos os erros ficariam irreconhecíveis. Assim é na tradução e, muito antes, na vida.
Por isso, não tenha medo de errar. A lição estará logo ali, te esperando…

Correndo a favor do tempo…

20110625-033823.jpg
Há pouco mais de um mês me tornei 100% autônomo, o que até então era um sonho longínquo. Por diversos motivos que não cabem neste blog, tomei coragem e me lancei no desconhecido. Até agora, 25 de junho, tudo corre muito bem, obrigado. A única coisa que tem me deixado cabreiro é o que deve deixar todo tradutor autônomo maluco: o famigerado prazo.
Tenho uma cabeça ainda de peão, a pressão ainda é o fio condutor de muitas das coisas que faço. Se há pressão, há produção. Aos poucos, porém, tenho aprendido a gerenciar meu tempo de forma que eu possa aproveitar o que minha escolha me trouxe de melhor (ou seja, um controle sobre minhas atividades durante o dia e a decisão sobre fazer ou não um serviço) e controlar o que ela ao mesmo tempo proporciona, uma liberdade nunca antes experimentada por mim na história deste País. Há um tempo comentei aqui sobre o esquema pomodoro que para mim funciona quando a concentração resolve dar uma volta no sofá ou quando há metas muito urgentes. Mas cada um lida como se sente melhor com a famosa tia Dédi Laine, senhora maldosa e sádica, sempre com um chicotinho na mão e o salto-agulha pisoteando nosso teclado (me lembrou a Mara Tara, do Angeli).
Agora quero saber de vocês: como gerenciam o tempo e fazem 24 horas renderem?

Sentir a tradução

Foto da Deutschlandradio.de - Kultur (http://www.dradio.de/dkultur/sendungen/thema/1149150/)Agora que já está publicado, posso falar sobre um dos livros que traduzi no início deste ano, mas não com o intuito de fazer um jabá básico, mas para comentar algo que todos os tradutores devem sentir em maior ou menor medida durante a tradução. Não é sono, nem tédio, nem cansaço, coisas normais durante textos mais longos como um livro. Mas aquele envolvimento que a gente nunca imagina quando inicia uma nova empreitada dessas, que pode envolver diversos sentimentos: raiva, tristeza, ódio, alegria… mais uma loucura das nossas aventuras tradutórias.
Posso dizer que me diverti muito ao traduzir Sincero – a história real e bem-humorada de um homem que tentou viver sem mentir (Verus Editora), do jornalista alemão Jürgen Schmieder. Este livro caiu nas minhas mãos quase por acaso, após eu ter declinado por conta do prazo (sempre ele, merece um post no futuro) um outro livro. Eis que o retorno da minha recusa foi este livro divertidíssimo pela mesma editora, o que vejo hoje como uma troca muito feliz. Quando li o índice do livro já tive a primeira certeza: vou rir com este livro. E não deu outra, me peguei muitas vezes gargalhando entre uma frase e outra, entre uma história e outra desse jornalista maluco que resolveu passar a quaresma sendo sincero com tudo e com todos, doesse a quem doesse. Vivi com esse cara durante uns três meses, enlouquecido com outro alemão (o Domscheit-Berg, do Wikileaks), e compartilhei meu texto com ele para que o cara falasse em português de suas desventuras engraçadas.
Mas também me emocionei, claro. Não vou dar uma de spoiler aqui, mas há um trecho que com certeza vai deixar quem lê-lo incomodado. E quando me peguei emocionado, traduzindo com aquela dorzinha no coração, lembrei de uma palestra da profa. Viviane Veras no V CIATI, na qual ela comentou sobre intérpretes que precisavam fazer intermediações entre criminosos e vítimas em guerras africanas. Não há maneira de ser imparcial num caso desses, em quase nenhum caso no qual as palavras, sentimentos e ações passam pelo crivo de nosso cérebro. Ou seja, tradução é antes de mais nada interpretação na maior parte das vezes (se não sempre) e nós estamos ali, a cada palavrinha pensada, refletida e processada, até o texto final.
Acredito que por isso dê aquela pontinha boba de orgulho quando vemos o livrinho nas prateleiras das livrarias…

Tradução e tecnologia combinam?

