Finalmente! (ou “O reclamão”)

Favor não reclamar! Isso eu mesmo faço!!!

Vi meus últimos posts sobre tradução e cheguei a uma conclusão bem simples: nossa, como eu reclamo! Tudo bem que todas as reclamações foram justificadas e, pelo tom daquilo que escrevi, eu estava numa maré de azar danada. Pegando trabalhos que não compensaram a dor de cabeça de tanta pesquisa, mudança e correção de coisas que deviam chegar muito melhores nas mãos do preparador.

Por isso, FINALMENTE, eu venho aqui para dizer que hoje estou bem satisfeito. Além de ter na fila de traduções dois livros deliciosos, estou preparando um livro atualmente que merece palmas. Não posso dizer o nome do livro, mas não deixarei de falar o nome da tradutora que me deixou tão satisfeito e esperançoso: Claudia Abeling. Tradutora do alemão, seu texto é bastante fluido, consegue manter a poesia onde é necessário e seguir os caminhos que a autora do livro percorreu, sem deixar o livro com aquela… “cara de tradução”. Com certeza, o livro não foi tarefa tranquila, autora bastante experimental, com uma prosa ríspida, mas ao mesmo tempo poética, um mergulho profundo na alma humana e naquilo que é o pior que já se pode inventar: as ditaduras, políticas ou não. Assim que o livro for publicado, escrevo algo aqui sobre ele.

Por motivos óbvios, a gente dá nome apenas aos bois premiados. Aos incompetentes é melhor o anonimato. Pois quem pode, fica. Quem não pode, logo tomba. Assim espero…

Prática da Escrita V

Já comentei aqui de um evento que a Terracota editora faz há 5 anos chamado Prática da Escrita, organizado pelo escritor, professor e amigo Claudio Brites. Sempre é bastante aproveitoso, a cabeça sai fervilhando de ideias para aplicar na escrita e na vida, há reencontro de amigos queridos e muita gente para conhecer.

Palestras de manhã, oficinas à tarde, sempre muito animadas.

Mas este ano será um pouco diferente. Ao menos para mim. Pois vou conduzir um bate-papo sobre tradução para quem deseja saber mais sobre a profissão tradutor, com ênfase na tradução editorial. Algo bastante informal para a gente discutir quais os caminhos possíveis do mercado.

Para se inscrever, clique aqui. Vejam a programação completa:

Coordenação: Claudio Brites

O Encontro Prática de Escrita acontece informalmente desde 2001, mas há cinco anos o evento ganhou periodicidade e formato e vem se tornando parte da agenda de quem gosta de literatura.

O principal objetivo do encontro é reunir pessoas que não só apreciam a literatura, mas também tudo que circunda a prática de escrita literária.

A programação é dividida em dois tempos, o primeiro gira em torno das mesas com palestrantes, que discorrem sobre assuntos que permeiam o universo literário; o segundo tempo é das oficinas de estudo e criação.

Pelo evento já passaram nomes como: Milton Hatoum, Marcelino Freire, Cadão Volpato, Nelson de Oliveira, Raphael Draccon, Roberto de Souza Causo, Edson Cruz, Eric Novello entre outros.

A primeira parte da programação terá como convidadas só mulheres. Na primeira mesa, a escritora Ivana Arruda Leite bate um papo sobre sua obra com a roteirista e escritora Luciana Penna. Na segunda mesa, as escritoras e professoras de criação literária Monica Martinez e Nanete Neves conversam sobre caminhos e possibilidades da escrita como profissão, mediadas pela redatora, blogueira e revisora Lu Reis.

Na segunda parte, temos oficinas com Bruno Cobbi, Kizzy Ysais, Marcelo Maluf e Pête Rissatti.

Este ano o evento acontece em 3 de março de 2012, no campus Liberdade da Universidade Cruzeiro do Sul.

Quando: 3 de março de 2012.

Horários: mesas das 9h45 às 12h30 e oficinas das 13h45 às 16h30

Onde: Universidade Cruzeiro do Sul – campus Liberdade

Rua Galvão Bueno, 868 (próximo ao metrô São Joaquim)

Entrada Franca


Programação

Mesa 1 – das 9h45 às 11h
A prática de criação de Ivana Arruda Leite
Convidada: Ivana Arruda Leite
Mediação: Luciana Penna

A escritora fala sobre sua obra e como se dá seu processo de criação. Quais são os percalços que envolvem a realização do conto, do romance, do infanto-juvenil. Dando dicas sobre editoras, culinária e séries de televisão.

Mesa 2 – das 11h15 às 12h30
Profissão escritor
Convidados: Monica Martinez e Nanete Neves
Mediação: Lu reis

As escritoras e professoras de criação literária Monica Martinez e Nanete Neves falam sobre o mercado editorial para o escritor: biografias, livros institucionais, ghostwriter, oficinas. Como as coisas caminham e como é a realidade de quem vive da escrita literária.

