Música ao vivo

Teatro Caupolican, Santiago de Chile Domingo 1...
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Não, não tenho nada contra música ao vivo, inclusive acho louvável quem ganha a vida com isso e muitos artistas que gostamos começaram assim, cantando na noite. Sou contra a febre que se instalou (ao menos aqui em Sampavelox, salve Prensada) de todo lugar ter um artista dedilhando seu violãozinho e cantando Djavan. Indiscriminadamente. Vou dar um exemplo:

Você está no shopping, com pressa e precisa comer algo rápido. Quer paz para esse momento, pois a manhã já foi atribulada e os quatro cavaleiros do apocalipse esperam o seu break para continuar o dia. Você pega sua comida, senta numa mesa disputada por engravatados, vendedores, desocupados e afins até que ouve:

“Amar é um deserto e seus temooooreees…”

Acabou a paz. Aquele momento em que seria suficiente o burburinho das praças de alimentação ou o vai e vem de garçons atendendo as mesas. Outra situação típica:

Você combina durante toda a semana para encontrar amigos no sábado e colocar a conversa em dia, expor problemas ou ouvir lamentações, ou dar risada e falar muita besteira. Combinam naquele restaurante japa que já foi melhor, mas onde a minicascata e casa com grande quintal deixam o ambiente agradável. Você e os amigos se encontram, se abraçam, entram no restaurante, pedem rodízio para os quatro com os respectivos shimejis (uma porção sem repetição), hot rolls, temakis e outras iguaria. E ouvem:

“Açaí guardiã, zum de besouro imã, branca é a tez da manhã… Açaí…”

Se o espaço não for grande o suficiente para você ficar longe do cantor, você sairá provavelmente com dor de garganta do restaurante e seus vizinhos de mesa tranquilamente compartilharão de sua conversa. Experiência desagradável pela qual já passei, aos berros e sem entender direito o que os amigos diziam, dor de cabeça no fim da noite.

Repito, não tenho nada contra música ao vivo. Nem contra Djavan, acho um cantor muito bom. Porém não suporto a ideia que os donos de estabelecimentos têm de que todo mundo tá afim de uma musiquinha enquanto faz qualquer coisa. E musiquinha alta para que todo mundo ouça como o artista é “bom”. Se tem gente que gosta? Claro que tem. E respeito. Mas me dou o direito de dar meia volta e ir para outro lugar, onde a musiquinha ambiente vai me deixar conversar ou ter um momento de tranquilidade.

Agora, num bar a história muda. Daí, pode soltar o som…

“Infestações” linguísticas

Por indicação de amigos tradutores, estou utilizando agora o HootSuite, um agregador de Twitter que é muito bacana. Nele é possível definir tags (aqueles indicadores com #bla, o de tradução é #xl8) e acompanhar seu assunto preferido. Terça-feira foi um dia cheio, mas consegui marcar como favorito uma tuitada do @CopestoneTeam sobre a infestação linguística que os alemães tentam combater no idioma, transformando o idioma de Goethe no que eles chamam de Denglisch, ou alemanglês. Numa matéria do telegraph.uk, alguns especialistas comentam que a invasão e a mistura do inglês no idioma começa a causar problemas. Inclusive há uma campanha de respeito ao idioma alemão, liderado por Cornelius Sommer, ex-embaixador alemão que aponta os efeitos sociais da mistureba. De acordo com a matéria do site, ele comenta que “o uso do inglês em larga escala teria consequências sociais, pois grande parte da população – especialmente as gerações mais velhas que são menos proficientes em inglês – podem se sentir excluídas”.

Será que no Brasil temos esse problema?

O português, se não tiver errado, é bastante permissivo de um lado, mas ao mesmo tempo os estrangeirismos não são tão agressivos como para outros idiomas. Talvez por não termos o inglês tão facilmente amalgamado ao português (diferente de nossa cultura, que está toda tomada) ou porque grande parte da população ainda não fala inglês ou não fala o suficiente, o uso de anglicismos é bastante pontual. Tirando alguns grupos profissionais que teimam em se deixar dominar por “inglesices”,  acredito que ainda não haja (e me alertem se eu estiver pollyano demais) motivo para preocupação.

