Pinóquios modernos

Acabei de ler, não sem grande espanto, o drama quase profético em três atos do escritor Karel Tchápek (em tcheco, Karel Čapek) chamado A fábrica de robôs (Ed. Hedra, trad. do tcheco de Vera Machac). A história da peça não é novidade para nós, seres pós-modernos que já vimos inúmeras revoluções hollywoodianas acontecerem diantes dos nossos olhos: no mundo distópico criado por Tchápek, o doutor Rossum consegue criar um ser muito semelhante ao homem, porém desprovido de sentimentos, criatividades e sensações, o qual ele dá o nome de robô (que em tcheco significaria algo como servidão, trabalho forçado), palavra utilizada pela primeiríssima vez nessa obra e depois incorporada por praticamente todos os idiomas. A produção desenfreada de robôs para livrar o homem do trabalho braçal e mecânico leva a uma crise que seria o vislumbre do ocaso da humanidade. Se ainda há esperança, não serão os humanos que poderão responder?

Contudo não foi a história bem contada nos três atos, que também explora o machismo, as relações humanas deturpadas por interesses e a ganância do homem por fama, posição social e bens materiais, mas sim o fato de ela ter sido escrita em 1920, pouco depois da Primeira Grande Guerra. A visão de Tchápek sobre a sociedade de consumo que já florescia, muito provavelmente, foi encarada com certo desdém pelo grande público, contudo incomodou não apenas os circulos sociais da época, mas também os nazistas. Uma pequena biografia e um texto sobre a importância de sua obra para a literatura do século XX é bem explicada num ensaio do tradutor de línguas do Centro-Leste Europeu e professor universitário Aleksandar Jovanović.

Vale a pena!

 

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