Já respondo: sim, definitivamente sim. E quem ainda não acordou para isso ainda mais cedo ou mais tarde estará fadado a tomar um chega pra lá do mercado. Semana passada houve uma despedida da última fábrica de máquinas de escrever do mundo e aposto que diversos tradutores sentiram o coração doer com essa notícia. Não duvidaria se alguém me dissesse que algum ainda prefira a linda Olivetti cinza ou a IBM eletrônica (que tem até memória!) e posso dizer uma coisa sem medo e sem piedade: o mundo mudou e quem não acompanhar a cavalgada louca dele vai cair do cavalo.
Ouvi uma história de um amigo tradutor que foi dar aula de Wordfast ara uma colega (se não sabe o que é, google it). Ele primeiro explicou como funcionava e tudo mais e disse: agora vamos começar a tradução! A colega, mais que depressa, pegou seu caderninho e começou diligentemente a traduzir com sua linda canetinha Bic.
Tradutor não deve apenas estar antenado com sua área e correlatas, com as últimas teorias (há quem diga que são inúteis, de quem discordo) e com as tecnologias em tradução que são diversas, tantas que assustam. Não se restingem às famosas memórias de tradução (CAT [Computer Aided Translation] tools), mas há programas de alinhamento, edição e correção de código, conversão de arquivos, ferramentas de terminologia e muitos outros.
E você ainda com suas fichas pautadas?
Por isso dou uma dica ao iniciante e ao já experimentado que ainda não se aventurou no mundo da tecnologia: visite blogs brasileiros e estrangeiros, fuce na internet e entre em comunidades de tradução e tecnologia. Procure colegas que sejam feras no computador, corra atrás de cursos. Assim o mercado naturalmente vai se aproximar de você e você do que rola por aí em materia de tecnologia.

PS: Recomendo dois blogs muito bacanas: o Tradução Via Val
e o Tradutor Profissional . De lá, com certeza você encontrará muitas coisas bacanas por aí.
PS 2: Voltei!

Quem mexeu no meu texto?

Já comentei aqui sobre a eterna briga entre tradutores e preparadores/revisores, sobre mandos e desmandos e sobre brios e sentimentos feridos. Uma das conclusões às quais cheguei (corroborada por diversos comentários aqui e ao vivo) é a de que a solução seria um trabalho conjunto (sinérgico, como gosta o pessoal da administração e afins) do início ao fim do processo editorial. Inclusive comentei que já houve tentativas, mas não soube se foram bem sucedidas.
O que vejo ainda é um sistema estilo Escravos de Jó: um põe o texto, outro tira, outro põe, o próximo tira, sem que as pessoas se relacionem de verdade. Não há troca, essa atividade humana tão benéfica, mas apenas assunção (ou entrega) de responsabilidades (ou de acusações). Foi o tradutor, ou o preparador, às vezes o editor ou o revisor… e não há uma discussão sadia. Mas quando o livro aterrissa na livraria começam os ataques e a pancadaria. Estou para ver um mea culpa nesse jogo, de qualquer lado. Difícil, não é?
Não seria se, a fogueira não fosse de vaidades e apenas aquecesse, sem chamuscar os envolvidos. Por isso é imprescindível que os papéis sejam repensados e que o limite de cada elemento no processo de feitura de um texto seja bem delineado, sem que haja coibição da criatividade de ninguém. Funções estabelecidas, próximo passo seria a conscientização de todas as partes interessadas: tradutor faz um trabalho decente, preparador se esmera em deixar o texto redondo sem descaracterizá-lo, revisor toma conta da parte mais técnica e editor/cliente/agência (de preferência com o tradutor) dá a palavra final, bate o martelo e publica ou entrega ao cliente final. Sei que não é tão simples, uma situação praticamente ideal, mas acredito que se todo mundo estiver no mesmo ritmo, acreditar que o barco é um só, ninguém vai querer remar contra.
Que vocês acham?