Um exemplo: mouse. Diferente de outros países, inclusive Portugal, que traduzem o aparelhinho por rato, ou o espanhol ratón, mouse não nos dá margem nenhuma para dúvida: é aquele negocinho que faz a setinha do computador mexer. O povo do Linux tentou impor uma tradução (acho que era dispositivos apontador, que remete aqueles apontadores quadradinhos e coloridos de lápis), mas não colou. E a confusão não se instalou.

Porém, mesmo com a tranquilidade aparente, temos de ter cuidado, principalmente com estruturas gramaticais e afins (vide o artigo ótimo do Danilo Nogueira aqui). Essas estão mais ameaçadas que o léxico em si. Além disso, precisamos evitar (e combater) absurdos com unhas e dentes, como “Delivery e entrega em domicílio” (como se fossem coisas diferentes), “printar”, gerundismos e afins. Na dúvida, uma olhadinha na gramática ou perguntadinha a algum amigo bom de português.

Assim não teremos de instituir a campanha “Salvem o português brasileiro”.

Nova entrevista, ma che!?!

Estou bastante feliz com as entrevistas que vão de vento em popa. Um tradutor comenta de outra tradutora que comenta de outro tradutor e assim se forma uma corrente de entrevistados ligados de alguma forma. Mudamos novamente de idioma e partimos para o italiano: Roseli Dornelles é nossa entrevistada de hoje. Muito simpática, imaginei respostas com sotaque paulistano e muitos gestos, como boa falante de italiano. Clique aqui para conferir a ótima entrevista com “Roselix”. Se ainda não viu as outras entrevista, clique em cima, em Conversas entre Tradutores.

Os tiros e as culatras

Ontem li um post do Danilo Nogueira no blogue Tradutor Profissional sobre uma crítica feita à colega Maria José Silveira pelo jornalista Roberto Kaz, da Folha de São Paulo, sobre uma tradução feita por ela do livro Deixe o Grande Mundo Girar (ed. Record), que Colum McCann lançará na FLIP em agosto próximo, e concordei com ele sobre a postura de ambos os envolvidos: Roberto Kaz, que talvez tenha feito uma tempestade em tampa de coca light (chegou a enviar um e-mail à editora com todos os seus apontamentos) e  Maria José, que respondeu com impropérios e esperneios à crítica do jornalista. Pois estamos, sim, sujeitos à crítica a qualquer momento e em qualquer âmbito de nossas vidas. O importante é estarmos prontos para aceitar as críticas e melhorar ou rebater as críticas com civilidade, pois ninguém está acima do bem ou do mal. Como tradução é uma área na qual a interpretação desempenha um papel importantíssimo, se não fundamental, cada qual vai considerar sua maneira correta, porém, não se pode esquecer que a do vizinho também pode estar correta, apesar de estar muito diferente da sua.

E de certa forma, acredito que a iniciativa de Roberto Kaz não seja de todo ruim, apesar de, ao que parece, ter sido um arroubo desnecessário. Se a imprensa desempenhasse seu papel denunciador de forma razoável, ajudaria na extinção do bico tradutório (do qual falei aqui e com o que me irritei nas últimas semanas), da tradução por qualquer pessoa que se julgue conhecedora dos meandros da arte tradutória ou capaz por saber um idioma (e todo tradutor e pessoa sensata sabe que isso não é o suficiente para ser um profissional da tradução). Assim, aos poucos, nossa atividade (inclusive a tradução literária) se profissionalizará cada vez mais, sem perder a característica de arte intrínseca à tradução.

Até porque chovem exemplos de traduções capengas de obras merecedoras de um tratamento todo especial.

Faço coro com o Danilo: não li o livro, não conheço a tradutora (que por sinal conhece ou acompanha o blogue de alguns amigos e conhecidos meus) e não leio a Folha (apesar de ter lido matérias ótimas do Roberto Kaz na revista Piauí). Meu contato é totalmente de terceiro, que vem por intermédio de uma tuitada da querida Denise Bottmann.