Oficinas de Criação literária – das 13h45 às 16h30

Narrativa Multimídia
com Bruno Cobbi

Partindo de estudos de casos nacionais e estrangeiros que transcendem seus canais originais, o publicitário e escritor Bruno Cobbi vai guiar os participantes entre referências em livros, quadrinhos, internet, games e cinema para debater como as novas mídias estão mudando nossa forma de encarar o mercado e produzir arte.

As discussões sobre a produção multimídia dentro e fora do país são combinadas com exercícios para prática do raciocínio narrativo e exploração da multimídia. A oficina visa materializar não só o planejamento como produções de narrativas em multimídia.

A criação do personagem
com Kizzy Ysatis

Este encontro foca no coração da narrativa: os personagens. Seja em um enredo fantástico ou realista. Grandes personagens vão além de seu criador. Polifônicos, infinitos. O que faz Dom Casmurro ficar na memória por tanto tempo? Quais são os elementos que fazem com que o leitor chegue a acreditar que um vampiro, ou uma entidade fantástica possa existir? Criando fã clubes para um ser ficcional, por exemplo. Neste encontro, o escritor Kizzy Ysatis revela seus segredos para construção de um personagem convincente. Não só as dicas vindas de sua experiência de criador, mas também das leituras, dos autores nos quais se inspira.

Caminhos do Fantástico na literatura infanto-juvenil
com Marcelo Maluf

Grandes obras da literatura infantil e juvenil estão embebidas do elemento fantástico, o autor pretende apresentar nessa oficina possibilidades de uso do fantástico em suas diversas vertentes em textos infanto-juvenis. Apresentando referências e propondo exercícios de escrita para desbloquear o imaginário fantástico. E ainda: o universo fantástico na literatura infanto-juvenil, passando por nomes como: Michael Ende, Roald Dahl, Elsa Bornemann, caminhos de Lewis Carrol, do C.S.Lewis, Neil Gaiman, entre outros.

Tradução: mercado, processos e criação
com Petê Rissatti

A arte/ofício da tradução é muito mais amplo do que se imagina. Com a crescente visibilidade do tradutor, ainda assim a profissão carrega um certo mistério. Neste bate-papo, vamos apresentar as diferenças básicas do mercado tradutório, o dia a dia do profissional, o mercado editorial de tradução e os processos envolvidos. Além disso, também traremos à baila o papel de tradutor como intermediador cultural, a (des)valorização do profissional e, por fim, a legislação e o tradutor-criador.

Sobre listas, comunidades e ajudas

A internet é um manancial. De coisas boas e de coisas ruins. De gente dedicada e de gente folgada. Não é à toa que é considerada um simulacro do mundo real, onde também há tudo isso. A dar com o pau, diga-se de passagem.

E como aqui falamos de tradução e outras maluquices, algo tem me incomodado bastante nas “famosas” listas e comunidades de tradutores. Na verdade, várias coisas me incomodam nessas listas. Elas são úteis, as pessoas sabem onde encontrar os tradutores e os tradutores podem trocar ideias. Ao menos essa é a intenção, a finalidade primeira desse tipo de lista. No entanto, na realidade, não é isso que acontece em grande parte delas. Festival de brigas de foice, impropérios e discussões intermináveis e inúteis grassam nesse tipo de lista. Para usar a palavra da moda, o bullying contra os iniciantes é um fato e até mesmo contra participantes que já estão galgando degraus na carreira, mas ainda não tem todo o conhecimento do mundo, como muitos nessas listas pensam que têm. Infelizmente, a imagem refletida nessas listas é a de profissionais ferozes, extremamente competitivos, pouco dispostos a ajudar quem quer que seja.

A não ser algumas pessoas que, no fundo, não mereciam ajuda. Desculpem pela franqueza, mas a cara de pau de algumas pessoas me incomoda sobremaneira. Pedir ajuda é uma coisa, trepar nas costas dos colegas para conseguir algo é outra totalmente diferente.

E a ingenuidade maldosa (já explico o paradoxo) de outras pessoas também me deixam bem chateado.

Aprendi quando criança que, quando se ajuda alguém, não se alardeia. Muito menos se tripudia sobre a dificuldade alheia. Menos ainda se você ajudou naquele momento, mas pode precisar de ajuda na próxima esquina. E o que vi ocorrer no mundo virtual tradutório dias atrás me deixou com nojo. A pessoa ajuda a outra num lugar, aparentemente com toda a boa vontade, e desce o sarrafo na tal pessoa em outro canto internético, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Não tenho relação com nenhuma das duas pessoas, nenhuma ligação, mas me deu pena da primeira e (mais) raiva da segunda.

Essa não é a imagem que quero para mim. Não coaduno com esse tipo de coisa, abomino. Espero que os colegas me entendam e aqueles que ainda pensam que maltratar o próximo vai ajudá-lo de alguma maneira, repensem e relembrem sua época de iniciante. Basta isso para que talvez haja uma mudança. E volte a ser um prazer participar desse tipo de lista.