(Eu acho que agora eu vou tomar porrada… Vai vendo…)

Ganhar e/ou perder

Nem sempre ganhamos ou perdemos na vida. E isso se aplica sobremaneira à tradução. Voltei a pensar nessa questão depois de uma das aulas do curso sobre dificuldades de tradução literária, ministrado pelo prof. Maurício Santana Dias, tradutor de italiano e acadêmico. Uma participante do curso perguntou sobre trocadilhos, expressões idiomáticas e afins, ficou mais do que claro que devemos contar com um imenso jogo de compensações.
Lembro da Maria Alice Vergueiro, num dos episódios de “Tapa na Pantera”, dizendo ‘fuma aqui, toma um chá, fuma aqui, toma um chá’. Na tradução acontece um pouco dessa forma: ganha aqui, perde ali, ganha ali, perde lá, numa sucessão que é o risco assumido pelo profissional. E isso não se restringe à tradução literária, mas a todo o tipo de tradução, pois esse jogo das compensações também se aplica à tradução não literária. Quando se percebe que a tradução não é um jogo de espelhos, fugindo da ideia de palavras e frases como compartimentos estanques que recebem o conteúdo de outros compartimentos estanques, esse jogo começa a ficar mais prazeroso e interessante.
Traduzir é escolher. Escolher é enfrentar. Não é possível afastar-se dessa afirmação no mundo da tradução, ou seja, não dá para deixar as opções lá e dizer: “Oi leitor, escolha a que melhor se encaixe ao seu gosto, ideologia, modo de pensar etc.”. Numa análise de uma tradução, surgiu o comentário de que uma palavra utilizada por ele, logo no início do texto, estava carregado de significados dentro do contexto daquela obra. O tradutor, corajosamente, ultrapassou a barreira das definições dicionarizadas e inseriu naquela obra um dado que talvez nem o próprio autor teria pensado. Abuso? Não, criatividade. Pois a palavra inserida não prejudicou em nada o sentido do texto, não fugiu, digamos, de um “alcance” semântico da palavra escolhida para o autor. Ao mesmo tempo, trouxe um dado importante da obra logo no início, informação que foi mesmo pensada pelo tradutor.
E aí nos diferenciamos da máquina.
Quando fazemos nossas escolhas conscientes, descobrimos nossa voz dentro da obra ou do texto e tornamos essa voz mais alta que a voz do texto na língua fonte. Não precisamos encobri-lo por completo, mas no texto traduzido deve prevalecer a voz do tradutor. Em resumo, num conceito bastante caro nos dias de hoje: recriação.
Por isso, da próxima vez que estranhar uma tradução (e para usar um jargão, “salvo erro manifesto”), pense que o tradutor escolheu aquela frase/palavra/termo com cuidado. Ou ao menos deveria tê-lo feito. Pois é exatamente o que fazemos o tempo todo. Escolhas.