PS.: Muito estranha a Folha de São Paulo: numa matéria levanta que a tradução pode ter problemas, no próximo artigo do mesmo assunto (na edição impressa, provavelmente, na mesma página) Joca Rainers Terron elogia a tradução de Maria José. E aí?

Elsa e Fred

Com algum tempo de atraso, finalmente assisti Elsa e Fred (Elsa y Fred, 2005), com direção de Marcos Carnevale. Vou tentar não estragar nenhum momento do filme com esse texto, então começo dizendo que a delicadeza com o qual são tratados os senhores Elsa (China Zorrilla), uma velhinha trambiqueira, mentirosa, mas muito alegre e Alfredo, o Fred (Manuel Alexandre), um recém-viúvo que tenta reiniciar sua vida sozinho. Por decisão de sua filha, ele se muda para o mesmo prédio de Elsa e alguns incidentes fazem com que eles se aproximem. A alegria de Elsa e o comedimento de Fred dão o tom certo do filme, com as reclamações típicas dos velhos, por parte de Fred, sendo superadas pelas estripulias de Elsa, que a todo o momento tenta ajudar seu filho mais novo, artista plástico fracassado, e é controlada pelo seu filho mais velho, um executivo impaciente. Do outro lado temos Fred, que tem Cuca, filha destemperada casada com Paco, mais um europeu atingido pela crise.

E começa uma história de amor.

Por acaso, encontrei um pôster do filme em alemão que traz uma frase de Picasso que define bem esse filme: “Precisa-se de muito tempo para se tornar jovem”. A maneira que Elsa se resume nessa frase, ela chegou àquela idade sem as ranhetices e os sofrimentos reais e imaginários dos velhos e em diversos momentos ela se denomina (ou é chamada de) adolescente. Ela se orgulha de ter essa vivacidade e de colocar o sorriso em primeiro lugar. Um ótimo exemplo para muitos de nós. Então, se não viu ainda, saiba: vale a pena!

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Espera, espera

Ótimo combustível para a imaginação é a espera. Em geral ela é cheia de acontecimentos, por mínimos que possam parecer. Mas a gente não dá muita bola, ansiosos que somos, vidrados na espera sem arredar o pensamento daqueles momentos angustiantes (ou que se fazem angustiantes pela nossa impaciência). Centramos nossa mente no esperar como se tivéssemos que estar de prontidão o tempo todo: o médico, o amor, a fila do banco, a comida do restaurante. Até quando a espera é pela diversão nos estressamos e perdemos detalhes. Não nos damos conta de que o mundo continua sua marcha cada vez mais veloz sem dar importância a essa ansiedade e que não adianta, por mais que queiramos, empenhar tantas forças no esperar. Por que não aproveitar esses tempos de espera para se pensar em coisas (in)úteis, escrever uma carta [coisa antiga que gosto muito... se quiser, transforme em e-mail depois] ou algo que queira, ler algo bom? Não temos mais o costume saudável da espera, da desaceleração.

Percebi o quanto minha marcha estava descontrolada na minha última viagem ao Inhotim, museu a céu aberto e parque em Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte. Ali o mundo tem outro ritmo, algo menos desesperado, a natureza berrando num silêncio que ecoa entre as obras de arte, os animais ali tão pertinho, um café numa sombra revigorante. Não que esse possa (ou seja) meu dia a dia, mas ali percebi aos poucos meu desespero em fazer tudo ao mesmo tempo agora já, quando não precisava me afligir com nada, apenas no fim da tarde com o horário do ônibus. E ainda eram onze da manhã, olha que beleza.

Por isso, na próxima vez que seu amigo(a)/amor/médico/gerente de banco/[ponha aqui o que quiser] atrasar, relaxe e pense que esse tempo será para você. Nada mais justo que aproveitá-lo.

Foto: Rita Angel

Curso de Prática de Criação Literária

Nunca é demais lembrar a todos que estão abertas as inscrições do Curso de Prática de Criação Literária, um curso em nível de pós-graduação promovido pelo Espaço Terracota e pela Universidade Cruzeiro do Sul. Vejam informações na imagem acima (clique na imagem).

