Há pouco levantei a discussão se ler qualquer coisa era melhor que não ler nada (aqui) e recebi muitos retornos (e outras tantas porradas) que me foram muito válidos para pensar melhor na questão à parte do meu desabafo do post anterior. Foram tantas ideias que surgiram com a reflexão que não consegui até hoje formular uma resposta para a pergunta que eu mesmo fiz, deixando-a em aberto, para ser vista caso a caso. Ontem estava tomando um café com amigos e quando comentei que, por exemplo, a Livraria Cultura do Conjunto Nacional virou um pontão de encontro, sempre cheia e intransitável. A amiga Karla disse: “Melhor que esse ponto de encontro seja numa livraria, ao menos ali as pessoas estão em contato com os livros, pegam, folheiam e talvez se interessem”.
Então a questão de má literatura é relativa? Outra vez ouvi de alguém que o que é bom para um pode não ser para o outro. Chavão certíssimo. E o que é seu e não é bom e, ainda assim, você publica? No Sabático do fim de semana, uma notinha comentou sobre um documentário chamado Bad Writing, produzido por Vernom Lott, que estreia em agosto e traz exatamente essa perguntinha: que bosta foi aquela que botei no papel?
Quem nunca teve essa sensação, que atire o primeiro calhamaço. Porém, muita gente não publica nadica pelo medo da crítica ou pela exigência altíssima. Quem conhece os cursos de Letras por aí sabem que a graduação talvez devesse ter em sua grade prática da escrita criativa, mas o que ela realmente faz é detonar a criatividade, formando excelentes críticos literários, todos com medo de ser criticados ou com um nível de exigência tão alto que não acham que seu próprio texto valha a pena.
Acredito que a premissa do filme seja um empurrão para aqueles que não se aventuram e dão a cara para bater:
Bad Writing é um documentário sobre um homem que deseja ser poeta e se põe em uma busca por respostas sobre a escrita – má literatura, boa literatura e o processo que há entre esses dois pontos. Que ele vai aprender com algumas das estrelas do mundo literário que inspiram todos aqueles que já sonharam em criar arte?
Será que esse filme chega aqui? Ou teremos que apelar para as cópias alternativas?
Veja o trailer:
Fonte: Estadão, Caderno Sabático de 1.5.2010