20110428-064827.jpg

A guerra das máquinas no mundo da tradução

Por acaso, hoje me caíram na mão duas mensagens sobre tradução automática (oi, Google Translate, já ouviu falar?), uma pessimista (ou sensacionalista com intenção de chamar público para uma palestra) e outra otimista. Por motivos éticos, me abstenho de identificar a primeira, digo apenas que tinha algo a ver com tradutores dizimados pelo poder dos programas de tradução automática. A segunda veio na edição de março de 2011 da ATA Chronicles, revista da ATA (American Translators Association) e esclarece alguns pontos sobre tradução automática e um deles já era previsto: ela está cada vez melhor. Ao colocar um texto sem muitas elocubrações num tradutor automático (e o mais preciso de acordo com os testes feitos pelo autor do artigo, Grant Hamilton, é o Google Translator), podemos conseguir um texto legível, muito diferente do que há pouco essas ferramentas produziam. Um ajuste aqui, outro ali e voilá, temos um texto razoável. O teste foi feito do francês para o inglês, idiomas com estruturas parecidas, mas diferenças vocabulares imensas e, mesmo assim, ele se saiu bem. Então, será que viraremos grandes revisores do que as máquinas executarem? Não é bem assim, como também comenta Hamilton. Prova disso é a tradução que ele apresenta, feita por uma pessoa de carne, osso e loucuras, que consegue transformar o texto asséptico, traduzido quase como um decalque (palavra por palavra), numa frase criativa. E esse é o ponto que ele chegou e no qual quero chegar: a criatividade. Coisa que por enquanto apenas os humanos (nem todos, diga-se de passagem) possuem e utilizam (novamente, nem todos) para se sobressair à rapidez e precisão da máquina. E qual é o segredo para o cultivo dessa criatividade? Não tem muito segredo além da dica de Grant Hamilton, nenhum segredo para quem está no ramo da tradução, que deve obrigatoriamente fazer parte da vida do tradutor: leitura, leitura e muita leitura no texto fonte e, principalmente, no texto alvo de tudo que você puder. Tudo que seja útil para despertar em você novas noções e soluções de escrita, estudo profundo do idioma alvo é outra coisa imprescindível, mas não apenas em sua norma culta e bela, mas nos seus desvios e desmandos, pois é disso que o ser humano é em grande parte feito. Saber impecavelmente para poder pecar, conhecer meandros e reentrâncias do corpo da língua, cada dobrinha deve ser devassada para que você possa ousar. Dica velha, mas que é válida e necessária para que as teorias do caos alardeadas alhures não acompanhe você nos seus sonhos e se tornem pesadelos.

PS.: Aos poucos vou transformar este blogue num portfólio apenas. Mas o blogue não vai acabar, já estou preparando surpresas (é, eu não sossego mesmo).

Algumas ferramentas úteis para tradutores

Sempre falo aqui de questões de tradução e de outras rinhas e querelas, mas agora vou falar de algo mais prático. Tentarei tornar isso um costume e sempre a relação será com os pares de idioma com os quais trabalho, o inglês e o alemão. Essas ferramentas são um apoio ao ofício, mas só valem mesmo a pena se o tradutor souber o que está procurando e como identificar a melhor opção para utilizar. Nunca é demais lembrar que essa é a essência do nosso trabalho: encontrar a palavra certa. Comentarei hoje sobre três ferramentas on-line que tiveram como base o alemão e o inglês, se expandiram rapidamente e hoje contam com outros idiomas.

O LEO – Links everything online é um dicionário que trabalha com os pares inglês, francês, espanhol, italiano, chinês e russo para o alemão e vice-versa. Sempre o idioma de partida terá como chegada o alemão, ou quando o idioma de partida é o alemão para os outros idiomas. A parte interessante do LEO, além da divisão da busca por substantivos, verbos, advérbios, preposições/pronomes, expressões/ditados, e que também conta com um fórum bastante ativo, no qual é possível encontrar outros termos e grupos de palavras que ainda não estejam no banco de dados.

O dict.cc começou como um dicionário alemão-inglês e hoje conta com diversos idiomas. De acordo com o site, não é apenas um dicionário on-line, mas uma tentativa de criar uma plataforma colaborativa, na qual os usuários de todas as partes do mundo possam colaborar com seu conhecimento. Além do uso on-line, também há a possibilidade de baixar dicionários para uso off-line, na guia Download. Uma ótima alternativa ao LEO, quando ele não encontra uma palavra. Diversas vezes encontrei o que precisava no dict.cc quando não encontrei no LEO.

Há uns meses descobri o Linguee, que tem como lema "a web é um dicionário". Ele trabalha com um banco de dados com cerca de 50 milhões de traduções vindas de documentos de instituições internacionais, como a União Europeia, patentes on-line e outra páginas bilíngues. Cada trecho dessa grande memória de tradução traz o link do qual foi retirado. Diferente dos dicionários on-line, que se limitam a termos e pequenos grupos de palavras, estruturas das mais diversas podem ser pesquisadas com um grande índice de sucesso. Há também uma indicação de confiabilidade da fonte e precisão dos termos pesquisados. Há diversos pares de idiomas disponíveis para consulta.

É isso. Na próxima semana, tentarei colocar mais ferramentas aqui. Espero que ajude ao iniciante no ofício e aos colegas já há mais tempo na estrada tradutória.

Powered by Qumana