Depois do desabafo…

O desabafo de ontem, coisa generalizada, pegou muita gente de supetão e causou um certo furor. Acho que devo desculpas às pessoas que se penalizaram e agradecer o ombro amigo tão prontamente estendido. Estou bem melhor, podem apostar.

E hoje é um dia feliz, quarta-feira, dia de Conversas entre Tradutores. Hoje teremos o prof. João Azenha Júnior, que foi um dos meus professores na USP, grande tradutor. Entre as obras que ele traduziu está O mundo de sofia. A entrevista dele está realmente um show, valeu a pena entrevistá-lo. Confira nosso décimo bate-papo no mesmo lugar, ali em cima, ou aqui para o link direto.

Grande abraço e preparem-se: a inspiração está voltando…

(Imagem: “Fecundação”, Elisabete Monteiro)

Penso, logo desabafo

Acabei de escrever um desabafo caudaloso e salvei como rascunho. Talvez um dia eu possa publicá-lo em alto e bom som, talvez todo em caixa alta, caps lock na veia, desopilando o fígado. Às vezes me pego assim, ranzinza, e o estopim logo surge para que eu estoure. Engulo seco, os olhos enchem d’água, enrubesço, fico inquieto e explodo, meus cacos se espalham por todos os cantos, então me ponho no trabalho inglório de recolher pedaços tristonhos e me refazer. Fico melhor assim, mesmo que as cicatrizes doam um pouquinho.

E, por incrível que pareça, meu lado profissional que causou o último desabafo. Ao menos minha vida pessoal vai de vento em popa.

Daí lembro das férias. Das viagens. Da espera pelo fim de semana e fico mais tranquilo. Sei que chegarão e nada do que aconteça vai abalar minha trilha. Já está traçada, já trabalho para chegar aonde quero e dificilmente desisto. Não posso desistir, agora que estou no meio do caminho.

Enquanto isso, o desabafo está lá, relegado à qualidade de rascunho, rabiscos descontrolados na tela saídos de dedos em fúria, mente em colapso, tudo ao mesmo tempo agora. Deixe ele lá, fermentando. Quando estiver no ponto, ponho à prova e seja o que os deuses quiserem.

Lançamento a vista!

E agora vai! A queridíssima Andréa del Fuego lançará seu romance Os malaquias, Ed. Língua Geral, na Livraria da Vila (da Vl. Madalena), dia 20 próximo. Como ela diz em seu blogue:

Espero cada um de vocês, nervosa e feliz.

Pois estaremos lá, com certeza. Vamos prestigiar! Convitinho abaixo.

Eco, Carrière e o futuro dos livros

Algumas vezes aqui no blogue comentei sobre o futuro dos livros, e-books e afins, numa tentativa de afirmar minha visão sobre a mudança vaticinada por muitos de que as edições em papel têm seus dias contados e darão lugar em breve a bits e bytes em telas de Kindles e iPads. Tenho minhas dúvidas sobre essa mudança e, mesmo que haja, o suporte não muda (ou não deveria mudar) o que o livro traz para cada um. Já escrevi sobre esse assunto aqui, aqui e menos aqui. Para minha felicidade e por indicação preciosa da querida Karla Lima, megulhei em _não contem com o fim do livro, do semiólogo e escritor Umberto Eco e do escritor, dramaturgo e roteirista Jean-Claude Carrière (Ed. Record, Trad. André Telles, link aqui), um bate-papo delicioso mediado pelo jornalista Jean-Philippe de Tonnac. Percorrendo milhares de anos da história do livro, os dois bibliófilos, colecionadores de livros antigos e raros (os incunábulos) nadam contra a maré digital e batem no peito quando dizem: o livro não vai acabar. Trazem inúmeros motivos para que o objeto livro continue a ser cultivado como tem sido até hoje e, diferente dos vinis e de outros objetos que voltam na onda vintage, o livro, como a roda, desempenha seu papel com perfeição há tempos e prova que não é substituível. Apesar de sua classificação de Ensaio/Teoria Literária, esse livro é recomendável a todos aqueles que amam o livro e a leitura e acreditam, como os autores, que essa paixão não é vã nesses tempos de fibras ópticas, conexões rápidas e telas eletrônicas. O sério Jean-Philippe Tonnac conduz bem a entrevista e os entrevistados, num descontraído bate-papo, mostram que não foram chamados para essa troca de ideias por acaso. Livro para ter e consultar, para anotar e rabiscar, deixar as marcas da leitura, pois é disso que trata: do livro como objeto pessoal e afetivo.

