
- Image via Wikipedia
Não, não tenho nada contra música ao vivo, inclusive acho louvável quem ganha a vida com isso e muitos artistas que gostamos começaram assim, cantando na noite. Sou contra a febre que se instalou (ao menos aqui em Sampavelox, salve Prensada) de todo lugar ter um artista dedilhando seu violãozinho e cantando Djavan. Indiscriminadamente. Vou dar um exemplo:
Você está no shopping, com pressa e precisa comer algo rápido. Quer paz para esse momento, pois a manhã já foi atribulada e os quatro cavaleiros do apocalipse esperam o seu break para continuar o dia. Você pega sua comida, senta numa mesa disputada por engravatados, vendedores, desocupados e afins até que ouve:
“Amar é um deserto e seus temooooreees…”
Acabou a paz. Aquele momento em que seria suficiente o burburinho das praças de alimentação ou o vai e vem de garçons atendendo as mesas. Outra situação típica:
Você combina durante toda a semana para encontrar amigos no sábado e colocar a conversa em dia, expor problemas ou ouvir lamentações, ou dar risada e falar muita besteira. Combinam naquele restaurante japa que já foi melhor, mas onde a minicascata e casa com grande quintal deixam o ambiente agradável. Você e os amigos se encontram, se abraçam, entram no restaurante, pedem rodízio para os quatro com os respectivos shimejis (uma porção sem repetição), hot rolls, temakis e outras iguaria. E ouvem:
“Açaí guardiã, zum de besouro imã, branca é a tez da manhã… Açaí…”
Se o espaço não for grande o suficiente para você ficar longe do cantor, você sairá provavelmente com dor de garganta do restaurante e seus vizinhos de mesa tranquilamente compartilharão de sua conversa. Experiência desagradável pela qual já passei, aos berros e sem entender direito o que os amigos diziam, dor de cabeça no fim da noite.
Repito, não tenho nada contra música ao vivo. Nem contra Djavan, acho um cantor muito bom. Porém não suporto a ideia que os donos de estabelecimentos têm de que todo mundo tá afim de uma musiquinha enquanto faz qualquer coisa. E musiquinha alta para que todo mundo ouça como o artista é “bom”. Se tem gente que gosta? Claro que tem. E respeito. Mas me dou o direito de dar meia volta e ir para outro lugar, onde a musiquinha ambiente vai me deixar conversar ou ter um momento de tranquilidade.
Agora, num bar a história muda. Daí, pode soltar o som…

Estou bastante feliz com as entrevistas que vão de vento em popa. Um tradutor comenta de outra tradutora que comenta de outro tradutor e assim se forma uma corrente de entrevistados ligados de alguma forma. Mudamos novamente de idioma e partimos para o italiano: Roseli Dornelles é nossa entrevistada de hoje. Muito simpática, imaginei respostas com sotaque paulistano e muitos gestos, como boa falante de italiano. Clique 




O desabafo de ontem, coisa generalizada, pegou muita gente de supetão e causou um certo furor. Acho que devo desculpas às pessoas que se penalizaram e agradecer o ombro amigo tão prontamente estendido. Estou bem melhor, podem apostar.