Entre os comentados no livro, fiquei bastante feliz em encontrar algumas vezes mencionado o nome de José Mindlin, brasileiro que nos últimos tempos representou essa paixão pelos livros com bastante força. Vale a pena.

Patrik 1,5: bom, mas poderia ser melhor

Gostei de Patrik 1.5 (Suécia, 2008), filme baseado na peça de Michael Druker, com roteiro e direção de Ella Lemhager. Se fosse uma produção estadunidense, talvez resultasse em algo mais água com açúcar, o que não é o caso. Nas mãos da diretora Ella Lemhager o filme passa a marca do desnecessário e torna-se um filme que arranca risadas e emociona. Mas tem seus poréns.

Göran e Sven acabam de se mudar para o pacato subúrbio sueco com um sonho: adotar uma criança. Na verdade, sonho mais de Göran que de Sven, que já tem a experiência da paternidade e não se anima tanto quanto o companheiro. Há anos com a permissão da adoção, eles aguardam Patrik, com um ano e meio (1,5). Porém a carta de aviso da chegada da criança tem um erro de digitação e na verdade eles adotaram Patrik, 15 anos, delinquente juvenil que considera todos homossexuais pedófilos. Sven, arredio, não quer saber de Patrik pelo risco que representa. Göran, com espírito beirando o maternal, quer dar uma chance ao garoto. Enquanto isso, a vizinhança começa se revelar menos pacata e a hipocrisia dá lugar ao esperado comportamento homofóbico.

E aí está o maior porém do filme: a superficialidade. Talvez fosse necessário um filme maior ou uma trama que focasse menos o casal e mais a relação da sociedade com os novos formatos familiares. À exceção de alguns rompantes coadjuvantes e dissimulações entre os vizinhos, o filme não evolui nesse sentido. Sendo essa uma boa discussão, Patrik 1.5, perde uma boa oportunidade de explorá-la. Agora, resta esperar The Kids Are All Right, com Julianne Moore e Annette Bening.

Voltamos

Pessoal,

Voltei das pequenas férias tão esperadas. Por uma mudança de planos elas foram diminuídas, mas não menos desfrutadas: sete dias em Belo Horizonte me fizeram um bem danado. Ouro Preto, Inhotim, Beagá em cafés e botecos deliciosos, livrarias aconchegantes e a receptividade do mineiro trouxeram de volta minha vontade de morar por lá de novo. Reencontro com amigos, descobertas de pessoas que até então eram tão distantes e um ótimo filme no Usiminas Belas Artes (que comentarei em breve).

E agora, de volta para todos os batentes. E como não poderia deixar de ser, de volta ao blogue e ao Conversas entre Tradutores. Hoje uma ótima surpresa: a primeira entrevista internacional do blogue. A simpática Céline Graciet, autora do site e blogue Naked Translations bateu um papo rápido e eficiente conosco. Conforme prometido para a autora, a entrevista estará em inglês e português. Espero que gostem (e que eu não tenha cometido muitas incorreções na língua do Bardo).

Assim falou Marcel Reich-Ranicki

Marcel Reich-Ranicki (c) picture-alliance

“Acredito que seja mais adequado, em muitos casos, decepcionar um autor a enganar centenas de milhares de leitores.”*

Aos 90 anos (completados em junho), um dos papas da crítica literária alemã reafirma seu credo profissional.  Estou com ele e não abro…

(* Ich glaube, dass es eher angebracht ist, in manchen Fällen, einen Author zu kränken als Hunderttausend von Lesern zu betrügen.)

Fonte: DW-World Podcasts – Bücherwelt.

Foto: picture-alliane, no site Germany-Info USA.